A lista de bilionários da China ganhou um novo líder em 2024: Zhang Yiming, fundador da ByteDance, voltou ao topo do ranking graças ao avanço de sua empresa em inteligência artificial (IA). O resultado foi divulgado pelo Instituto de Pesquisa Hurun nesta terça-feira e mostra um retrato curioso do mercado chinês atual — enquanto setores como tecnologia avançada disparam, segmentos tradicionais como consumo e imobiliário seguem patinando.
Lista de bilionários da China registra recorde de nomes
O Hurun Report, que publica esse levantamento anualmente desde 1999, identificou um número inédito de super-ricos no país: 1.529 pessoas com patrimônio superior a 5 bilhões de yuans, o equivalente a cerca de US$ 750 milhões. Esse total representa um crescimento de 6,6% em relação ao ano anterior, ou seja, a China continua produzindo fortunas em ritmo acelerado, mesmo com a economia enfrentando turbulências em outras frentes.
Já quando o critério é o patrimônio líquido em dólares americanos, o número de bilionários chineses subiu para 1.176 — um salto de 155 pessoas em relação ao levantamento anterior. Para efeito de comparação, esse total ficou 176 nomes acima do registrado nos Estados Unidos. Ainda assim, vale notar que o número ficou ligeiramente abaixo das 1.185 pessoas contabilizadas em 2021, mostrando que a recuperação ainda não bateu o pico histórico.
Zhang Yiming dispara com a IA da ByteDance
Zhang Yiming liderou a lista de bilionários da China com uma fortuna estimada em US$ 100 bilhões, um avanço de 43% frente ao ano passado. Segundo Rupert Hoogewerf, presidente do Hurun Report, esse crescimento veio “quase tudo graças à IA” — e o valor alcançado por Zhang é, inclusive, um recorde histórico para quem ocupa o posto de pessoa mais rica da China.
Hoogewerf destacou ainda que o Doubao, assistente de inteligência artificial desenvolvido pela ByteDance, é hoje o mais utilizado em todo o país. Além disso, a empresa também é dona de duas das plataformas de vídeos curtos mais populares do planeta: o Douyin, versão chinesa, e o TikTok, conhecido mundo afora.
Quem mais aparece no ranking
Abaixo de Zhang, o pódio ficou assim organizado:
- Zhong Shanshan, magnata do setor de água engarrafada, caiu para o segundo lugar, com fortuna de US$ 61 bilhões;
- Robin Zeng, presidente da CATL — maior fabricante mundial de baterias para veículos elétricos —, ficou em terceiro;
- Liang Wenfeng, fundador da startup chinesa de inteligência artificial DeepSeek, estreou na lista já em sétimo lugar;
- Chen Tianshi, presidente da fabricante de chips de IA Cambricon, apareceu na décima posição.
Esses nomes deixam claro o fio condutor da edição deste ano: quem apostou em tecnologia de ponta colheu os frutos. Por outro lado, quem ficou preso a modelos mais tradicionais sentiu o impacto negativo.
Polarização marca o ano na lista de bilionários da China
De acordo com Hoogewerf, “os ganhos deste ano foram polarizados: empreendedores em IA, semicondutores e robótica avançaram, enquanto aqueles em consumo, imobiliário e manufatura tradicional viram sua riqueza encolher”. Em outras palavras, o mercado chinês está passando por uma espécie de divisor de águas, no qual a inovação tecnológica virou o principal motor de valorização patrimonial.
Um exemplo claro dessa inversão de sorte foi Lei Jun, presidente da fabricante de eletrônicos de consumo inteligente Xiaomi. Segundo Hoogewerf, ele foi o “maior perdedor” da edição deste ano, com a riqueza reduzida pela metade, caindo para US$ 25,1 bilhões.
No fim das contas, o levantamento do Instituto de Pesquisa Hurun reforça uma tendência que já vinha se desenhando: a inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a ditar quem sobe e quem desce no topo da pirâmide econômica chinesa. Com Zhang Yiming na liderança e nomes como Liang Wenfeng ganhando espaço, fica evidente que o setor segue como protagonista — e deve continuar movimentando o ranking nos próximos anos.
Com informações de infomoney.com.br.