O setor de inteligência artificial deu um fôlego para o mercado norte-americano nesta terça-feira (3). O Nasdaq fechou em alta com a recuperação das grandes empresas ligadas à área, enquanto investidores ficavam de olho nas eleições de meio de mandato que estavam prestes a definir o rumo político dos Estados Unidos. Do outro lado, a Apple foi a nota dissonante do dia, registrando queda depois de se juntar à lista de gigantes da tecnologia cujos resultados trimestrais não empolgaram o mercado.
Apple cai enquanto chips e big techs sobem com força da IA
As ações da Apple recuaram 1,9% depois que a empresa avisou que o custo dos chips de memória deve continuar subindo, o que deve pressionar a margem bruta da companhia justamente no trimestre das festas de fim de ano — período historicamente forte para as vendas.
Enquanto isso, quem fabrica esses chips de memória comemorou: a Micron Technology subiu 2,6%. A Nvidia também virou o jogo e avançou 2,3%, depois de encadear quatro sessões seguidas de queda. O índice mais amplo do setor de chips deu um salto considerável, e a AMD também operou em alta à espera da divulgação de seu relatório trimestral, programada para depois do fechamento do mercado.
Entre as big techs, Microsoft e Amazon subiram mais de 2% cada uma, puxando o otimismo em torno das empresas de IA ainda mais para cima.
Para Jay Hatfield, diretor executivo da Infrastructure Capital Management, o movimento do dia reflete bem o momento do mercado:
“Trata-se de uma rotação de ações de tecnologia consideradas seguras, como a Apple, para ações de tecnologia mais arriscadas, como as fabricantes de chips. É claramente uma compra em baixa em um mercado de maior risco, impulsionado pelo Nasdaq.”
Correção no Nasdaq preocupa com gastos pesados em IA
Apesar da recuperação pontual, o cenário de fundo ainda gera cautela. O Nasdaq 100 encerrou a segunda-feira mais de 10% abaixo do recorde de fechamento registrado em 6 de outubro, confirmando que o índice — fortemente concentrado em tecnologia — entrou oficialmente em fase de correção. O motivo? Investidores temem que os investimentos bilionários em infraestrutura de inteligência artificial estejam crescendo mais rápido do que a geração de caixa das empresas no curto prazo.
Não é à toa que Amazon e Alphabet sentiram esse receio na pele na semana passada: as ações de ambas caíram de forma acentuada depois que seus resultados trimestrais reforçaram as dúvidas sobre o custo elevado dos gastos com IA.
Já o S&P 500 está cerca de 3% abaixo de seu fechamento recorde de 6 de outubro, mas, mesmo assim, ainda acumula alta de mais de 10% em 2026. No pregão desta terça, o índice subiu 0,36%, encerrando em 7.568,92 pontos.
Petróleo recua e mercado observa conflitos no exterior
Além da movimentação das ações de tecnologia, os preços do petróleo também chamaram atenção, recuando enquanto investidores acompanhavam as negociações para encerrar as guerras na Ucrânia e no Irã. Por outro lado, ainda existe preocupação com novas interrupções no abastecimento, decorrentes dos ataques recentes nesses dois conflitos. Uma autoridade sênior iraniana afirmou à Reuters que Irã e Estados Unidos ainda estão longe de fechar um acordo para encerrar a guerra.
Nasdaq sobe, Dow Jones recua e setores ficam divididos
No fechamento, o Nasdaq subiu 0,83%, para 25.372,01 pontos. Já o Dow Jones Industrial Average seguiu na direção contrária, recuando 0,38%, para 51.787,04 pontos.
Dos 11 índices setoriais do S&P 500, seis fecharam em queda. O destaque negativo ficou com o setor de bens de consumo básico, que caiu 1,76%, seguido de perto pelo setor de materiais, com perda de 1,75%.
Entre as empresas de IA, a Palantir Technologies, fornecedora de software de análise baseado em inteligência artificial, até previu receita acima das estimativas para os últimos três meses do ano, depois de superar as expectativas no terceiro trimestre. Ainda assim, suas ações fecharam em queda — prova de que nem sempre bons números garantem valorização imediata.
Eleições de meio de mandato nos EUA no radar dos investidores
O grande pano de fundo do dia era a expectativa pelas eleições de meio de mandato. Os eleitores norte-americanos davam seu veredicto sobre os dois primeiros anos do segundo mandato do presidente Donald Trump, com pesquisas e analistas apartidários indicando que os democratas deveriam tirar dos republicanos o controle da Câmara dos Deputados dos EUA, enquanto o domínio do Senado seguia incerto.
Ken Mahoney, presidente-executivo da Mahoney Asset Management, resumiu o clima de expectativa entre os investidores:
“Os mercados avaliarão as possíveis implicações para a política fiscal, a regulamentação, a tributação e os gastos públicos. Será bom deixar isso para trás, já que tem sido um evento de volatilidade antecipado há bastante tempo.”
Analistas do Morgan Stanley reforçaram essa visão, afirmando que as eleições devem ajudar a eliminar um grande fator de incerteza do mercado. Segundo eles, a correção do mercado norte-americano, iniciada em junho, estaria em sua “reta final”.
Por fim, vale registrar que nem todas as empresas tiveram um dia tranquilo após divulgar resultados. A Gartner desabou 13,2%, enquanto as ações listadas nos EUA da Thomson Reuters e da Shopify caíram 9,9% e 8,7%, respectivamente — mais um sinal de que o mercado segue extremamente seletivo com quem decepciona nos números trimestrais, mesmo em meio à recuperação puxada pelas gigantes de IA.
Com informações de infomoney.com.br.