Quem trabalha monitorando posições no Google pode ter notado algo estranho nos relatórios de rankings nas últimas semanas: no lugar da URL de destino esperada, aparece um link estranho do tipo google.com/goto. Segundo a DataForSEO e a Serper, duas empresas que vendem acesso via API aos resultados de busca do Google, isso não é bug de quem coleta os dados — é o próprio Google limitando a velocidade com que esses redirecionamentos podem ser seguidos. Na prática, esse travamento nos links goto do Google está fazendo com que serviços de rastreamento de ranking entreguem, em vez da URL real, apenas o endereço de redirecionamento.
O problema começou a chamar atenção a partir de 30 de outubro. A página de status da Serper registrou a primeira ocorrência às 1h30 (horário UTC) daquele dia. A SerpApi, outra fornecedora de dados de busca, também anotou o mesmo tipo de falha para resultados orgânicos na mesma data. Nenhuma das três empresas — DataForSEO, Serper ou SerpApi — encontrou um comunicado oficial do Google explicando a mudança; tudo o que se sabe até agora vem das próprias observações técnicas publicadas por elas.
Como funciona esse limite nos links goto do Google
De acordo com um artigo publicado pela DataForSEO em 2 de novembro, o travamento acontece quando alguém abre vários links da mesma página de resultados em sequência rápida. Cada link carrega um identificador vinculado à página de busca de onde ele saiu, e é esse identificador que o Google usa para aplicar o freio.
Quando o limite é acionado, em vez de levar direto ao site de destino, o Google devolve uma página com um botão “Continue” — só que esse botão fica desabilitado por um tempo. E esse tempo de espera não é fixo: ele cresce conforme os links anteriores foram resolvidos rápido demais. Um exemplo ajuda a visualizar a lógica:
- Numa página de resultados com 18 links goto, os primeiros 5-6 podem ser liberados na hora;
- O 7º link já pode exigir 1 segundo de espera;
- O 8º, cerca de 3 segundos;
- E assim por diante, até o 15º link, que pode chegar a 40 segundos de espera;
- A DataForSEO relatou casos em que a espera por uma única URL chegou a 120 segundos.
Um detalhe importante: o limite é aplicado por página de resultados, não por endereço IP nem por termo de busca. Ou seja, trocar de IP ou mudar a consulta não resolve — a DataForSEO testou e confirmou que isso não burla a restrição. Além disso, esperar uma hora ou mais antes de tentar resolver todos os links também não muda nada, já que o Google continua aplicando o mesmo limite vinculado àquela página específica.
O que as fornecedoras de dados estão fazendo pra contornar
A DataForSEO adaptou seu modo Standard Priority para resolver todas as URLs goto, ainda que isso signifique mais tempo de execução por causa dos atrasos impostos. Já nos modos High Priority e Live, a empresa afirma que apenas cerca de metade dos links goto consegue ser resolvida.
A Serper, por sua vez, descreve em sua página de status que o Google “limita quantos links de resultado /goto podem ser seguidos por página de resultados”. A primeira solução encontrada pela empresa resolvia os três primeiros links orgânicos e devolvia os resultados de 4 a 10 como links goto — que, segundo a Serper, voltam a funcionar cerca de 30 segundos depois da busca. Para contornar isso, foi criado um endpoint adicional, o /resolve, justamente para buscar o restante das URLs.
No dia 31 de outubro, a Serper informou ter encontrado outro caminho para recuperar as URLs reais, afirmando que todos os links de resultado voltaram a aparecer corretamente. A própria empresa, porém, classificou essa solução como “provavelmente temporária”.
Já a SerpApi registrou em sua página de status um evento em 30 de outubro mostrando que sua API de busca do Google passou a devolver links goto em vez dos links normais nos resultados orgânicos. A empresa afirma que o problema foi corrigido até 2 de novembro — mas um segundo incidente, relatado em 3 de novembro, apontou falhas intermitentes do mesmo tipo. Em nenhum dos dois casos foi apontada uma causa oficial.
De onde vieram esses links goto
O problema é que esses links não podem ser decodificados diretamente: é preciso que uma ferramenta efetivamente siga cada um deles para descobrir o destino final. E é exatamente essa etapa de “seguir o link” que agora está sendo deliberadamente travada pelo novo limite.
Por que isso importa pra quem acompanha rankings
Na prática, alguns serviços de rastreamento de posição — e também relatórios internos que usam páginas de destino para análises no nível de URL — podem estar exibindo os redirecionamentos google.com/goto no lugar das URLs reais desde aproximadamente 30 de outubro, dependendo do fornecedor e de como as requisições foram feitas. Isso significa que, se uma URL específica parece ter sumido de um relatório, ela pode na verdade continuar bem posicionada, só que com o redirecionamento ainda não resolvido naquele registro. Por isso, antes de sair reportando uma “queda” de uma URL, vale checar se o endereço salvo é, na verdade, um redirecionamento do Google — e conversar com o fornecedor do serviço para entender qual método foi usado na coleta daqueles dados.
E agora, o que esperar
Até a última verificação, em 4 de novembro, o incidente de 3 de novembro reportado pela SerpApi sobre os links goto ainda constava como “Identificado” em seu painel. A Serper afirma que, caso o Google também passe a limitar o método alternativo que ela usa hoje para buscar as URLs reais, a empresa vai voltar a resolver automaticamente apenas os três primeiros resultados, usando o /resolve para buscar o restante depois de cerca de trinta segundos. Já a DataForSEO diz que vai continuar ajustando seus processos conforme observar como o Google se comporta em relação à resolução desses links.
Diante desse cenário, a recomendação é simples: relatórios que cobrem o período do final de outubro até o início de novembro merecem uma nova checagem assim que os fornecedores definirem, de forma mais estável, como vão lidar com a resolução dos links goto.
Com informações de searchenginejournal.com.