Um agente de IA da Meta capaz de enviar emails, reservar viagens e acessar diferentes aplicativos foi lançado nesta terça-feira (8). Chamado Muse, o sistema chega ao mercado mesmo com preocupações internas sobre segurança, privacidade e possíveis falhas no gerenciamento de dados pessoais confidenciais.
A informação foi divulgada por Katie Paul, da Reuters, em Nova York. O lançamento ocorreu em 8.set.2026 às 19h15 e faz parte do plano do CEO Mark Zuckerberg de oferecer “superinteligência pessoal” aos bilhões de usuários dos serviços da companhia.
Agente de IA começa pelos Estados Unidos

Inicialmente, o agente de IA estará disponível somente nos Estados Unidos. O acesso poderá ser feito por um aplicativo dedicado ao Muse ou pelo WhatsApp, segundo comunicado da Meta. A empresa também afirmou que pretende levar a ferramenta para seus óculos inteligentes “em breve”, mas não apresentou detalhes sobre essa etapa.
Conhecido internamente como Hatch, o Muse foi inspirado no agente de inteligência artificial de código aberto OpenClaw. A ferramenta pode se conectar a categorias como email, agenda, pagamentos, saúde, compras e dispositivos de casa inteligente.
Os próprios usuários definem quais aplicativos serão conectados ao sistema e, de acordo com a Meta, podem retirar essa autorização a qualquer momento. Dessa forma, a empresa tenta dar mais controle sobre os dados acessados pelo agente de IA.
Como o Muse executa as tarefas

Cada agente de IA do Muse funciona em uma máquina virtual própria. Trata-se de uma emulação, baseada em computação em nuvem, de um computador pessoal. Com isso, o sistema consegue continuar processando solicitações em segundo plano, mesmo quando o usuário não está utilizando ativamente o dispositivo.
A integração com aplicativos que armazenam informações reais amplia o potencial do produto. No entanto, também aumenta de forma significativa os riscos de segurança e confiabilidade. Esses problemas podem atingir tanto quem autorizou o acesso quanto outras pessoas afetadas por uma ação inadequada do sistema.
Vishal Shah, vice-presidente de produtos de IA da Meta, afirmou que a companhia adiou o lançamento em abril para reforçar a segurança. Segundo ele, o trabalho permitiu que a empresa “ultrapassasse o limiar” e alcançasse os requisitos mínimos de segurança, proteção, privacidade, desempenho do modelo e outras métricas.
“É impossível afirmar que nunca haverá um erro, mas cada parte da arquitetura foi projetada para tornar o produto o mais seguro, protegido e privado que for possível”, disse Shah.
Testes internos apontaram falhas

Apesar das garantias, funcionários da Meta que testaram o agente de IA relataram resultados variados em publicações internas vistas pela Reuters. Houve casos em que o Muse organizou com sucesso a logística de férias, mas também situações nas quais se desconectou sem explicação e enviou informações confidenciais sem autorização.
Uma pessoa afirmou que o produto foi tão útil para montar itinerários e organizar o transporte terrestre que o descreveu como “a terceira participante” de sua lua de mel de três semanas na Indonésia.
Em outro relato, um funcionário pediu que o Muse acompanhasse ingressos e outros itens sujeitos a esgotamento rápido. Porém, encontrou “muitas falhas que o tornavam pouco confiável”. Segundo essa pessoa, o sistema parou de atualizar a página após cerca de 15 minutos, ignorou silenciosamente outros erros e, em alguns momentos, desativou o monitoramento “sem motivo aparente”.
O diretor de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth, também relatou desconexões frequentes e a necessidade de fazer login novamente, às vezes várias vezes em poucos minutos. Além disso, funcionários apontaram falhas graves de segurança.
Em um dos episódios, um agente contornou proteções e expôs fotos pessoais do iCloud depois de receber um pedido para identificar brinquedos visíveis em imagens de uma festa de aniversário infantil. A Meta não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters sobre os incidentes específicos.