O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (14) que o país já dispõe de instrumentos de segurança da IA para regulamentar empresas e responsabilizá-las judicialmente. A declaração foi uma resposta às preocupações apresentadas, no fim de semana, por executivos do setor sobre os riscos do avanço acelerado da tecnologia.
Segurança da IA vira alvo de disputa em Washington

Em uma publicação no Truth Social, Trump disse que a segurança da IA depende principalmente de uma liderança forte e classificou como exageradas as advertências feitas por empresários e pesquisadores. Segundo ele, a desconfiança em relação ao desenvolvimento da tecnologia favoreceria a China.
“O único controle ou ‘medidas de proteção’ de que a IA precisa é um presidente FORTE E INTELIGENTE (com alto QI!), e os EUA têm isso de sobra!”, escreveu Trump no Truth Social.
“Já temos um poder CRIMINAL e REGULATÓRIO tremendo sobre essas empresas! Há uma conspiração DOENTIA em andamento contra a IA e os data centers, e a única que está feliz com isso é a China.”
O debate ganhou força depois que Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic, anunciou sua demissão na semana passada. Na ocasião, ele afirmou que “as pessoas que desenvolvem IA acreditam sinceramente que ela poderia matar a todos nós até o final da década”.
Além disso, as ações ligadas à inteligência artificial recuaram drasticamente em todo o mundo nesta segunda-feira (14). A queda ocorreu depois que representantes de algumas das maiores companhias do segmento defenderam uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento.
Executivos defendem regras para modelos avançados

Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, publicou no sábado (12) um artigo no qual pediu que o governo americano crie normas para exigir auditorias independentes dos sistemas mais avançados, conhecidos como modelos “de fronteira”. A proposta foi apresentada como uma forma de ampliar a segurança da IA antes que novas ferramentas sejam colocadas em circulação.
Amodei sugeriu uma estrutura dividida em três etapas. O objetivo seria reduzir a velocidade do desenvolvimento e abrir mais tempo para identificar e administrar os possíveis riscos. A ideia recebeu apoio imediato de outros nomes importantes do mercado, entre eles Elon Musk, da xAI, e Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI.
No entanto, o vice-presidente americano, JD Vance, demonstrou desconfiança em relação ao pedido de regulamentação feito pelos próprios executivos. Para ele, a movimentação das empresas é incomum, já que normalmente o setor tenta evitar novas exigências governamentais.
“Acho um pouco estranho o fato de tantas empresas de tecnologia de IA de ponta estarem, de certa forma, procurando o governo e implorando para que ele as regule”, disse Vance.
Trump cita medidas contra empresas de IA

O senador Mark Warner, democrata da Virgínia e uma liderança em legislação tecnológica, conversou durante o fim de semana com Amodei e Altman sobre os riscos relacionados à segurança da IA. A informação foi divulgada por seu porta-voz à Reuters.
Trump, por sua vez, declarou que mecanismos destinados a impedir problemas no setor já teriam sido aplicados contra Amodei. O presidente afirmou que seu governo agiu para evitar comportamentos considerados prejudiciais ou potencialmente prejudiciais.
“O governo Trump impediu que as ‘pessoas’ da IA fizessem ‘coisas’ ruins, ou potencialmente ruins, como Dario (Anthropic!), que agora está fingindo ser um ‘anjinho perfeito’ —e continuaremos a fazer isso”, disse Trump.
O republicano tem evitado reforçar os temores sobre a inteligência artificial e, durante seu segundo mandato, vem demonstrando amplo apoio às empresas do setor. Dessa forma, a discussão sobre segurança da IA permanece marcada por uma divisão entre autoridades que defendem maior controle e líderes empresariais que passaram a pedir regras mais claras.
Trump deve se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, na próxima semana, em Washington. Conforme informado anteriormente pela Reuters, os dois países planejavam uma reunião separada em meados de setembro, conduzida por autoridades governamentais de nível inferior, para tratar dos riscos da IA.