A Anthropic IA decidiu abrir ainda mais as portas de seus modelos mais potentes para profissionais de segurança digital devidamente credenciados. A novidade vem logo depois de um resultado e tanto: a iniciativa batizada de “Projeto Glasswing” ajudou a destravar mais de 100 mil vulnerabilidades de software só neste ano. Ou seja, o programa que começou como um teste virou uma peça importante na proteção de sistemas críticos ao redor do mundo.

Segundo a empresa, os parceiros do Glasswing — uma frente dedicada a blindar os softwares mais sensíveis do planeta — confirmaram pelo menos 129 mil falhas entre abril e julho. Além disso, a própria varredura de código aberto feita pela Anthropic encontrou outras 5.500 vulnerabilidades entre abril e outubro. Desse total, mais de 33.000 já foram classificadas como críticas ou de alta gravidade, o que dá uma dimensão do tamanho do problema que estava escondido em diversos sistemas.

Anthropic IA reconhece que números podem ser ainda maiores
Vale destacar que a própria Anthropic admite que esses números provavelmente estão subestimados. Isso porque os dados vêm de uma pesquisa com um grupo limitado de parceiros — por isso, a expectativa é que o impacto real seja, no mínimo, cinco vezes maior do que o registrado até agora.

Diante disso, a empresa anunciou nesta terça-feira a reformulação do seu Programa de Verificação Cibernética, conhecido como CVP. Na prática, essa mudança une duas frentes que a companhia já vinha testando nos últimos seis meses:
- O Glasswing, que dava a organizações responsáveis por softwares críticos acesso ao Claude Mythos, a linha de modelos mais avançada da Anthropic;
- O CVP original, que liberava para equipes de segurança aprovadas um acesso com menos restrições aos modelos Claude Opus e Sonnet.
Vale lembrar que o lançamento do Claude Mythos Preview, em abril, chegou a acender um alerta: havia receio de que a IA pudesse ser usada para invadir sistemas antes mesmo que eles fossem corrigidos. Por isso, a estrutura de verificação ganhou mais camadas de controle nesta nova versão.
Três níveis de acesso para equipes de segurança
O programa reformulado passa a contar com três categorias, cada uma com suas próprias exigências de verificação e controles de segurança. No entanto, todas elas dão acesso aos modelos Claude Opus 5.5, Sonnet 5.5, Mythos 5.1 e às versões futuras que a empresa lançar.
Confira como ficou a divisão:
- Defesa: voltado para resposta a incidentes e análise de malware. Podem participar equipes de segurança, operadores de infraestrutura crítica, mantenedores de projetos open source e pesquisadores com histórico comprovado de vulnerabilidades relatadas.
- Red Team: inclui testes de penetração autorizados e simulações de ataques, mas aqui a inscrição é restrita apenas a organizações, sem espaço para profissionais individuais.
- Specialized: o nível mais flexível em termos de restrições, reservado a um grupo bem pequeno de organizações autorizadas a testar sistemas considerados essenciais para a segurança pública, como redes de energia, sistemas de voo e infraestrutura usada em transferências bancárias.
Para o nível mais avançado, a Anthropic avalia cada candidato em parceria com o governo dos Estados Unidos. Assim, os membros que já faziam parte do Glasswing devem migrar automaticamente para essa categoria superior, aproveitando o histórico já construído dentro do programa anterior.
O que isso significa na prática
Em resumo, a expansão mostra que a Anthropic IA está apostando pesado na ideia de que seus próprios modelos podem ser aliados — e não ameaças — na detecção de brechas digitais. Apesar do receio inicial causado pelo lançamento do Mythos Preview, os números do Glasswing parecem reforçar o argumento da empresa: quando colocada nas mãos certas, a tecnologia ajuda a encontrar falhas antes que elas virem dor de cabeça para empresas, governos e infraestruturas críticas.
Com informações de infomoney.com.br.