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Busca por informação no ChatGPT: entenda por que 1 em cada 5 mensagens já tem esse foco

Por: Eduardo Carrega
27/10/2026
12:03h
Busca por informação no ChatGPT: entenda por que 1 em cada 5 mensagens já tem esse foco
Dados da OpenAI mostram que a busca por informação no ChatGPT quase superou a escrita em agosto. Entenda os números e o que eles revelam.
RESUMIR COM:

Um novo conjunto de dados divulgado pela OpenAI em 26 de outubro revela algo curioso sobre o comportamento de quem usa a ferramenta no dia a dia: a busca por informação no ChatGPT praticamente empatou com a escrita como principal motivo de uso em agosto. Segundo o relatório Signals V3.0, 20,7% das mensagens em planos de consumidor foram classificadas como busca por informação, contra 20,6% de mensagens voltadas à escrita. É a primeira vez, desde que a série começou a ser registrada em julho de 2024, que essa categoria aparece à frente da escrita em um determinado mês. Em setembro, porém, a escrita retomou a liderança, com 21,4% contra 20,2%.

Busca por informação no ChatGPT sobe enquanto escrita recua

Os números mostram uma mudança de comportamento ao longo do tempo. A escrita, que representava 34,1% das mensagens em julho de 2024, caiu para 21,4% em setembro de 2026. Já a busca por informação no ChatGPT seguiu o caminho inverso, saindo de 16,7% e chegando a 20,2% no mesmo período.

Enquanto isso, a orientação prática — que engloba tutoriais e explicações de “como fazer” — se mantém como o tema mais recorrente desde março de 2025, respondendo por 28,1% das mensagens em setembro. De acordo com o dicionário de dados do relatório, a categoria de busca por informação reúne pedidos de fatos, perguntas sobre produtos e serviços à venda e ajuda com receitas ou culinária.

Vale destacar também o recorte profissional: mensagens relacionadas ao trabalho somaram 32,2% do total em setembro. Dentro desse grupo, a fatia de busca por informação ficou entre 10,7% e 12,1% em praticamente todos os meses, de julho de 2024 a julho de 2026, até subir para 13,9% em agosto e 15,2% em setembro.

O que o relatório de atividades de trabalho acrescenta

Além dos dados gerais, a OpenAI publicou um texto explicando como as pessoas usam o ChatGPT no contexto profissional. Esse material organiza as mensagens de trabalho em 165 atividades baseadas no O*NET, uma estrutura padronizada que agrupa tarefas comuns entre diferentes profissões. Os números são apresentados por trimestre, cobrindo do primeiro trimestre de 2025 ao terceiro trimestre de 2026, em quase 100 países.

Entre os 74 países com dados disponíveis em todos os trimestres, as 10 atividades mais comuns representaram, em média, 51,1% das mensagens de trabalho classificadas em cada país no terceiro trimestre de 2026 — uma queda em relação aos 56,0% registrados no primeiro trimestre de 2025. Ou seja, o uso profissional da ferramenta está se espalhando por mais atividades, em vez de ficar concentrado em poucas tarefas.

Entre essas 165 atividades aparece “buscar informação”, que, nos Estados Unidos, representava 11,6% das mensagens de trabalho no primeiro trimestre de 2025 e caiu para 9,9% no terceiro trimestre de 2026. É importante notar que esse número vem de um sistema de classificação diferente e diz respeito apenas aos EUA, por isso não deve ser confundido com o percentual global de busca por informação no ChatGPT citado anteriormente.

Comparando com o estudo de 2025

Em setembro passado, um estudo conduzido pela OpenAI em parceria com pesquisadores de Harvard já havia chamado atenção para esse movimento, apontando que a busca por informação cresceu de 14% para 24% do uso do ChatGPT no período de um ano após julho de 2024. Segundo o dicionário de dados fornecido, o Signals usa exatamente os mesmos prompts de classificação utilizados nesse estudo, agrupando as mesmas três categorias — fatos, produtos e receitas — sob o guarda-chuva de “busca por informação”. Os gráficos do Signals, aliás, mostram números para o mesmo intervalo: 16,7% em julho de 2024 e 18,3% em junho de 2025, último mês coberto pela pesquisa acadêmica.

Curiosamente, a categoria de escrita apresenta menos divergência entre as duas fontes do que a de busca por informação. No estudo acadêmico, a escrita caiu 12 pontos percentuais (de 36% para 24%) no período analisado, enquanto no Signals a queda foi de 8,4 pontos (de 34,1% para 25,7%) na mesma janela de tempo.

Os pesquisadores selecionaram cerca de 1,1 milhão de conversas, usando um método de amostragem que considerava apenas uma mensagem por conversa, com cada percentual calculado em médias de períodos de 28 dias. Já o Signals seleciona 1 milhão de mensagens por mês, e essa nova versão ajustou os meses anteriores para manter a consistência com esse volume maior. Nem o blog de divulgação nem o dicionário de dados explicam o motivo da diferença entre os percentuais de busca por informação apontados pelas duas fontes.

Por que isso é relevante

Na prática, os próprios dados mensais da OpenAI sobre mensagens de consumidores mostram que cerca de 20% de todo o uso do ChatGPT serve simplesmente para “procurar algo” — um volume próximo ao da escrita. Esse percentual inclui perguntas sobre produtos, mas como a OpenAI juntou as três categorias (fatos, receitas e produtos) em um único grupo, não dá para saber exatamente qual fatia pertence a cada tipo de busca.

O Signals detalha bem os temas das conversas, mas não informa com que frequência o ChatGPT consultou fontes externas, como sites, nem quantas vezes citou essas fontes em suas respostas. Por isso, ao citar qualquer percentual relacionado ao uso do ChatGPT, é fundamental indicar a fonte e o período exato — afinal, existe uma diferença de quase seis pontos percentuais entre o estudo de 2025 e o Signals quando o assunto é busca por informação em meados de 2025.

O que esperar daqui para frente

Até agora, cada atualização do changelog do Signals acrescenta um novo trimestre de dados e revisa os meses anteriores. Isso significa que um número da versão 3.0 pode não bater com o mesmo mês em uma versão futura — por isso, sempre que for citar algum dado do Signals em uma reportagem ou análise, vale a pena anotar também o número da versão utilizada.

Com informações de searchenginejournal.com.

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