Ross Hudgens, CEO da Siege Media, publicou recentemente no LinkedIn uma opinião que dividiu especialistas em SEO: segundo ele, a participação de mercado do Perplexity está encolhendo tanto que incluí-lo nas mesmas análises de visibilidade ao lado do ChatGPT, Gemini, Claude e dos produtos de busca com IA do Google pode distorcer a leitura real de onde a atenção do público realmente está. Na publicação, Hudgens afirmou:
“Todo mundo deveria remover o Perplexity de seus rastreadores de LLM hoje mesmo.”
A provocação levanta uma pergunta relevante, mas a resposta não é tão simples quanto parece. O mercado de busca por inteligência artificial está, de fato, se concentrando em poucas plataformas dominantes — porém ainda não chegou a um ponto em que profissionais de SEO possam se dar ao luxo de olhar apenas para os “quatro grandes modelos” e ignorar o restante. Os dados mais recentes sugerem, na verdade, que o setor caminha para um mercado dividido em três camadas, e não para um ranking definitivo e estável.
Uma história que já se repetiu antes
O debate atual remete a um episódio de mais de duas décadas atrás. Em março de 2002, durante a conferência Search Engine Strategies em Boston, ainda sob os efeitos da crise das pontocom, uma agência de SEO da região de Boston acompanhava o desempenho de seus clientes em 15 motores de busca diferentes. Na ocasião, alguém sugeriu simplificar os relatórios e concentrar a análise apenas nos cinco grandes buscadores da época: Yahoo, Excite, Lycos, AltaVista e Ask Jeeves.

O problema é que o Google sequer aparecia nessa lista — e, como se sabe, ele viria a dominar o mercado de buscas nos anos seguintes, mesmo sem ainda ser considerado, naquele momento, um dos nomes óbvios do setor. Esse tipo de experiência reforça a cautela em declarar qualquer mercado emergente de busca como “definido”. A questão não é apenas quais plataformas são maiores hoje, mas quais têm porte, ritmo de crescimento ou relevância estratégica suficientes para que ignorá-las signifique perder a próxima virada do jogo.
O Perplexity realmente perde espaço
Os números dão razão a parte do argumento de Hudgens. Dados do StatCounter sobre referências globais de chatbots de IA mostram uma mudança expressiva ao longo de 2026: em junho, o Perplexity respondia por 7,91% das referências, praticamente empatado com o Gemini, que tinha 7,94%. Em agosto, porém, o Perplexity havia caído para 4,31%, enquanto o Gemini subiu para 10,9%.
Há, no entanto, uma diferença importante entre participação em referências e volume de uso. Uma comparação da Similarweb, com dados de maio de 2026, mostra outro retrato do tamanho de cada plataforma entre sete grandes assistentes de IA:

- ChatGPT: 53,9% das visitas mundiais
- Gemini: 27,9%
- Claude: 9,2%
- DeepSeek: 4,1%
- Grok: 2,4%
- Perplexity: 1,3%
- Copilot: 1,3%
Esses números explicam a preocupação de Hudgens sobre o peso atribuído a cada ferramenta: se uma plataforma de análise de SEO trata o Perplexity com a mesma relevância do ChatGPT, mesmo representando uma fatia mínima do tráfego, um resultado isolado — bom ou ruim — pode distorcer a média geral. Ainda assim, participação pequena de mercado não significa necessariamente pouca importância estratégica.
Consolidação sim, mas sem um vencedor único
A principal mudança observada em 2026 não é o desaparecimento do Perplexity, e sim a consolidação de um segundo grande player. Segundo a Similarweb, a fatia do ChatGPT no tráfego web de chatbots de IA caiu de 76,4% um ano antes para cerca de 52,7% em maio de 2026. No mesmo período, o Gemini saltou de aproximadamente 9% para 27,3%, e o Claude cresceu de 1,6% para 8,9%.
Trata-se de uma redistribuição significativa de atenção — mas isso não indica que o ChatGPT esteja perdendo relevância. A própria OpenAI informou ter ultrapassado 900 milhões de usuários ativos semanais em fevereiro, e afirmou, no fim de julho, que seus modelos já somam mais de 1 bilhão de usuários ativos em todos os produtos da empresa.

O Google, por sua vez, anunciou em agosto que o aplicativo Gemini havia superado a marca de 1 bilhão de usuários mensais. Já o Claude consolidou uma posição forte em ambientes corporativos e de desenvolvimento: a Anthropic informou em abril que mais de 100 mil clientes utilizavam o Claude via Amazon Bedrock, e em agosto declarou a investidores que sua receita anualizada havia ultrapassado US$ 65 bilhões, com adoção corporativa em expansão contínua.
Esses três players não competem exatamente pelo mesmo público. Cada um construiu uma vantagem de distribuição distinta:
- ChatGPT tem enorme adoção direta entre consumidores;
- Gemini se apoia na distribuição do Google via Busca, Android e todo o ecossistema de produtos da empresa;
- Claude conquistou espaço relevante em ambientes corporativos e profissionais.
O cenário lembra menos um mercado do tipo “vencedor leva tudo” e mais um oligopólio em formação.
E o papel do Google nessa equação
Um ponto que torna o monitoramento de LLMs ainda mais complexo é a própria posição do Google. Cabe perguntar se os AI Overviews e o AI Mode do Google deveriam ser tratados como mais um modelo de linguagem dentro dessas análises — uma questão que, segundo o debate em curso, ainda não tem resposta consensual entre profissionais de SEO.
Com informações de searchenginejournal.com.