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Oracle vê receita de data centers explodir com aposta pesada em infraestrutura de IA

Por: Eduardo Carrega
10/09/2026
22:25h
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Oracle vê receita de data centers explodir com aposta pesada em infraestrutura de IA

As ações da Oracle deram um salto nesta quinta-feira (10) depois que a gigante de tecnologia revelou um crescimento robusto na receita do seu negócio de centros de dados. O motivo é simples: a empresa começou a entregar a capacidade computacional necessária para cumprir contratos bilionários firmados com laboratórios de inteligência artificial.

Fundada por Larry Ellison, a companhia faturou US$ 7,4 bilhões (R$ 37,7 bilhões) só com a unidade de infraestrutura no último trimestre. Além disso, projetou que o crescimento anual de todo o negócio de nuvem deve acelerar para algo entre 64% e 70% — números que ficaram acima do que os analistas de mercado esperavam.

Aposta em virar fornecedora de infraestrutura para IA

Aposta em virar fornecedora de infraestrutura para IA

Essa previsão animadora reforça que a Oracle está avançando em uma jogada arriscada e cara: abandonar seu perfil tradicional de empresa de software corporativo para se transformar em uma provedora de infraestrutura voltada a laboratórios de inteligência artificial, como a OpenAI. Vale lembrar que as duas empresas têm um contrato astronômico de US$ 300 bilhões (R$ 1,5 trilhão).

Com a notícia, os papéis da Oracle chegaram a subir cerca de 6% no after-market, logo após o fechamento regular da bolsa.

Capacidade em operação e obras avançando

Capacidade em operação e obras avançando

Clay Magouyrk, copresidente-executivo da empresa, contou que a Oracle colocou em funcionamento 850 megawatts de capacidade em centros de dados apenas no trimestre. No campus de Abilene, no Texas — que vai atender diretamente à OpenAI e tem capacidade total prevista de 800 megawatts —, seis dos oito edifícios planejados já foram entregues.

“Estamos explorando todas as diferentes vias para colocar capacidade em operação. Continuamos muito entusiasmados e bastante confiantes em nossa capacidade de seguir cumprindo as obrigações contratuais”, disse Magouyrk a investidores.

No balanço geral, a receita total da Oracle cresceu 30% na comparação anual, somando US$ 19,3 bilhões (R$ 99,5 bilhões) nos três meses encerrados em agosto. Segundo a empresa, o resultado reflete a “demanda ampla e contínua por infraestrutura e aplicações em nuvem”.

Carteira de contratos ultrapassa US$ 660 bilhões

Carteira de contratos ultrapassa US$ 660 bilhões

Só neste trimestre, a Oracle fechou novos contratos de fornecimento de capacidade em centros de dados no valor de US$ 30 bilhões (R$ 153,1 bilhões). Com isso, a carteira total de contratos da companhia chegou à marca de US$ 664 bilhões (R$ 3,3 trilhões).

“A melhora da receita no trimestre e o aumento dos contratos assinados parecem ser evidência suficiente de que a empresa está executando bem a expansão”, avaliou Dec Mullarkey, diretor-gerente da SLC Management.

Para acompanhar concorrentes muito maiores no mercado de nuvem, como Amazon e Google, a Oracle tem esticado ao máximo sua capacidade financeira na corrida por infraestrutura de IA capaz de atender grandes clientes corporativos.

Gastos bilionários e caixa no vermelho

As despesas de capital saltaram para US$ 28,5 bilhões (R$ 145,4 bilhões), um salto e tanto frente aos US$ 8,5 bilhões (R$ 43,4 bilhões) do mesmo período do ano passado. Desse total, US$ 11,4 bilhões (R$ 58,2 bilhões) vieram de pagamentos antecipados de clientes por chips usados nos centros de dados — ainda assim, o valor superou a receita total da Oracle no mesmo trimestre do ano anterior. O lucro líquido da empresa ficou em US$ 4,7 bilhões (R$ 24 bilhões).

A companhia já havia sinalizado que pretende investir US$ 70 bilhões (R$ 357,2 bilhões) no próximo ano fiscal para bancar a construção de novos centros de dados, valor bem acima dos US$ 55,7 bilhões (R$ 284,2 bilhões) gastos no ano encerrado em maio. Nesta quinta, a Oracle informou que seu fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5 bilhões (R$ 25,5 bilhões) no trimestre.

Para sustentar esse ritmo de investimentos, a empresa concluiu uma venda de ações de US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões), parte de um pacote maior de US$ 50 bilhões (R$ 255,2 bilhões) que inclui também uma grande emissão de títulos de dívida.

Riscos no radar dos investidores

Nem tudo são flores no caminho da Oracle. Em julho, a agência de classificação de risco S&P rebaixou a nota de crédito da empresa para apenas um nível acima do grau especulativo, apontando como justificativa a dependência de poucos clientes e a incerteza sobre quando o negócio de centros de dados para IA vai efetivamente dar lucro.

As ações da companhia, aliás, já caíram quase pela metade desde o pico histórico registrado logo depois do anúncio do acordo com a OpenAI, em setembro de 2025.

“Temos muitos clientes que nos dizem que a Oracle está arriscada demais para eles”, afirmou Gabriela Borges, analista do Goldman Sachs.

A empresa também enfrentou obstáculos em diversos projetos de grande porte, com atrasos na liberação de licenças e resistência de comunidades locais, além de exigências regulatórias mais rígidas para suas instalações — reflexo direto da piora na sua qualidade de crédito.

Magouyrk reconheceu que as obras avançam bem na maioria dos locais, mas esbarram em limitações de fornecimento de energia e em processos de licenciamento mais lentos. Segundo ele, a Oracle mantém “opções de contingência” para lidar com esses gargalos. Para tentar tranquilizar o mercado, a empresa também tem buscado financiamento junto aos próprios clientes para bancar a compra de chips, além de ter promovido demissões que já somam dezenas de milhares de postos de trabalho eliminados.

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