Estamos cientes de um problema que pode afetar o serviço.

Comércio agêntico no Brasil: confiança cresce, mas consumidor ainda pisa no freio da IA

Por: Eduardo Carrega
09/10/2026
05:00h
Comércio agêntico no Brasil: confiança cresce, mas consumidor ainda pisa no freio da IA
Comércio agêntico cresce 33 pontos no Brasil em 1 ano, mas pesquisa mostra que consumidor ainda quer controle sobre pagamentos feitos por IA.
RESUMIR COM:

O brasileiro está cada vez mais disposto a dividir o carrinho de compras com a inteligência artificial. Em apenas um ano, a parcela de consumidores que já testou ou afirma estar aberta a usar um agente de IA para pesquisar, escolher e até fechar a compra de produtos deu um salto de 39% para 72% — um avanço de 33 pontos percentuais. Os números são da segunda edição do Agentic Commerce Report 2026, levantamento conduzido pela empresa de pagamentos Global Payments em parceria com a consultoria The Lantern.

O brasileiro está cada vez mais disposto a dividir o carrinho de…

Com esse resultado, o Brasil ficou em segundo lugar entre os sete países analisados, atrás apenas da China, onde o índice chega a 86%. A pesquisa ouviu 8.027 consumidores no Brasil, China, Estados Unidos, Reino Unido, França, Cingapura e Austrália, em maio deste ano.

O avanço do comércio agêntico por aqui

No recorte nacional, 24% dos entrevistados disseram já ter vivido experiências de compra com agentes de IA, enquanto outros 48% afirmaram topar usá-las agora ou nos próximos 12 meses. Ou seja, o índice de 72% junta experiência real com intenção de uso — não representa, portanto, a fatia de brasileiros que já entrega de ponta a ponta suas compras para a tecnologia.

Ainda assim, o ritmo chama atenção: o salto de 33 pontos percentuais registrado no Brasil foi o maior entre todos os mercados pesquisados, superando até a China (22 pontos) e a França (21 pontos).

Mas existe uma diferença e tanto entre confiar na IA para achar o melhor produto e deixar que ela decida sozinha o que comprar e feche o pagamento. É justamente nessa fronteira que mora o principal desafio do comércio agêntico — modelo em que sistemas de inteligência artificial passam a cuidar de etapas da jornada de compra em nome do consumidor, com diferentes graus de autonomia.

Para Juan Pablo D’Antiochia, gerente-geral de Enterprise da Global Payments para a América Latina, esse cenário mostra que o debate sobre o tema está deixando de ser puramente técnico. Agora, a pergunta central é outra: quais decisões o consumidor realmente quer delegar?

“Estamos entrando em uma fase em que a conversa deixa de ser sobre o que a IA é capaz de fazer e passa a ser sobre o que os consumidores estão dispostos a delegar. As pessoas buscam conveniência, mas também querem manter o controle, especialmente na hora de pagar”, afirma D’Antiochia.

Brasileiro confia mais, mas não larga as rédeas

A disposição crescente para experimentar o comércio agêntico vem acompanhada de uma melhora na confiança. Numa escala de um a cinco, a nota média dada pelos brasileiros aos agentes pessoais de IA subiu de 3,18, em 2025, para 3,80 neste ano. De novo, o país só perde para a China, que marcou 3,97.

Segundo D’Antiochia, o que mais impulsiona essa mudança não é necessariamente a busca por preços menores, mas sim a vontade de ganhar tempo. O executivo relaciona esse interesse à rotina dos brasileiros nas grandes cidades, onde deslocamentos longos e dias corridos tornam atraente qualquer ferramenta capaz de assumir tarefas repetitivas — como comprar ração para o pet toda vez que acaba, por exemplo, em vez de pesquisar preço e prazo de entrega manualmente a cada pedido.

Apesar disso, essa automação não precisa vir toda de uma vez. D’Antiochia separa dois cenários bem distintos: a IA que pesquisa, compara condições e entrega um link para o próprio consumidor finalizar a compra, e a IA que recebe autorização para tocar a operação inteira, incluindo o pagamento.

“A primeira já está mais próxima da rotina dos usuários. A segunda exige um grau adicional de confiança e uma infraestrutura capaz de identificar corretamente a autorização, processar a transação e resolver eventuais problemas”, disse D’Antiochia.

E a resistência nesse segundo ponto ainda é grande. Entre os brasileiros ouvidos, as principais preocupações são:

  • 50% apontam a segurança dos dados de pagamento;
  • 45% mencionam a privacidade e o uso de informações pessoais;
  • 41% temem que a IA tome uma decisão errada;
  • 36% se preocupam com quem assume a responsabilidade caso algo dê errado.

Além disso, 41% dos brasileiros querem uma etapa de confirmação antes de qualquer compra feita por um agente de IA. Na prática, isso mostra que aceitar a tecnologia não significa entregar um cheque em branco para ela.

O ponto mais delicado: segurança financeira

A segurança nos pagamentos aparece como um dos maiores limites ao avanço do comércio agêntico por um motivo simples: uma recomendação errada pode ser corrigida antes da compra, mas uma transação já concluída de forma indevida pode virar dor de cabeça — com contestação, estorno e disputa sobre responsabilidade entre comerciante e instituição financeira.

D’Antiochia reconhece que o setor ainda precisa criar regras claras para essa nova realidade, já que ainda não está bem definido como o consumidor poderá contestar uma compra feita por um agente nem quem responde por uma operação executada fora do combinado.

Até identificar essas transações é um desafio à parte. Isso porque os sistemas antifraude foram criados, em grande parte, para flagrar comportamentos automatizados suspeitos — e agora o mercado precisa aprender a diferenciar um agente autorizado pelo próprio consumidor de um robô usado para aplicar golpes.

D’Antiochia conta que, em uma experiência pessoal, tentou usar um agente de IA para pesquisar passagens aéreas, mas a ferramenta não conseguiu trazer cotações exatas porque esbarrou em barreiras de acesso nos sites consultados. O episódio resume bem o momento atual: a mesma tecnologia que facilita a vida do consumidor ainda encontra obstáculos dentro da própria infraestrutura digital.

“Para as empresas de pagamentos, isso exige novas formas de autenticação, autorização e prevenção a fraudes. Para os consumidores, a confiança dependerá não apenas da promessa de segurança, mas da possibilidade de estabelecer limites claros para o que a IA pode fazer”, disse D’Antiochia.

O dilema das marcas

Se a segurança é o obstáculo do lado do consumidor, o avanço do comércio agêntico traz outro problema para as empresas: como manter o valor de uma marca quando quem escolhe o produto é um algoritmo?

Atualmente, boa parte do comércio eletrônico se sustenta em estratégias para atrair o consumidor até o site ou aplicativo, criar identificação com a marca e, assim, estimular a compra. Com os agentes de IA, parte dessa jornada pode simplesmente acontecer fora desses canais tradicionais.

D’Antiochia alerta que, diante de produtos parecidos, a inteligência artificial tende a priorizar critérios objetivos — preço, prazo de entrega, condições de pagamento — o que pode esvaziar o peso do relacionamento construído entre marca e consumidor. O risco é maior para empresas que vendem itens facilmente substituíveis.

“Se dois varejistas oferecem o mesmo item, com condições semelhantes, o agente pode simplesmente escolher a opção mais barata.”

Para o executivo, essa dinâmica ameaça a diferenciação das empresas e pode pressionar margens de lucro, já que o varejista corre o risco de perder influência na decisão de compra e ficar restrito ao papel de armazenar e entregar mercadorias. Apesar de todo esse cenário em transformação, isso não quer dizer que toda experiência de consumo vá ser automatizada — o equilíbrio entre conveniência e controle ainda está sendo construído, e é esse equilíbrio que vai definir o ritmo real do comércio agêntico daqui para frente.

Com informações de infomoney.com.br.

Compartilhe

Leia também

Tráfego estagnado: o que testar primeiro quando não há orçamento, segundo Jonathan Berthold

Tráfego estagnado: o que testar primeiro quando não há orçamento, segundo Jonathan Berthold

Tráfego estagnado e sem orçamento? Jonathan Berthold, da Ziff Davis, explica por onde começar os testes de SEO e mídia ...
Shopify IA agentes: base de conhecimento migra para o admin — veja o que muda

Shopify IA agentes: base de conhecimento migra para o admin — veja o que muda

Shopify move a base de conhecimento para o admin e dá prazo até 2027 para lojistas migrarem dados usados por ...
Orçamento de marketing: como decidir onde investir os próximos R$ 100 mil extras

Orçamento de marketing: como decidir onde investir os próximos R$ 100 mil extras

Entenda o método prático para decidir orçamento de marketing extra: como mapear o funil, comparar opções e investir com base ...

Estamos 100% Seguros!

A Plustag só utiliza em seus servidores versões mais atuais de PHP, que não foram impactadas pelo incidente de segurança amplamente divulgado desde o dia 20/10/2026. (leia o artigo aqui)

Nenhuma medida precisa ser tomada por parte de nossos clientes, estamos cientes e sempre atentos.

Gratos.

Orçamento

Pergunte a IA sobre a Plustag IA: