Por Elizabeth Howcroft
PARIS, 22 Set (Reuters) – O avanço das compras com IA começa a chamar a atenção dos bancos. Instituições como NatWest e Bank of America afirmaram nesta terça-feira que agentes de inteligência artificial usados em compras online podem ampliar os riscos de golpes, fraudes e violações de privacidade.
A tecnologia é apresentada por empresas como OpenAI, Anthropic, Google (GOGL34) e Meta (M1TA34) como uma nova forma de consumir. A proposta é que agentes de IA escolham produtos, comparem opções e concluam compras em nome dos usuários. Ao mesmo tempo, varejistas tentam influenciar as recomendações feitas por esses sistemas.
Compras com IA avançam entre consumidores

Um sinal desse movimento veio da varejista britânica John Lewis. Em setembro, a empresa informou que a participação de buscas geradas por agentes de IA passou de 0,3% no ano anterior para 2,5%. Além disso, a companhia afirmou que essa tendência está ganhando velocidade.
O grupo responsável pelo alerta também reúne ING, ASB Bank, da Nova Zelândia; Capital One e Commonwealth Bank of Australia. Em um relatório, os bancos disseram que os clientes demonstram entusiasmo com o potencial do comércio por agentes e estão ansiosos para adotar as compras com IA.
No entanto, as instituições avaliam que o desenvolvimento da tecnologia está ocorrendo mais rapidamente do que a criação de padrões de segurança voltados ao setor e aos consumidores. Por isso, defendem que a expansão das compras com IA seja acompanhada por regras mais claras.
“Os consumidores não têm certeza se a IA agirá em seu interesse”, afirma o relatório. “Eles temem que os agentes de IA possam comprar o produto errado ou gastar demais, ou, pior ainda, perder seu dinheiro em golpes e fraudes. Não têm certeza se estarão protegidos nem a quem recorrerão caso algo dê errado.”
Quais são os riscos das compras com IA

Entre os principais problemas apontados está a possibilidade de um agente solicitar os dados do cartão do cliente e inseri-los diretamente em sites. Dessa forma, informações sensíveis poderiam circular durante uma transação sem que o consumidor compreenda totalmente como foram utilizadas.
Outro risco envolve o direcionamento para métodos de pagamento com proteções mais fracas. Assim, uma compra feita por meio de um agente de IA poderia deixar o usuário mais exposto em caso de fraude, cobrança indevida ou aquisição de um produto diferente do desejado.
Além disso, permanece a dúvida sobre quem será responsabilizado quando uma decisão automatizada causar prejuízo. O consumidor pode não saber se deve procurar o banco, a plataforma de IA, o varejista ou o serviço de pagamento envolvido na operação.
Bancos querem mais transparência e segurança
Os bancos planejam levar uma série de propostas aos formuladores de políticas. Entre as medidas sugeridas estão:
- exigir que o consumidor seja informado quando um agente de IA participar de uma transação;
- ampliar a transparência sobre a maneira como esses agentes tomam decisões;
- criar mecanismos de segurança para proteger os dados dos clientes.
O relatório também defende que consumidores e comerciantes possam escolher livremente quais serviços de comércio eletrônico baseados em IA desejam utilizar. Ao mesmo tempo, os diferentes sistemas deveriam ser interoperáveis, permitindo uma comunicação mais ampla entre plataformas.
Com isso, o futuro das compras com IA dependerá não apenas da conveniência oferecida pelos agentes, mas também da confiança dos usuários. Em resumo, os bancos não rejeitam a tecnologia, porém alertam que sua adoção precisa avançar junto com regras de proteção, transparência e segurança.