A DeepSeek liberou acesso público à sua própria busca por meio de uma API de Search e Fetch, prometendo algo que chamou atenção de quem trabalha com SEO: uma pontuação de autoridade para cada resultado, além da promessa de filtrar spam, manipulação de GEO e conteúdo raso gerado por IA. Para testar na prática o funcionamento do DeepSeek Search API, Suganthan Mohanadasan, colunista do Search Engine Journal, decidiu colocar a mão na massa e investigar como o sistema realmente se comporta.

O anúncio foi feito em 17 de outubro de 2026, junto com uma atualização do modelo Flash da empresa. Segundo a DeepSeek, esse motor de busca já roda por trás do site da empresa e de sua API, indexando centenas de bilhões de páginas e processando centenas de milhões de buscas por dia.
Com a API aberta, ficou possível consultar o sistema diretamente, olhar as fontes retornadas e enxergar parte das notas atribuídas a elas — ou seja, dá para investigar o material antes mesmo de um modelo de IA transformar essas fontes em resposta. Movido pela curiosidade, Mohanadasan quis saber o que o sistema achava do próprio site dele e se a tal filtragem de spam realmente funcionava. O teste custou 0,08 dólar.
O resultado? O site dele recebeu nota de autoridade 1. Enquanto isso, PDFs de spam hospedados em domínios governamentais e universitários pontuaram 4. Para completar, a API de Fetch se apresentou como um navegador Firefox localizado em Hong Kong e trouxe conteúdo de URLs que deveriam estar bloqueadas pelo robots.txt.
O que foi testado no DeepSeek Search API
Ao todo, foram 110 chamadas feitas em 17 de outubro de 2026 a partir de Dubai: 93 de Search e 17 de Fetch. Dessas, cerca de 103 foram cobradas de acordo com a regra de faturamento da documentação, somando aproximadamente 0,08 dólar.
Os testes cobriram a distribuição das pontuações, a autoridade atribuída a diferentes domínios, seis buscas relacionadas a ferramentas e pesquisas próprias do autor, além de localização, filtros de data e o comportamento da função Fetch. A documentação oficial de Search e Fetch serviu como referência, e sempre que as respostas reais destoaram do que está documentado, isso foi destacado.
Duas notas por resultado: autoridade e rerank
Cada resultado de busca vem acompanhado de dois campos importantes:
- authority: uma camada de autoridade de 0 a 4, sendo -1 “desconhecido”. Valores 3 ou acima indicam, segundo a própria DeepSeek, fontes altamente confiáveis.
- rerank_score: uma pontuação de 0 a 3 que combina sinais como relevância, autoridade e atualidade. Notas de 1,5 ou mais são consideradas de alta qualidade.

Essas definições vêm direto da documentação da Search API, que descreve a autoridade como uma característica da própria página. Em 20 buscas ligadas a SEO e GEO, com count=50, foram coletados 1.000 resultados. As notas de rerank variaram de 0,75 a 2,70, com mediana de 1,63 — e 68% dos resultados ficaram em 1,5 ou mais.
Chama atenção que, entre esses 1.000 resultados, apenas 196 valores distintos de pontuação apareceram. Isso sugere uma espécie de “agrupamento” nos números, embora isso, por si só, não confirme se as pontuações são arredondadas ou calculadas em faixas fixas.

Autoridade parece ligada ao domínio, não à página
Em um total de 4.322 resultados analisados, as camadas -1 e 0 simplesmente não apareceram. A distribuição ficou assim:
- Autoridade 1: 2% dos resultados, mediana de rerank 0,95
- Autoridade 2: 32% dos resultados, mediana de rerank 1,45
- Autoridade 3: 60% dos resultados, mediana de rerank 1,83
- Autoridade 4: 6% dos resultados, mediana de rerank 1,98
Quanto maior a camada de autoridade, maior tendeu a ser a mediana de rerank — o que não isola o peso exato desse fator frente aos demais sinais de ranqueamento, mas já indica que vale a pena ficar de olho nele.
Depois, foram feitas 16 buscas do tipo “site:” em 16 domínios diferentes. Em todos eles, cada URL retornada carregava exatamente a mesma pontuação de autoridade. Alguns exemplos:
- suganthan.com e growth-memo.com: autoridade 1
- ipullrank.com, brodieclark.com, medium.com e reddit.com: autoridade 2
- ahrefs.com, moz.com, searchengineland.com, aleydasolis.com e linkedin.com: autoridade 3
- zenodo.org: autoridade 4

Ou seja, mesmo a documentação chamando isso de “camada de autoridade da página”, na prática o comportamento observado foi de uma nota por domínio. Isso sugere que a unidade relevante é o host específico, e não o domínio registrável inteiro.
Uma busca por site:suganthan.com preencheu o limite máximo de 50 resultados, trazendo a homepage, a página de recursos, notas e posts de blog — todos com autoridade 1. Ou seja, estar indexado claramente não era garantia de nada além disso.
Quando as próprias ferramentas perdem espaço para lojas de apps
Seis buscas específicas, relacionadas a ferramentas e artigos do próprio autor, foram feitas a partir dos Emirados Árabes com count=50. Os resultados mostraram páginas sobre temas como identificar quem o Gemini cita, extensão para consultas de fan-out do ChatGPT, acompanhamento de tráfego do Google AI Mode no Search Console, verificador de acesso de crawlers de IA, MCP do Google Search Console e pagamento por crawl para agentes de IA (x402).
Em praticamente todas essas buscas, quem dominou o topo foram registries de pacotes, lojas de aplicativos e marketplaces — nomes como Apify, Chrome Web Store, PyPI, npm, WordPress.org e GitHub apareceram com frequência, enquanto o artigo do autor sobre citações do Gemini ficou na posição 48, com rerank de 1,14, e a extensão FanoutFox ficou na posição 32, com rerank de 1,37 — e sumiu do top 50 ao aplicar localização para Reino Unido ou Estados Unidos.
Ambos os conteúdos carregavam autoridade 1, e suas notas de rerank ficaram abaixo do limite de 1,5 que a própria DeepSeek considera “alta qualidade”. Ou seja, ter conteúdo direto sobre o assunto pesquisado não foi suficiente para superar domínios com autoridade mais alta — embora os testes não permitam cravar o peso exato dessa variável.
A filtragem de spam ainda deixa passar coisa estranha
A DeepSeek afirma, em suas próprias palavras, que o motor filtra spam de SEO, manipulação de GEO e conteúdo raso feito por IA. Só que, na prática, alguns achados colocam essa promessa em xeque:
No domínio oig.dc.gov, apareceram formulários em PDF com o título “Free Robux Generator in 2025”, hospedados no site de uma inspetoria-geral do governo dos Estados Unidos — com autoridade 4 e rerank de 1,42.
Em business.columbia.edu, surgiram uploads de formulário com o título “BEST CBD GUMMIES EXPOSED: The ‘Forbidden’ Gummy…” — também com autoridade 4, rerank de 1,50.
Já em damiangreen.co.uk, domínio de um ex-parlamentar britânico, havia conteúdo de “Minimum Deposit Casinos UK” — autoridade 3, na segunda posição para a busca “best casino sites uk”.

Além disso, “frameworks” autopublicados no zenodo.org receberam autoridade 4 e ficaram em primeiro e terceiro lugares para o termo “generative engine optimization” — vale lembrar que autopublicação, isoladamente, não torna uma página spam, mas é mais um indício de como a autoridade está sendo calculada.
Os exemplos de domínios governamentais e universitários são difíceis de conciliar com a promessa de filtragem: mesmo assim, esses uploads receberam a maior camada de autoridade possível. Isso reforça por que o uso aparente de uma nota por domínio é um problema — um sistema que estende a autoridade do host inteiro para todas as suas páginas pode acabar tratando conteúdo parasita com o mesmo prestígio de material legítimo hospedado ali.
Os testes não revelam quanto spam a DeepSeek efetivamente bloqueia. Mostram, sim, que esses exemplos específicos passaram pelo filtro, e que uma camada alta de autoridade não foi um indicador confiável da qualidade individual da página.
No fim das contas, o DeepSeek Search API entrega uma ferramenta interessante e barata para quem quer espiar como uma IA enxerga a web, mas os resultados preliminares sugerem cautela: a nota de autoridade parece pesar mais pelo domínio do que pelo conteúdo em si, e a filtragem de spam prometida ainda tem brechas visíveis. Para profissionais de SEO e GEO, fica o alerta de acompanhar de perto essa ferramenta à medida que ela evolui, sem tomar os resultados atuais como garantia de qualidade.
Com informações de searchenginejournal.com.