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Faixa de 6 GHz: Anatel vira palco de disputa entre operadoras e provedores de internet

Por: Eduardo Carrega
13/10/2026
06:00h
Faixa de 6 GHz: Anatel vira palco de disputa entre operadoras e provedores de internet
Entenda como a faixa de 6 GHz da Anatel opõe provedores de internet e operadoras de telefonia em disputa por espectro e qualidade de conexão.
RESUMIR COM:

Brasília é o centro de uma discussão que promete esquentar o setor de telecomunicações nos próximos meses. As consultas públicas abertas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) sobre o uso da faixa de 6 GHz colocaram frente a frente os pequenos provedores regionais de internet e as gigantes da telefonia móvel, cada um defendendo um pedaço maior do espectro para si.

Brasília é o centro de uma discussão que promete esquentar o setor…

Neste mês, a agência encerra uma consulta pública sobre o edital de licitação da faixa alta de 6 GHz destinada às redes móveis, leilão que está previsto para 2028. Além disso, há outras duas consultas em andamento sobre os sistemas de coordenação de frequência (conhecidos pela sigla AFC), tecnologia usada nas redes wi-fi.

De um lado, provedores; do outro, operadoras

Os provedores regionais de internet enxergam nas consultas uma chance de ampliar o espaço reservado ao sinal emitido pelos roteadores dentro de casas, comércios e escritórios. Já as operadoras de telefonia caminham na direção oposta: pedem que a Anatel preserve uma fatia maior da faixa de 6 GHz para as redes móveis, como o 5G atual e, no futuro, o 6G.

Os provedores regionais de internet enxergam nas consultas uma chance de ampliar…

No fundo, o motivo da briga é o mesmo para os dois lados: quanto mais espectro disponível, melhor tende a ser a velocidade e a qualidade do serviço entregue ao consumidor final.

Em agosto deste ano, a Anatel bateu o martelo e decidiu destinar a chamada faixa superior dos 6 GHz para a rede móvel — ou seja, quase 60% do espectro ficou nas mãos das operadoras de telefonia, enquanto o restante foi reservado aos roteadores conectados à internet a cabo, como os de fibra óptica.

Provedores querem reabrir a discussão

A decisão de agosto não caiu bem entre os pequenos e médios provedores, que continuam pressionando por uma fatia maior da faixa de 6 GHz para os roteadores Wi-Fi. Segundo o presidente da Abrint (associação dos provedores de internet), Breno Vale, o segmento pretende usar justamente a atual consulta pública sobre o edital do leilão para questionar o mérito daquela decisão.

Além de contestar a divisão já definida, a Abrint também promete defender uma proposta alternativa: o compartilhamento da faixa entre a rede móvel e a internet fixa.

“Temos associados entregando internet com 10 gigabits por segundo na casa dos assinantes. Se ele não tiver capacidade ali dentro de casa, [usando a faixa mais alta] para entregar mais velocidade, a gente vai morrer na praia”, argumenta Breno Vale.

Entenda a faixa de 6 GHz

  • O que é? Um espectro de radiofrequência que vai dos 5.925 MHz aos 7.125 MHz.
  • Para que serve? Pode ser usado tanto pela rede móvel de telefonia quanto pelas conexões residenciais via roteador.
  • Qual a relação com o 6G? A faixa deve ser aproveitada pelas antenas de telefonia quando a próxima geração de conexão móvel, o 6G, for implementada, trazendo velocidades e latências bem menores do que as do 5G atual.
  • Como é feita a divisão? Em agosto, a Anatel reverteu uma decisão anterior e determinou que os roteadores ficariam com a parte baixa da faixa (5925 MHz a 6425 MHz), decisão que frustrou os provedores regionais, que esperavam uma fatia maior do espectro.
  • Por que isso importa? Quanto maior o espaço disponível na faixa, mais velocidade e qualidade de conexão as empresas conseguem entregar aos seus clientes.
  • Como está a disputa? A Abrint, que representa os provedores regionais, pretende usar a consulta pública do leilão de 6 GHz na rede móvel para defender o compartilhamento da faixa. Já a Conexis, entidade das operadoras de telefonia, se opõe firmemente à ideia.

Na proposta defendida pela Abrint, os roteadores poderiam usar a faixa de 6 GHz com o auxílio do AFC — um software embutido no próprio roteador, capaz de verificar em tempo real a presença de outros sinais de radiofrequência e gerenciar o uso compartilhado dos canais sem gerar interferências.

Operadoras resistem ao compartilhamento

O pleito da Abrint, no entanto, esbarra na resistência da Conexis, entidade que reúne os principais nomes da telefonia móvel no país. Para o presidente da entidade, Marcos Ferrari, misturar os usos dentro da mesma faixa não faz sentido.

“Nós entendemos que [o compartilhamento] não convém, uma vez que a faixa é destinada para o móvel, então não faz sentido mesclar dentro do móvel também [essa] possibilidade”, diz Marcos Ferrari, presidente da Conexis.

Ferrari sustenta que a divisão estabelecida pela Anatel em agosto segue protocolos internacionais e defende que a maior parte da demanda futura virá justamente da rede de telefonia móvel — o que, segundo ele, justificaria reservar mais espaço do espectro para esse segmento. “Talvez haja uma falta de compreensão em relação ao que já foi decidido”, afirma.

Como alternativa ao compartilhamento, Ferrari menciona a possibilidade de conectar os modens diretamente ao sinal emitido pelas antenas por meio do FWA (Acesso Fixo Sem Fio, na sigla em inglês). Nessa tecnologia, um aparelho capta o sinal vindo direto da antena de telefonia e o distribui para a internet dentro da residência, sem precisar de conexão a cabo. Dessa forma, seria possível atender à demanda de internet em ambientes internos usando a frequência da rede móvel, sem disputar espaço com o sinal emitido pelos roteadores ligados a cabos.

Anatel também vê obstáculos no compartilhamento

A própria Anatel sinaliza certa resistência à proposta de compartilhamento defendida pelos provedores. O conselheiro Alexandre Freire, relator da decisão de agosto sobre a divisão da faixa, explica que os testes já realizados apontam problemas técnicos relevantes.

“Os testes realizados até agora pela agência e por instituições parceiras indicaram que, nas condições avaliadas, o compartilhamento do mesmo canal entre wi-fi e rede móvel provoca interferência prejudicial nos dois sistemas”, afirmou Alexandre Freire.

Apesar disso, Freire pondera que a conclusão técnica atual sobre o AFC não deve ser encarada como definitiva. Segundo ele, a agência previu um ambiente regulatório experimental, justamente para permitir que novas formas de compartilhamento continuem sendo estudadas em condições controladas.

Apesar disso, Freire pondera que a conclusão técnica atual sobre o AFC…

“Portanto, o AFC não está fora da discussão sobre o futuro da faixa de 6 GHz […]. Se mecanismos de coordenação automática demonstrarem, em testes e condições reais, que conseguem assegurar a convivência entre diferentes tecnologias, a porta para revisões continua aberta”, diz o conselheiro. Em resumo, a palavra final sobre a faixa de 6 GHz ainda está longe de ser dada, e o embate entre provedores e operadoras deve seguir pautando as próximas etapas das consultas públicas conduzidas pela Anatel.

"Portanto, o AFC não está fora da discussão sobre o futuro da…

Com informações de redir.folha.com.br.

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