O Magazine Luiza passou a vender também dentro do Mercado Livre, repetindo uma estratégia que já havia usado no AliExpress, em 2024, e na Amazon, em junho deste ano. A decisão chama atenção porque mostra que grandes varejistas estão deixando de apostar em um único canal de vendas e espalhando operações por diferentes marketplaces, algo que também pode servir de referência para lojistas de menor porte que vendem online.
O movimento ganha ainda mais sentido quando se observa como o comportamento de consumo pode mudar de forma rápida e estrutural, mesmo em hábitos considerados consolidados. Segundo dados da Conab, o consumo de arroz no Brasil caiu de 48,7 quilos por habitante ao ano em 1997 para 28,5 quilos em 2024. Já uma pesquisa Ipsos-Ipec, feita para o CISA, mostrou que 64% dos adultos brasileiros não consumiram álcool em 2025, um salto em relação aos 55% registrados em 2023.

Por que a diversificação de canais importa para quem vende online
Esses dois dados, embora não tenham relação direta com comércio eletrônico, servem de alerta para quem vende pela internet. Se hábitos de consumo tidos como estáveis mudam de forma estrutural em poucos anos, manter toda uma estratégia de vendas concentrada em um único canal se torna um risco cada vez maior.
De acordo com dados da base do ANYMARKET, 90% do share de mercado da Black Friday, que antes ficava concentrado em duas ou três vitrines, hoje se divide entre pelo menos dez canais. Entre eles estão Mercado Livre, Amazon, Shopee, AliExpress, Magalu, Casas Bahia, Itaú, Netshoes, Kabum e MadeiraMadeira. Cada plataforma tem algoritmo, público e ritmo de mudança próprios.
Com o Mercado Livre, o Magalu confirma pela terceira vez em pouco mais de dois anos a mesma tese: diversificar canais de venda deixou de ser uma manobra pontual e passou a ser tratado como gestão de risco.
Quantos canais sustentam a receita de uma operação?
Essa mudança de postura altera a pergunta que diretores de marketplace costumam fazer. Antes, a dúvida era se valia a pena entrar em outro canal. Agora, a questão passa a ser quantos canais diferentes sustentam a receita hoje e o que acontece se um deles mudar de regra, de algoritmo ou de comportamento de compra.
Quem depende de um único canal fica exposto a uma variável fora de seu controle. Já quem diversifica com planejamento transforma essa mesma variável em um amortecedor para os negócios.
Diversificar sem preparo pode aumentar o risco
Há um ponto que costuma passar despercebido nessa discussão: diversificar canais sem estrutura operacional adequada pode multiplicar riscos em vez de reduzi-los. Cada novo canal traz sua própria política de catálogo, sua lógica de preço e seu prazo logístico específico.
Sem controle sobre essas variáveis, a expansão que deveria proteger a operação pode se transformar na origem de erros de estoque ou de precificação.
O que muda quando a operação é em grande escala
A conta fica mais delicada quando o porte das empresas envolvidas é grande, como no caso de um varejista do tamanho do Magalu vendendo dentro de um marketplace do tamanho do Mercado Livre. Qualquer falha em pontos como sincronização de estoque, atualização de preço ou fluxo de pedidos pode gerar prejuízo medido em milhares de pedidos, além de comprometer a confiança do cliente final.
Por isso, entre as ferramentas usadas para viabilizar esse tipo de operação, a escolha costuma recair sobre soluções que já comprovaram resistir a esse nível de risco em escala semelhante, e não apenas sobre opções mais convenientes no curto prazo.
O que esperar daqui para frente
Se o consumidor brasileiro já mudou de hábito em categorias tão consolidadas quanto arroz e bebida alcoólica, a tendência é que continue migrando entre canais de compra em um ritmo difícil de prever. Operações de e-commerce, grandes ou pequenas, devem enfrentar esse cenário novamente. A diferença estará em quais empresas vão chegar preparadas para acompanhar essa movimentação e quais vão continuar concentrando todas as vendas em uma única vitrine.
Com informações de ecommercebrasil.com.br.