O ex-integrante fundador da OpenAI, Andrej Karpathy, afirmou nesta quinta-feira, em publicação na rede X, que conseguiu bons resultados ao pedir que modelos de linguagem expliquem conceitos usando o ASD-STE100, um inglês controlado criado para tornar manuais de manutenção de aeronaves mais fáceis de entender. A recomendação importa para quem usa inteligência artificial no dia a dia, já que propõe uma forma simples de obter respostas mais claras e objetivas de ferramentas como ChatGPT e Claude.
Karpathy integrou a equipe de pré-treinamento da Anthropic em maio. Em sua publicação, ele apresentou quatro formatos diferentes para ler respostas de modelos de IA: texto controlado, diagramas, páginas em HTML e vídeos explicativos. Segundo ele, cada formato representa uma evolução em relação ao anterior.
O que é a escrita estilo manual de avião?
Karpathy explicou que os modelos de linguagem conhecem bem o ASD-STE100 e que as regras rígidas desse padrão produzem textos que ele considera “muito mais legíveis”. Como o padrão é bastante rigoroso, ele disse que às vezes pede aos modelos que sigam apenas “80% do caminho até o ASD-STE100”, uma versão mais flexível da norma.
O ASD-STE100 é mantido pela ASD, entidade que representa empresas europeias dos setores aeroespacial, de segurança e de defesa. De acordo com o FAQ da organização, o chamado Simplified Technical English (STE) é um padrão internacional para redação técnica, com regras de escrita e um dicionário de aproximadamente 900 palavras aprovadas, a maioria com apenas um significado.
Uma resposta à publicação de Karpathy indicou uma ferramenta de código aberto já disponível no GitHub, que aplica as regras do STE a textos lidos por agentes de IA. O material que acompanha essa ferramenta deixa claro que ela não foi criada para textos de marketing.
Diagramas, páginas HTML e vídeos explicativos também ajudam
Além do texto controlado, Karpathy sugeriu pedir diagramas aos modelos. Segundo ele, esse formato pode ser “muito mais fácil de processar, analisar e entender” do que blocos de texto.
Ele também recomendou solicitar respostas “em HTML” para obter páginas interativas. Em maio, pouco antes de entrar na Anthropic, Karpathy já havia compartilhado opinião semelhante ao repercutir uma publicação de Thariq Shihipar, da Anthropic, sobre por que a equipe do Claude Code prefere HTML a Markdown. Uma versão desse conteúdo chegou a ser publicada no blog oficial da Claude naquele mês.
O formato que Karpathy disse ser “mais otimista” é o de vídeos explicativos personalizados sobre qualquer tema. Como exemplo, ele citou um comando que pede um vídeo no estilo “3b1b”, referência aos vídeos de matemática do canal 3Blue1Brown, com narração gerada por uma chave de API da ElevenLabs. Ele acrescentou que quem não tem acesso a essa chave pode pedir ao modelo que busque alternativas gratuitas, capazes de rodar no próprio computador do usuário. “Isso realmente começou a funcionar!”, escreveu.
Por que essa dica interessa a quem usa inteligência artificial?
As quatro sugestões de Karpathy mudam a forma como o conteúdo gerado por modelos de IA chega até quem está revisando ou lendo o resultado. As opções de texto controlado, diagrama e HTML dependem apenas de um pedido direto ao modelo. Já o exemplo de vídeo exige também uma chave de API da ElevenLabs ou uma alternativa gratuita rodando localmente.
Em relação à escrita controlada, o próprio FAQ do padrão ASD-STE100 esclarece que o STE não foi pensado para textos de uso geral. Ainda assim, princípios como frases curtas, um assunto por frase e uso da voz ativa podem ser aproveitados fora do contexto técnico original.
O que vem a seguir?
Karpathy encerrou sua publicação incentivando as pessoas a pedirem aos modelos “artefatos de software grandes, personalizados e descartáveis”, algo que, segundo ele, “nunca faria sentido criar antes” da existência dessas ferramentas.
A entidade responsável pelo ASD-STE100 disponibiliza o padrão completo gratuitamente e reforça, em seu próprio FAQ, que nenhuma ferramenta substitui o documento original. Já a ferramenta de código aberto citada nas respostas à publicação de Karpathy informa que não inclui o dicionário oficial do padrão.
Com informações de searchenginejournal.com.