A influenciadora conservadora Ashley St. Clair, mãe de um dos filhos de Elon Musk, voltou a dar o que falar depois de revelar detalhes sobre sua relação com o bilionário e sobre uma suposta proposta bilionária para que ela mantivesse silêncio. Em entrevista concedida ao The New York Times em setembro, ela disse estar cansada de responder sempre as mesmas perguntas sobre o dono da Tesla e da SpaceX. “As pessoas me tratam como se eu fosse uma espécie de psicanalista do Elon”, afirmou.
Segundo ela, a curiosidade alheia costuma seguir um roteiro parecido: querem saber como é conviver de perto com Musk ou destacam que pouca gente teve esse tipo de contato direto com ele. “É irritante e cansativo”, resumiu, em tom de quem já perdeu a conta de quantas vezes repetiu a mesma resposta.
Quem é Ashley St. Clair e por que ela virou assunto
St. Clair não é uma desconhecida no universo digital: ela já foi uma voz conhecida entre influenciadores conservadores e trabalhava no site de notícias The Babylon Bee quando cruzou o caminho de Musk, em 2023. Na época, ela já era mãe solo de uma criança fruto de um relacionamento anterior. Em 2024, teve um filho com o bilionário.

Neste ano, ela ganhou ainda mais notoriedade por aparecer como uma das vozes centrais em “Musk”, documentário de quase quatro horas assinado por Alex Gibney, cineasta vencedor do Oscar por “Um Táxi para a Escuridão”, que investiga a trajetória do primeiro trilionário do mundo.
Para St. Clair, porém, o que está em jogo vai além das curiosidades pessoais sobre o magnata. “Isso diz respeito a uma podridão mais profunda em nossa sociedade, na qual equiparamos capital a moralidade”, disse. E completou: “Há um nível de confiança, tanto social quanto individual, que depositamos nas pessoas quando elas têm dinheiro”.
A polêmica proposta de US$ 40 milhões
O estopim mais recente da discussão veio depois que o site TMZ noticiou que St. Clair teria recusado um acordo de confidencialidade avaliado em US$ 40 milhões — valor que, segundo a reportagem, seria oferecido em troca do silêncio dela sobre Musk. O bilionário reagiu rapidamente pela sua própria plataforma, o X (antigo Twitter), negando a história: “Isso nunca foi oferecido a ela, que tem um histórico de mentir”.
Musk também aproveitou para criticar o documentário de Gibney em outra publicação na rede social, afirmando que o diretor “simplesmente reuniu uma lista de pessoas que ou têm contas a acertar ou nem sequer me conhecem”. Até o fechamento da matéria original, ele não havia respondido a pedidos de comentário sobre o caso.

Do outro lado, Gibney defende o valor do depoimento de St. Clair para o documentário. Segundo ele, “além da obsessão de Musk por ter filhos, Ashley teve uma visão privilegiada da campanha de 2024 e conseguiu me contar coisas que eu não sabia sobre as motivações de Musk”. Os dois se conheceram em dezembro de 2025, durante as gravações do filme.
Bastidores do relacionamento com Musk
Na entrevista, St. Clair também relembrou como foi aceitar participar do projeto de Gibney. Ela contou já conhecer trabalhos anteriores do diretor, como “Going Clear”, e destacou a reputação dele por lidar com fatos e narrativas de forma cuidadosa. Ao assistir ao resultado final, ela diz ter se surpreendido com a forma como diferentes relatos — o dela, o de Justine Wilson (primeira esposa de Musk), o do filósofo Sam Harris e o do cientista Geoffrey Hinton, apontado como “padrinho da IA” — se encaixavam.

“Acho que, quando se consegue reunir pessoas que nunca conversaram entre si e fazer com que seus relatos formem uma narrativa coerente, isso é a verdade.”
Questionada sobre como era sua vida quando conheceu Musk, em 2023, ela relembrou a rotina no The Babylon Bee e a presença forte nas redes sociais, onde reproduzia discursos ligados ao movimento MAGA (Make America Great Again). Foi nesse contexto que Musk passou a segui-la no Twitter e começou a trocar mensagens privadas com ela.
Esse contato inicial, segundo St. Clair, já chamou atenção de terceiros antes mesmo de qualquer relacionamento se consolidar. “Acho que as pessoas não entendem quantos olhos estavam voltados para todos aqueles com quem Elon interagia naquela época”, disse. Ela relata ter recebido mensagens de apoiadores do MAGA parabenizando-a, além de especulações precoces de que ela seria “a próxima mãe de um filho dele” — isso quando estava prestes a completar 24 anos.
O primeiro encontro presencial dos dois também guarda um detalhe curioso. Durante uma entrevista para o Babylon Bee, Musk teria perguntado se ela toparia ir a Providence, em Rhode Island. “Em menos de uma hora, eu estava no avião dele”, contou. No destino, dividiram um quarto de hotel, e ele adormeceu ouvindo um podcast sobre Kublai Khan — uma cena que, segundo ela, resume bem o clima surreal daquele primeiro contato.
O caso segue repercutindo, com versões opostas de Musk e St. Clair sobre a tal oferta milionária, enquanto o documentário de Gibney mantém os holofotes sobre os bastidores da vida pessoal do bilionário.
Com informações de redir.folha.com.br.