Quem acompanha o mercado digital já se acostumou a ver um exército de “hackers”, “growth hackers”, “mestres em performance” e autodeclarados gênios do e-commerce prometendo, em redes sociais e anúncios pagos, a fórmula mágica para faturar o primeiro milhão em poucos dias. Especialistas apontam que esse fenômeno virou quase um gênero próprio: o dos “vendedores de curso de como vender curso para quem gosta de vender curso de como vender curso para vendedores de curso”. Pois é exatamente contra essa lógica de atalho que surge um conceito simples, mas que analistas de performance consideram essencial — o FAF.

Antes de mergulhar nas vagas e oportunidades recheadas de siglas em inglês que prometem transformar qualquer profissional em super-herói do marketing, especialistas sugerem uma pausa para algumas perguntas básicas. O time sabe exatamente quanto precisa vender numa terça-feira específica? Ao meio-dia, a operação já consegue dizer se a meta do dia está no caminho certo? Os números do dia anterior geraram algum insight relevante? O estoque dos produtos campeões de venda está sob controle? E, afinal, o que o cliente realmente busca no site — isso está alinhado com o que aparece na vitrine?
Entenda o que é o FAF e por que ele muda a conversa sobre performance
FAF significa, em bom português, “faz o arroz com feijão” — ou, para manter o espírito bilíngue do mercado, virar um “FAF First”. Ou seja, fazer o básico antes de qualquer sofisticação. Trata-se de uma cultura permanente e cuidadosa de observar os detalhes mínimos de marketing e vendas antes de sair atrás de growth marketing, CRO ou inteligência artificial.
Segundo especialistas, as perguntas que definem se uma operação domina o básico incluem:
- Os dados e métricas estão definidos e tagueados corretamente?
- Existe análise diária de vendas, de verdade, todos os dias?
- As decisões nascem do que os números mostram, ou de achismo e remendo?
- A busca do site já foi observada para entender o que o cliente quer?
- Isso está alinhado com o que está exposto na vitrine?
- Os resultados são comparados com a semana passada, o mês passado, o mesmo período do ano anterior?
Analistas reforçam que o FAF não é um checklist burocrático, mas um comportamento construído a partir de ações repetidas à exaustão. Na prática, é o entendimento claro do ambiente de negócios e da leitura cuidadosa — nas linhas e nas entrelinhas — do que os resultados diretos e indiretos estão revelando.
Por que o FAF precisa vir antes do growth e do CRO
Para quem ainda não domina os termos, growth marketing promete crescimento sustentável olhando toda a jornada do cliente, não apenas a aquisição. Já o CRO busca otimizar a conversão do tráfego que a empresa já possui, ou seja, crescer dentro do próprio universo atual. Ambas as promessas são valiosas, mas pressupõem algo que, segundo especialistas, a maioria das empresas brasileiras ainda não tem consolidado: uma infraestrutura básica de dados funcionando diariamente.
Poucas organizações, apontam analistas, chegaram a redesenhar processos, governança ou tomada de decisão a partir disso. E essa crítica não vem apenas de quem observa o growth de fora — profissionais que atuam dentro desse próprio universo relatam uma percepção comum: o sucesso das táticas modernas de growth e CRO só se concretizou porque, antes, foram investidas muitas horas deixando o básico bem-feito e “cheirando bem”. Em resumo, growth nunca será bala de prata para quem não resolveu o essencial antes.

FAF First não significa rejeitar inovação
Apesar da crítica contundente, especialistas fazem questão de esclarecer: a proposta não é um manifesto contra growth, CRO ou inteligência artificial. Pelo contrário — a ideia é provocar uma reflexão para que o básico esteja tão enraizado na rotina que, ao usar essas três ferramentas depois, o nível de operação suba substancialmente.
Como já destacado anteriormente por analistas do setor, qualquer tática avançada aplicada sobre uma base furada não corrige o problema — ela o amplifica. Por isso, inteligência artificial sem dados organizados tende a gerar decisões erradas com mais rapidez; CRO sem entender o que o cliente busca otimiza o caminho errado; e growth sem cultura de análise diária acaba virando apenas um nome bonito para tentativa e erro, multiplicando apostas equivocadas.
“Growth nunca será bala de prata, principalmente para quem não resolveu o básico”
Dessa forma, o FAF é descrito por especialistas como um movimento acelerador, não um freio. O básico, afinal, é justamente aquilo que se faz antes de sofisticar qualquer estratégia.
O checklist antes de contratar growth hacker ou rodar IA
Antes de contratar um growth hacker, rodar o primeiro teste de CRO ou deixar a inteligência artificial decidir qualquer coisa pela operação, especialistas recomendam responder com sinceridade a algumas perguntas: os dados e métricas estão definidos e tagueados corretamente? A equipe sabe quanto precisa vender diariamente, e como chegar lá? Existe análise diária de vendas de verdade, todos os dias? As decisões de hoje nasceram do que os números de ontem mostraram? A busca do site já foi observada para entender o que o cliente procura, e isso está alinhado com a vitrine? Os resultados são comparados com a semana passada, o mês passado e o mesmo período do ano anterior?
Não é preciso MBA para aderir a esse movimento — apenas curiosidade, disciplina, cuidado com os dados e disposição para colocar a mão na massa. Em resumo, antes de sonhar com o risoto sofisticado do growth e do CRO, especialistas sugerem garantir que o arroz com feijão esteja bem-feito. Afinal, ninguém faz um bom risoto sem antes aprender a fazer um arroz decente.
Com informações de ecommercebrasil.com.br.