O Fundo Monetário Internacional (FMI) saiu de sua mais recente reunião, realizada em Bangcoc, com um recado claro: é preciso reforçar o apoio a países que vêm sofrendo com desafios de financiamento de curto prazo por causa dos efeitos colaterais de guerras e da alta nos preços da energia. Segundo os países membros da instituição, os riscos para a economia global continuam pendendo para o lado negativo — e a chamada “inteligência avançada” entrou de vez nessa conta de riscos.
De acordo com comunicado divulgado após o encontro, mesmo com o impulso que as tecnologias de inteligência avançada têm dado aos investimentos e ao comércio mundial, elas também trazem consigo incertezas que preocupam o Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), principal instância de decisão do FMI quando o assunto é crédito em momentos de crise.
Guerras e inteligência avançada pressionam a economia global
O texto, assinado pelo ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed Al-Jadaan, presidente do IMFC, não poupa palavras ao descrever o cenário atual. Segundo ele, a escalada de conflitos e das tensões comerciais pode comprometer ainda mais rotas comerciais essenciais, pressionar os preços das commodities — incluindo os produtos energéticos refinados — e colocar em risco a segurança energética e alimentar ao redor do mundo.
Vale lembrar que o IMFC reúne 191 países membros e funciona como o principal comitê diretor do fundo de crédito para crises do FMI. Ou seja, suas decisões têm peso real sobre como a instituição vai direcionar recursos e apoio técnico daqui para frente. Al-Jadaan afirmou à Reuters que o conteúdo do comunicado foi acordado por todos os membros, sem ressalvas.
Disputa por trás do termo “inteligência avançada”
Nos bastidores, porém, nem tudo foi consenso tranquilo. Pouco antes da divulgação oficial, os Estados Unidos chegaram a pressionar outros membros do FMI para que o termo “inteligência artificial” fosse trocado por “superinteligência” no texto final — alinhando o documento ao vocabulário preferido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para se referir à tecnologia. A informação foi repassada à Reuters por uma autoridade de alto escalão do Tesouro norte-americano.
No fim das contas, nenhuma das duas expressões prevaleceu da forma esperada: a versão final da declaração do presidente do IMFC simplesmente não trouxe nenhuma referência direta à “inteligência artificial”, optando pelo termo mais amplo “tecnologias de inteligência avançada”.
Riscos macrofinanceiros somam-se a outros desafios
Segundo a declaração, o impacto ainda incerto dessas tecnologias, combinado com a alta nos rendimentos dos títulos das principais economias — efeito que acaba se espalhando também para países mais endividados —, pode ampliar as vulnerabilidades macrofinanceiras globais. Ou seja, não é só a inteligência avançada que preocupa, mas a forma como ela interage com outros fatores de instabilidade já existentes.
“As rápidas mudanças tecnológicas, as transformações demográficas, a maior frequência de eventos climáticos extremos e desastres naturais, bem como a fragmentação geoeconômica, estão agravando os dilemas de política pública”, afirma a declaração.
Diante desse cenário, os países membros reforçaram o compromisso de apoiar nações que estão em meio a reformas econômicas e que lidam com vulnerabilidades ligadas à dívida — com atenção especial para países de baixa renda, de renda média vulneráveis e Estados afetados por conflitos.
Apoio a países endividados ganha destaque
O comunicado deixa claro o tom de incentivo: “Incentivamos o aumento do apoio a países com dívida sustentável e uma agenda sólida de reformas e promoção do crescimento, mas que enfrentam desafios de financiamento de curto prazo”. Além disso, o texto observa que diversos membros já garantiram apoio ao Fundo de Redução da Pobreza e Crescimento do FMI, mecanismo voltado justamente para países pobres e em desenvolvimento.
Em resumo, a reunião em Bangcoc deixou dois recados que caminham juntos: por um lado, a necessidade urgente de socorrer economias fragilizadas por guerras e choques energéticos; por outro, o reconhecimento de que a inteligência avançada, apesar de seus benefícios econômicos, ainda é uma incógnita que pode mexer com a estabilidade financeira global nos próximos anos.
Com informações de infomoney.com.br.