Um levantamento com 145 milhões de sessões em mais de 100 sites mostrou que as visitas vindas do ChatGPT representam menos de 1% do volume gerado pelo Google. O dado, assinado por Marie Haynes, serviu de base para a tese de que investir em GEO (otimização para mecanismos de busca generativos) seria um esforço fora de prioridade para equipes de marketing digital.
Outra apuração, feita de forma independente a partir de 108 milhões de sessões registradas entre 1º de janeiro e 2 de novembro de 2026 em mais de 57 sites, chegou a número parecido: o tráfego total vindo de ferramentas de IA somou 0,66% do total. Na prática, isso significa que, a cada mil usuários trazidos por buscadores tradicionais, apenas sete chegam por IA rastreável.
Esse percentual varia bastante de site para site. Alguns registraram entre 20 e 25 usuários de IA a cada mil, mas a média geral segue baixa. O ponto central da discussão, porém, não está apenas no volume: está no que esses números deixam de capturar.
GEO é mesmo uma distração para o SEO?
A resposta, segundo a análise crítica feita a esses dados, é não. Julgar o valor comercial de ferramentas conversacionais só pelo volume de cliques recebidos aplica uma régua antiga a um comportamento novo de consumo de informação.
Isso porque boa parte das decisões de compra hoje acontece dentro da própria conversa com a IA, antes de qualquer clique em um link. Quando um mecanismo de resposta resolve a dúvida do usuário sem precisar mandá-lo para um site externo, a sessão simplesmente não aparece nas métricas tradicionais de analytics.
Esse fenômeno já é documentado em análises sobre buscas sem clique (zero-click), nas quais resumos automáticos atendem à necessidade de informação direto na plataforma, reduzindo a necessidade de navegação externa. Um comprador que pesquisa softwares corporativos, por exemplo, pode passar meia hora discutindo segurança, planos de preço e vantagens entre fornecedores concorrentes dentro de uma única conversa com IA.
Se o mecanismo descreve a empresa certa com precisão e a apresenta como opção sensata, esse comprador não precisa clicar em nada ali. Dias depois, ele abre o navegador, busca o nome da marca e fecha a demonstração do produto. O analytics credita a venda à busca orgânica, mesmo que a decisão real tenha sido tomada na conversa com a IA.
Por que o visitante vindo de IA converte tanto mais
O mesmo levantamento de Haynes mostra um dado relevante: visitantes que chegam pelo ChatGPT convertem a quase 14%, contra 3% dos visitantes de busca tradicional. Ignorar essa diferença só porque o volume é pequeno valoriza quantidade de visitantes acima de resultado comercial real, o que contraria a lógica básica de marketing.
O tráfego de busca tradicional carrega bastante desperdício, com cliques acidentais e navegação casual de quem não tem intenção real de compra. Já quem interage com uma IA generativa e depois segue um link de referência costuma estar em estágio avançado de decisão, clicando para confirmar detalhes finais antes de comprar.
Para fornecedores B2B, consultorias especializadas e varejistas de nicho, volume bruto de visitantes vale pouco. Uma empresa que fecha poucos contratos relevantes vindos de tráfego qualificado de IA pode lucrar mais do que outra que recebe milhares de visitas que não geram retorno.
O que muda para quem trabalha com marketing digital
A internet segue mudando de estrutura, e sistemas autônomos devem alterar ainda mais a forma como as pessoas pesquisam e compram online. Abandonar o GEO porque o número de sessões referenciadas parece pequeno ignora onde, de fato, as decisões de compra estão sendo tomadas hoje.
Ferramentas de IA já mudaram a forma como consumidores e equipes corporativas pesquisam produtos antes de comprar. Esse efeito não aparece nos painéis de tráfego comuns, mas se manifesta nas taxas de conversão muito acima da média de quem efetivamente visita o site depois da pesquisa feita por IA.
Tratar os mecanismos generativos como um detalhe irrelevante significa abrir mão de presença no momento exato em que o cliente decide. E isso deixa espaço livre para concorrentes que já entenderam que influência pesa mais do que cliques na hora de fechar negócio.
Com informações de searchenginejournal.com.