O Google atualizou nesta semana sua orientação sobre conteúdo útil e confiável para incluir um alerta direto contra perfis de autoria falsos. A mudança, identificada na página de diretrizes para sites, passa a tratar como forma de engano o uso de fotos geradas por inteligência artificial, nomes inventados e credenciais falsas para simular que um texto foi escrito por um especialista humano.
A atualização afeta diretamente quem produz conteúdo online. Sites que recorrem a autores fictícios para dar credibilidade a textos agora correm o risco de serem classificados como páginas de baixa qualidade pelos sistemas automáticos do Google.
O que mudou na orientação do Google
O novo trecho foi inserido na seção “Quem criou o conteúdo”, dentro da página sobre conteúdo voltado para pessoas. Ele aparece logo depois da recomendação já existente de incluir informações precisas de autoria, como os créditos de quem escreveu o texto.
Segundo o texto publicado pelo Google:
“No entanto, evite usar informações de autoria enganosas. Fabricar perfis de criadores (por exemplo, usando fotos geradas por IA, nomes inventados ou credenciais falsas para fazer o conteúdo parecer que foi escrito por especialistas humanos) é uma forma de engano. Qualquer forma de engano torna uma página não confiável tanto para os usuários quanto para nossos sistemas automáticos de qualidade, e é um sinal de página de baixa qualidade.”
Essa versão da página está datada de 1º de outubro. Uma cópia salva em 8 de junho não trazia esse parágrafo: o texto seguia direto da recomendação sobre créditos de autoria para a seção “Como”. Além do alerta sobre perfis falsos, a versão de outubro também passou a trazer uma definição de conteúdo principal.
Como isso se compara às diretrizes dos avaliadores de qualidade
A novidade na página para sites se aproxima do que já constava nas diretrizes internas usadas pelos avaliadores de qualidade do Google. Na seção 4.5.3 desse documento, consta como exemplo de engano o conteúdo gerado por IA acompanhado de perfis de autores inventados, construídos a partir de imagens e biografias falsas.
A mesma seção cita casos de perfis que atribuem credenciais falsas a quem assina o texto, como se passar por profissional da área médica sem ser. Nessas situações, a orientação aos avaliadores é dar a nota mais baixa possível à página.
Há, porém, uma diferença importante: a página voltada a quem administra sites afirma que os avaliadores humanos “não têm controle sobre como as páginas são ranqueadas”, enquanto o novo parágrafo menciona os sistemas automáticos de qualidade da empresa. O texto não detalha, no entanto, como esses sistemas identificariam, na prática, um perfil fabricado.
Sobre os créditos de autoria em si, a conta oficial do Google que trata de busca já havia dito, em janeiro de 2024, que bylines não ajudam uma página a ranquear melhor.
Por que essa mudança importa para quem publica conteúdo
Sites que publicam textos sob a assinatura de especialistas inventados agora veem essa prática rotulada como engano tanto na orientação voltada a quem administra páginas quanto nas diretrizes internas de avaliação. Isso torna as páginas de autores e os créditos de texto pontos de atenção para quem precisa verificar se um nome, uma foto ou uma credencial não está sendo usada para criar uma falsa impressão de expertise humana.
O que vem a seguir
A seção sobre engano nas diretrizes dos avaliadores é mais ampla do que o novo parágrafo da página para sites. Ela também trata de dados comerciais falsos, casos de impersonação e design de página enganoso.
A página de registro de atualizações de documentação do Google já havia anotado, em 1º de outubro, uma mudança nas orientações sobre conteúdo de IA. Até a publicação dessa informação, porém, o registro ainda não listava especificamente a edição feita na página sobre conteúdo útil e centrado em pessoas. Por isso, quem acompanha o tema deve continuar monitorando essa página para eventuais novos ajustes.
Com informações de searchenginejournal.com.