O Google implementou mudanças na exibição de resultados de busca em todo o Espaço Econômico Europeu (EEA) para se adequar às exigências da Lei de Mercados Digitais (DMA) da União Europeia. A novidade cria espaços próprios para serviços de comparação de preços e para fornecedores diretos em determinadas categorias de busca comercial.
A documentação sobre as duas funcionalidades foi publicada pelo Google Search Central em 8 de setembro, com a informação de que os recursos já estão disponíveis para usuários na região. Um dos blocos reúne listagens de agregadores aprovados, exibindo em destaque o serviço mais bem classificado. O outro é voltado a fornecedores diretos, como companhias aéreas e hotéis individuais, que passam a ter espaço próprio ao lado dos agregadores.
A agência Reuters, que noticiou a mudança no mesmo dia, divulgou uma declaração do Google reconhecendo que as alterações reduzem a qualidade da busca para os usuários europeus.

Como funcionam os novos blocos de resultados
O bloco de agregadores abrange buscas por hotéis, voos, trens ou ônibus de longa distância e produtos. Segundo o Google, ele está disponível para serviços de busca vertical, categoria que inclui:
- Agências de viagens on-line
- Serviços de comparação de compras
- Motores de meta-busca
- Diretórios especializados
Os agregadores aprovados preenchem o espaço com resultados relacionados à busca, sendo que o prestador mais bem ranqueado aparece expandido por padrão, com fotos, preços ou avaliações quando disponíveis. Os cliques dentro desse bloco direcionam o usuário diretamente para o site do agregador escolhido. É possível alternar entre agregadores participantes, mas apenas um bloco desse tipo é exibido por vez.
Para integrar essa lista, as empresas precisam ser reconhecidas como serviços de busca vertical e fornecer dados por meio de feeds ou APIs em tempo real, conforme a categoria.

Já o bloco voltado a fornecedores diretos só aparece quando o bloco de agregadores também está presente na página. O Google inclui como exemplos de elegibilidade negócios físicos e prestadores de serviços, embora a seção de disponibilidade cite especificamente hotéis, voos, trens/ônibus de longa distância e produtos. Diferentemente dos agregadores, os fornecedores diretos não precisam enviar dados adicionais além do que já é obtido por rastreamento (crawling), ainda que o envio de feeds possa melhorar a exibição de suas informações.
A descrição da Reuters sobre o layout traz outros detalhes: um serviço especializado aparece no topo da página, outros dois surgem com menos informações, e um carrossel de hotéis, companhias aéreas e restaurantes fica logo abaixo, sem preços em tempo real. Vale notar que restaurantes aparecem na descrição da Reuters, mas não constam na lista oficial de categorias suportadas divulgada pelo Search Central.
Do teste à implementação
Em fevereiro, já havia sido noticiado que o Google se preparava para testar mudanças que dariam mais visibilidade a serviços concorrentes de busca vertical, começando pelas buscas de hospedagem.

Em 23 de julho, a Comissão Europeia aplicou uma multa de € 460 milhões ao Google por dar destaque excessivo aos próprios serviços de compras, hotéis, transporte e esportes em detrimento de serviços concorrentes semelhantes — parte de um pacote total de € 890 milhões em sanções. A Comissão estabeleceu um prazo de 60 dias para que a empresa se adequasse às regras, sob risco de multas periódicas de até 5% do faturamento global. Na ocasião, o órgão europeu também classificou os testes que o Google já vinha realizando nos resultados de compras, hotéis e voos como “progresso substancial rumo à conformidade”.
Google alerta para queda na qualidade da busca
Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento e informação do Google, afirmou em comunicado à Reuters que a empresa está promovendo “mudanças significativas na Busca na Europa” para atender às exigências da DMA. Segundo ele:
“Essas mudanças prejudicam a experiência do usuário para os europeus — favorecendo intermediários on-line em detrimento de negócios locais, e removendo recursos úteis que as pessoas utilizam todos os dias. Usuários fora da UE não serão afetados por essas mudanças.”
O Google informou à Reuters que essa é a maior redução na qualidade do serviço de busca em seus 29 anos de história. A empresa também afirmou ter testado o novo design com milhões de usuários na Europa, que demonstraram alto nível de insatisfação por precisarem digitar novamente suas buscas. A reportagem da Reuters não detalha, no entanto, como esse teste foi conduzido.
Ainda segundo a empresa, mudanças anteriores de conformidade com a DMA já haviam reduzido em 30% o tráfego de reservas diretas gratuitas para negócios europeus — número fornecido pelo próprio Google, referente às alterações anteriores, e não à implementação atual. A expectativa da empresa é que as novas mudanças também impactem negativamente esses negócios.
Por que isso importa
A visibilidade para buscas de hotéis, voos, transporte e produtos no EEA passa a depender, em parte, de qual lado da divisão entre agregadores e fornecedores diretos cada site ocupa. Agregadores ganham espaço para suas listagens dentro da busca, mas precisam cumprir exigências de feeds ou APIs para aparecer. Fornecedores diretos recebem espaço próprio sem necessidade de dados extras, mas esse bloco só aparece quando há também um bloco de agregadores na página. Segundo a Reuters, o algoritmo do Google continua determinando o ranqueamento dos resultados.
Para as categorias de busca afetadas, dados de rastreamento de ranking e de desempenho no Search Console vindos de países do EEA podem refletir uma experiência de busca diferente da observada nos Estados Unidos ou no Reino Unido.
O que vem a seguir
A Comissão Europeia informou, em julho, que monitorará a forma como o Google implementa essas mudanças. O prazo de 60 dias estabelecido em 23 de julho se estende até o final de setembro. Até a publicação da reportagem original, o órgão não havia se manifestado sobre se considera o novo design compatível com as exigências da lei, e a decisão de julho mantém em aberto a possibilidade de multas periódicas caso o design seja considerado insuficiente. A primeira avaliação concreta sobre o impacto no tráfego deve vir de dados do Search Console filtrados por país para as consultas afetadas, após algumas semanas de dados pós-implementação.
Buscas locais podem ser a próxima categoria a passar por mudanças semelhantes.
Com informações de searchenginejournal.com.