O Google confirmou que os relatórios de inteligência artificial do Search Console, junto com o controle de opt-out para IA nas buscas, já estão disponíveis para sites de todo o mundo desde 31 de agosto. Na mesma semana, John Mueller, porta-voz da empresa, respondeu a três dúvidas distintas de profissionais de SEO: uma sobre recuperação após desautorização de links (disavow), outra sobre uso de markdown para rastreadores de IA, e uma terceira sobre uma técnica envolvendo sitemaps.
Relatórios de IA no Search Console agora são globais
Segundo o Google, os relatórios que mostram o desempenho de páginas dentro das funcionalidades de IA da busca alcançaram todos os sites do mundo. Os dados incluem impressões vindas de recursos como AI Overviews, AI Mode e as funções generativas do Discover, organizados por página, país e data.
Nem todas as propriedades cadastradas no Search Console têm acesso à ferramenta, e sites com poucas impressões em recursos de IA podem simplesmente não aparecer no relatório.

Na prática, o relatório funciona como uma espécie de checklist: mostra em quais páginas e onde o site aparece dentro das ferramentas de IA do Google, mas não revela o que essas aparições efetivamente geram em termos de resultado. Já o botão de opt-out, que permite recusar a exibição em recursos de IA, é apoiado por dados concretos — e o Google garante que desativar essa opção não prejudica o posicionamento do site nas demais áreas da busca.
Correções após updates grandes podem demorar meses para surtir efeito
Em resposta a um usuário do Reddit, Mueller afirmou que ajustes relacionados a atualizações amplas do algoritmo “podem levar bastante tempo — às vezes muitos meses — até que os efeitos sejam percebidos”.
O caso relatado envolvia um site que havia acumulado mais de 800 domínios de referência considerados “tóxicos”, levando o responsável a enviar um arquivo de disavow. Cerca de duas semanas depois, o site perdeu a 3ª posição para sua palavra-chave principal, e o usuário questionou como reverter a queda.

“Desautorizar um punhado de links não vai fazer seu site sumir da busca”, respondeu Mueller, reforçando que a ferramenta de disavow “tem efeitos”, mas não instantâneos.
Ele sugeriu revisar o próprio arquivo de disavow em busca de erros e investigar outras causas possíveis, citando como hipótese a coincidência com uma atualização ampla de combate a spam que pode ter ocorrido no mesmo período.
Como Mueller já havia explicado anteriormente, o processamento de um arquivo de disavow costuma influenciar os dados de links ao longo de vários meses — não em questão de dias. Por isso, o primeiro passo é descartar problemas técnicos gerais no site e só depois comparar a queda de tráfego com o calendário de atualizações do Google, já prevendo que qualquer efeito ligado a um update maior tende a demorar para aparecer.
Mueller: só ferramentas de SEO pedem conteúdo em markdown
Em outra interação, desta vez no fórum r/TechSEO, Mueller comentou que, em seus próprios sites de teste, “os únicos rastreadores que afirmam aceitar markdown são ferramentas de SEO”.

A pergunta original vinha de alguém avaliando migrar para markdown como forma de reduzir a carga sobre o servidor, questionando se algum dos principais bots de IA já havia solicitado esse formato. Mueller encerrou a resposta com um “depende do seu caso” (no original, “Ymmv” — your mileage may vary), acrescentando que suas configurações de servidor não registram o cabeçalho “Accept” por padrão, e recomendou que qualquer pessoa interessada configure esse registro antes de tomar decisões.
A recomendação prática é simples: antes de investir na construção de uma camada em markdown, é preciso registrar o cabeçalho Accept e verificar quem realmente faz esse tipo de solicitação. Como a amostra de Mueller se limita aos próprios sites dele, os resultados podem variar — daí a importância de cada site checar seus próprios logs. Se as únicas requisições por markdown vierem de ferramentas de SEO, é para esse público que a mudança faria sentido.
Truque de cache-busting em sitemaps é chamado de “má ideia”
Mueller também criticou uma prática identificada em um site de grande porte: adicionar um parâmetro de data (?v=timestamp) às URLs do sitemap diariamente, forçando os mecanismos de busca a refazer o rastreamento com mais frequência.
Segundo ele, a técnica é “uma má ideia, porque você está sinalizando que a URL canônica de um conteúdo deveria estar mudando constantemente” — o que prejudica tanto o entendimento dos buscadores quanto o rastreamento de desempenho ao longo do tempo. Mueller lembrou que o próprio protocolo de sitemap já conta com o elemento “lastmod”, criado justamente para informar aos rastreadores quando um arquivo foi atualizado.
A orientação é remover qualquer parâmetro rotativo herdado de sitemaps antigos e manter o campo lastmod sempre atualizado e preciso, já que a objeção central de Mueller é o sinal equivocado de que o endereço do arquivo estaria mudando o tempo todo.
Kevork Sahagian, estrategista de SEO e líder de link building na Lantern Sol, comentou o caso no LinkedIn, ampliando a reflexão para além desse exemplo específico:
“A lição não é ‘evite esse truque específico’. É que a maioria desses atalhos tenta consertar algo que o básico já resolve.”
O padrão da semana: checar antes de construir
As três respostas de Mueller convergem para um mesmo ponto: em todos os casos, a solução já existia dentro de recursos que o Google disponibiliza. Um rastreador que aceita markdown pode informar isso nos próprios cabeçalhos de requisição, o Google publica as datas de suas atualizações de algoritmo, e os sitemaps já contam com um campo específico para indicar atualização de conteúdo.
O caso dos relatórios de IA no Search Console acrescenta mais uma camada a essa discussão: a ferramenta mostra onde as páginas aparecem dentro dos recursos de IA do Google, mas não avança além disso — a questão de quantos cliques essas aparições realmente geram continua sem resposta por enquanto.
Com informações de searchenginejournal.com.