Quem imagina que inteligência artificial é assunto exclusivo de jovens antenados em tecnologia precisa conhecer a história de Bae Oh-do. Aos 70 anos, o vendedor de violinos de Seul viveu uma infância marcada pelo trabalho braçal no período posterior à Guerra da Coreia, catando lenha na floresta para aquecer a casa da família. Hoje, décadas depois, ele representa um retrato curioso de como a IA na Coreia do Sul vem conquistando até quem cresceu bem longe de telas e algoritmos.
“A era do trabalho manual está completamente arraigada em mim”, conta Bae, relembrando um tempo em que a sobrevivência dependia de esforço físico e paciência. Ele guarda na memória o uso de uma “bomba de pedal” para conseguir água em casa — um detalhe que, por si só, já mostra a distância entre o mundo em que ele nasceu e a realidade digital de hoje.
Da bomba de pedal à chegada da IA na Coreia do Sul
Essa trajetória de transformação não é exclusividade de Bae. Ele também recorda, com evidente emoção, a alegria generalizada quando os primeiros tratores começaram a circular pela zona rural sul-coreana. Ou seja, antes mesmo da revolução digital, o país já havia passado por uma mudança e tanto na forma de trabalhar e viver no campo.
Por isso, a chegada da inteligência artificial ao cotidiano de pessoas como Bae ganha um significado especial. Trata-se de mais um capítulo numa vida inteira de adaptações, desta vez puxado pela tecnologia que promete — e já começa a cumprir — mudar hábitos, profissões e até a forma como gerações mais velhas se relacionam com o novo.
Uma popularidade que surpreende
O fato de nomes como o de Bae Oh-do aparecerem associados à IA ilustra bem o fenômeno que dá nome a essa reportagem: a surpreendente popularidade da inteligência artificial em diferentes faixas etárias e realidades sociais. Afinal, quando alguém que ainda carrega na memória a imagem de uma bomba de pedal puxando água passa a conviver, de algum jeito, com ferramentas de IA, fica claro que essa tecnologia já não é mais restrita a um público específico.
Dessa forma, o caso sul-coreano reforça uma tendência que vem se espalhando mundo afora: a inteligência artificial deixou de ser promessa distante para se tornar parte do dia a dia, inclusive de quem viveu — e sentiu na pele — outras grandes transformações tecnológicas, como a mecanização do campo representada pelos tratores que tanto marcaram a juventude de Bae.
Apesar disso, vale lembrar que essa adesão não apaga as raízes de quem, como o vendedor de violinos de Seul, carrega consigo memórias de um Brasil — ou melhor, de uma Coreia do Sul — bem diferente da atual. É justamente esse contraste entre passado de trabalho manual e presente marcado pela tecnologia que torna a história tão representativa do momento vivido globalmente com a ascensão da IA.
Com informações de redir.folha.com.br.