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Nvidia x China: fabricante de chips força parceiros de data centers a reduzir negócios com clientes chineses

Por: Eduardo Carrega
03/11/2026
12:47h
Nvidia x China: fabricante de chips força parceiros de data centers a reduzir negócios com clientes chineses
Nvidia exige que parceiros de data centers reduzam negócios com clientes da China; entenda a nova regra e seus impactos no mercado de chips.
RESUMIR COM:

A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China ganhou mais um capítulo, e dessa vez quem está no centro da polêmica é a Nvidia. A gigante dos chips passou a exigir que seus parceiros de data centers diminuam a exposição a clientes chineses, numa medida que aperta ainda mais o cerco à capacidade da China de competir de igual para igual no setor de inteligência artificial. Na prática, isso significa menos espaço para empresas chinesas acessarem, mesmo que indiretamente, o poder computacional necessário para treinar modelos avançados.

Como funciona a exigência da Nvidia

Segundo cinco pessoas com conhecimento do assunto, a Nvidia informou a clientes de serviços de computação em nuvem que eles precisam destinar pelo menos 51% de seus serviços a empresas de fora da China. Antes dessa mudança, não existia esse tipo de limite. Ou seja, o que era uma zona mais livre de negociação virou uma regra de conformidade bem mais rígida.

Curiosamente, essas orientações não vieram em forma de contrato ou documento oficial. Elas foram passadas verbalmente, por meio das equipes de vendas e dos representantes regionais da Nvidia espalhados pelo mundo — uma forma discreta de implementar a política sem deixar rastro formal.

Além disso, vale destacar que as novas regras não se restringem à Ásia: elas valem para clientes da Nvidia em qualquer lugar do planeta, de acordo com duas das fontes ouvidas. Por outro lado, a exigência só afeta contratos futuros, sem mexer em acordos de aluguel já firmados anteriormente.

O contexto da disputa EUA-China

Essa movimentação da Nvidia surge justamente quando Washington intensifica os esforços para dificultar o acesso de empresas chinesas a chips americanos de última geração, inclusive por meio de contratos de aluguel de computação em nuvem no exterior — um caminho que muitas companhias da China vinham usando para treinar seus modelos de IA sem comprar o hardware diretamente.

Em nota, a Nvidia afirmou: “Data centers e serviços de nuvem construídos com chips americanos são a base de que desenvolvedores americanos de modelos e aplicações precisam para competir em todo o mundo. A política de longa data dos Estados Unidos incentiva todos os serviços de nuvem a construir sobre a infraestrutura americana e conquistar negócios onde quer que possam. A política americana sempre apoiou a expansão da infraestrutura do país pelo mundo, trazendo prosperidade, influência e empregos de volta para casa”.

Duas pessoas familiarizadas com o assunto afirmam que a empresa adotou essa postura como uma espécie de movimento preventivo, tentando amenizar as críticas recorrentes de parlamentares americanos em relação à sua relação comercial com a China. Afinal, os Estados Unidos têm mirado tanto os intermediários que alimentaram um mercado paralelo de chips da Nvidia dentro do território chinês quanto o acesso de empresas chinesas a componentes avançados por vias externas.

Impacto na disponibilidade de chips

Um grupo sediado em Singapura relatou que os provedores de computação em nuvem estão enfrentando dificuldades para se adequar às novas regras, já que é “difícil encontrar clientes não chineses suficientes fora dos Estados Unidos”. O grupo ainda alertou: “Se forem aplicadas rigorosamente, as regras certamente prejudicarão os negócios”.

Com essas restrições, a escassez de capacidade computacional avançada para empresas de tecnologia chinesas só aumentou. Um exemplo chamativo: um rack de chips B300 da Nvidia, que custa cerca de US$ 600 mil (R$ 3,29 milhões) no mercado internacional, foi negociado no mês passado por 18,5 milhões de yuans (R$ 15,37 milhões) dentro da China — um valor muito acima do normal, reflexo direto da falta de oferta.

O B300 é justamente um dos chips mais avançados da Nvidia, cuja venda para o mercado chinês é proibida pelas restrições de exportação dos Estados Unidos. Ele é usado por grandes nomes americanos da inteligência artificial, como Anthropic e OpenAI.

Menos clientes asiáticos autorizados

A Nvidia já havia reduzido pela metade o número de clientes asiáticos autorizados a comprar seus chips de IA. Essa mudança aconteceu depois da criação, ainda neste ano, de uma espécie de “lista branca” com empresas aprovadas em verificações de conformidade bem mais criteriosas, criadas justamente para barrar o caminho dos produtos até a China.

Como consequência, diminuiu o volume de chips avançados contrabandeados para dentro do país, o que empurrou mais empresas chinesas a recorrer a contratos de aluguel com provedores de nuvem estrangeiros — exatamente o movimento que a Nvidia agora tenta conter com a nova exigência de 51%.

Não é à toa que Estados Unidos e China seguem sendo, disparado, os dois maiores mercados de demanda por capacidade computacional do mundo. Além disso, empresas chinesas também figuram entre os principais clientes de data centers em regiões como o Sudeste Asiático, o que amplia o alcance dessa nova política da Nvidia.

Corrida por novos clientes e reflexo no mercado

Diante da nova exigência, data centers fora dos Estados Unidos entraram numa corrida para conseguir clientes que não sejam chineses às pressas. Quem não conseguir se adequar pode acabar sendo obrigado a reduzir suas operações.

No mercado financeiro, as ações da Nvidia caíram mais de 13% no último mês, embora ainda acumulem alta de 7% neste ano. Essa desvalorização recente fez a empresa comandada por Jensen Huang perder para a Apple o posto de companhia de capital aberto mais valiosa do mundo — um sinal de que, mesmo gigante, a Nvidia não está imune às turbulências dessa guerra tecnológica entre as duas maiores potências do planeta.

Com informações de redir.folha.com.br.

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