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Priorização de canais no Google Ads: veja como funciona a nova ferramenta de orçamento

Por: Eduardo Carrega
14/10/2026
12:00h
Priorização de canais no Google Ads: veja como funciona a nova ferramenta de orçamento
Entenda como funciona a priorização de canais no Google Ads, nova ferramenta que permite limitar orçamento e definir prioridades entre redes de anúncio.
RESUMIR COM:

O Google Ads está prestes a mudar a forma como os anunciantes distribuem verba entre as redes de veiculação. A plataforma anunciou duas novidades que caminham juntas: a priorização de canais e a alocação de orçamento, recursos que permitem decidir onde o dinheiro da campanha deve entrar primeiro — e quanto, no máximo, pode ser gasto em redes consideradas secundárias. Segundo especialistas, essa mudança representa um recado claro do Google: mesmo com toda a automação dos últimos anos, os anunciantes ainda querem (e precisam) de mais controle manual sobre seus investimentos.

As funcionalidades vão estrear globalmente nas campanhas de Pesquisa, Shopping, Performance Max e Demand Gen ao longo dos próximos meses. Na prática, quem anuncia poderá classificar cada canal como “alta prioridade” ou “baixa prioridade”, além de limitar o percentual do orçamento que pode escapar para inventário de menor interesse — em vez de simplesmente excluir essas redes por completo, como acontecia até então.

Durante uma mesa-redonda virtual com a equipe de produto do Google, jornalistas do Search Engine Journal tiveram acesso antecipado a uma demonstração dos recursos, além de detalhes sobre como as configurações atuais de campanhas de Pesquisa também serão afetadas.

Durante uma mesa-redonda virtual com a equipe de produto do Google, jornalistas…

Como funciona a priorização de canais no Google Ads

De acordo com a explicação da própria equipe do Google, os anunciantes poderão rotular cada canal como “alta prioridade” ou “baixa prioridade”, conforme a ordem em que desejam que o orçamento seja consumido. Dessa forma, o Google primeiro financia os canais de alta prioridade e só depois direciona o que sobrar para o inventário de prioridade menor — tudo isso sem perder de vista as metas de CPA alvo ou ROAS alvo já configuradas.

Um exemplo prático ilustra bem a lógica: um anunciante rodando uma campanha de Pesquisa pode colocar a Rede de Pesquisa do Google como prioridade máxima e deixar Parceiros de Pesquisa ou a Rede de Display em um patamar inferior.

As opções disponíveis, porém, variam de acordo com o tipo de campanha. Para Performance Max e Demand Gen, por exemplo, o Google vai agrupar seus próprios canais — Pesquisa, YouTube, Discover, Gmail e Maps — em um bloco único. Ou seja, não será possível priorizar individualmente cada um desses posicionamentos dentro dessas modalidades.

Vale um alerta importante: todo canal nasce configurado como “alta prioridade” por padrão. Isso significa que, se o anunciante quiser reduzir a prioridade de alguma rede específica, a mudança precisa ser feita manualmente — o Google não faz esse ajuste sozinho.

Limites de gasto para canais de prioridade baixa

O recurso de alocação de orçamento permite estabelecer um teto percentual sobre quanto do orçamento diário pode ser direcionado aos canais classificados como baixa prioridade. Por exemplo: um anunciante que queira apenas testar os Parceiros de Pesquisa, sem deixar que essa rede consuma uma fatia grande do orçamento de Pesquisa, pode marcá-la como “baixa prioridade” e limitar o gasto a 20% do orçamento diário.

Ainda assim, vale a ressalva: o próprio Google afirma que vai tentar respeitar esses limites em regime de melhor esforço, ou seja, os anunciantes não devem encarar esses percentuais como tetos absolutos e garantidos.

Durante a mesa-redonda, o Google confirmou que 0% também será uma opção disponível, o que significa impedir totalmente o gasto em determinado canal ou agrupamento de canais — inclusive dentro do Performance Max.

Essas configurações de orçamento também poderão ser usadas em campanhas que não têm restrição de verba. Segundo a explicação do Google, a priorização isolada de canais, por si só, costuma não alterar muito o comportamento de campanhas de CPA alvo ou ROAS alvo quando não há limitação orçamentária. Nesses casos, os limites percentuais funcionam como uma forma extra de controle sobre redes específicas, mesmo havendo orçamento disponível de sobra.

Para quem sempre torceu o nariz para os Parceiros de Pesquisa ou para a Rede de Display por preocupações com qualidade de tráfego, essa novidade pode tornar o teste dessas redes um pouco mais atraente, segundo analistas do setor.

Configuração das novas ferramentas de priorização de canais

As prioridades podem ser definidas tanto no nível da conta — com padrões diferentes para cada tipo de campanha suportado — quanto no nível individual de cada campanha, sendo que a configuração específica sempre se sobrepõe à definição geral da conta. Os controles também funcionarão com orçamentos compartilhados.

O Google confirmou ainda que o suporte via API estará disponível já no lançamento. A equipe de produto comentou sobre a possibilidade de testes de experimentação de campanha, embora não tenha fornecido uma data específica para essa funcionalidade. Já para o Demand Gen, a expectativa é que testes limitados comecem em novembro.

Mudanças nas configurações de Display para campanhas de Pesquisa a partir de fevereiro de 2027

Há outra alteração que merece atenção redobrada, especialmente de quem roda campanhas de Pesquisa com a Rede de Display habilitada. Segundo o Google, as campanhas de Pesquisa já contam hoje com uma espécie de priorização automática funcionando nos bastidores: atualmente, o inventário de Pesquisa é priorizado em relação ao Display sempre que as duas redes estão ativadas — regra que, por sua vez, não se aplica aos Parceiros de Pesquisa.

A partir de fevereiro de 2027, porém, esse esquema atual de alocação de gastos do Display será aposentado. Como as novas ferramentas definem todos os canais como “alta prioridade” por padrão, quem não mexer nas configurações pode ver o gasto migrar de forma inesperada entre as redes.

  • O Google recomenda configurar a Rede de Display como “baixa prioridade” com alocação de 50% do orçamento para manter o comportamento atual;
  • Haverá uma opção de migração em um clique no momento do lançamento das novas ferramentas;
  • Anunciantes com Display habilitado em campanhas de Pesquisa devem revisar essas configurações antes de fevereiro, especialmente se quiserem preservar as preferências de gasto já estabelecidas.

E o lance automático, como fica nessa história?

Uma das perguntas que mais apareceu durante a mesa-redonda foi, essencialmente, por que os anunciantes precisariam priorizar canais manualmente se já utilizam estratégias de CPA alvo ou ROAS alvo. Afinal, se o rastreamento de conversões está correto e as campanhas vêm batendo as metas, não seria de se esperar que o próprio sistema de lances do Google já decidisse sozinho onde investir, com base em desempenho?

A equipe de produto do Google reconheceu que as campanhas orientadas por inteligência artificial simplificaram bastante a gestão das contas. No entanto, explicaram que o objetivo agora é devolver mais controle ao anunciante sobre a própria verba, sem abrir mão da automação que otimiza rumo às metas estabelecidas.

Para o Performance Max, contudo, os controles não vão tão longe quanto alguns anunciantes talvez esperassem: canais próprios do Google, como YouTube, Discover, Gmail, Pesquisa e Maps, continuarão agrupados, sem possibilidade de priorização individual. Em paralelo, o Google também está conduzindo um experimento alpha menor e mais restrito, com controles de canal ainda mais avançados dentro do Performance Max — sinal de que o tema ainda deve evoluir nos próximos meses.

Com informações de searchenginejournal.com.

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