A população mundial deve sair dos atuais quase 8 bilhões de habitantes para cerca de 10 bilhões até 2050. Esse crescimento coloca a produção de comida no centro das preocupações globais nas próximas décadas e exige que máquinas agrícolas fiquem mais inteligentes e conectadas, segundo executivos de grandes fabricantes do setor.
O debate aconteceu no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), evento do agronegócio realizado em São Paulo. Representantes da John Deere, da AGCO e da CNH (Case New Holland) discutiram como a tecnologia pode ajudar a resolver o desafio de alimentar um planeta cada vez mais populoso.
Por que a segurança alimentar depende da inovação das máquinas?
Segundo os executivos presentes no festival, a resposta para alimentar bilhões de pessoas a mais passa por sistemas agrícolas mais inteligentes e acessíveis a produtores de todos os portes. A ideia central é que dados, conectividade e inteligência artificial tornem as decisões no campo mais rápidas e precisas, reduzindo desperdício e aumentando a produtividade.

Cristiano Correia, vice-presidente Global de Cana de Açúcar e de Sistemas de Produção para a América Latina na John Deere, lembrou que o agronegócio já passou por várias transformações. Da tração animal milenar, o setor migrou para a mecanização, depois para o uso de químicos e bioquímicos, até chegar à atual fase de inteligência artificial e robótica aplicadas à produção.
Para Correia, esse avanço tecnológico é essencial porque o setor precisa ser, ao mesmo tempo, mais produtivo e mais sustentável. Dessa forma, os agricultores conseguem tomar decisões mais assertivas no dia a dia da lavoura.
O que a John Deere tem feito nesse sentido?
A empresa mantém, desde 2024, um centro de pesquisa em Indaiatuba, no interior de São Paulo, com investimento de R$ 180 milhões. Segundo Correia, a John Deere já tem 1 milhão de máquinas e 200 milhões de hectares conectados na América Latina.
A companhia lançou recentemente a JD, sua solução de inteligência artificial, que funciona como uma espécie de consultor para o cliente. Com ela, o produtor tem acesso aos dados gerados pela expansão da conectividade em suas operações.
Além disso, a John Deere utiliza a tecnologia See & Spray, que ajuda a aplicar produtos de forma mais otimizada na lavoura, evitando desperdício de insumos.
Como a AGCO aplica inteligência artificial na produção?
Marcelo Traldi, vice-presidente de Fendt e Valtra e gerente geral da AGCO América Latina, afirmou que o setor está deixando de focar apenas na potência das máquinas para investir em inteligência. Segundo ele, tecnologia de ponta no agro ajuda a verticalizar a produção.
Na AGCO, a inteligência artificial já cobre etapas que vão do preparo do solo até a colheita e o armazenamento, gerando dados em cada fase do processo. A PTx, nova empresa do grupo, desenvolveu a solução OUT RUN, que tem conseguido elevar em 60% a velocidade na colheita e reduzir em 15% o consumo de combustível, além de permitir operação contínua, de 24 horas, dentro da janela ideal de colheita.
Ao mesmo tempo, a companhia tem investido na requalificação de operadores, com planos de carreira pensados para um mundo agrícola cada vez mais automatizado.
Quais caminhos a CNH aponta para o futuro do campo?
Eduardo Kerbauy, vice-presidente de Marketing para a América Latina na CNH, defendeu que a pergunta sobre quem vai alimentar o mundo pode ser respondida com base em três pilares: combustíveis alternativos, agricultura regenerativa e adoção de inteligência artificial e inovação.
No campo dos combustíveis, Kerbauy destacou que a CNH lançou o primeiro trator agrícola movido a biometano do mundo. A empresa também tem desenvolvido máquinas elétricas e tratores movidos a hidrogênio.
Sobre as plataformas de monitoramento em tempo real da companhia, o executivo afirmou que elas trazem avanços até no pós-venda das máquinas. Com o uso de alarmes, os concessionários conseguiram migrar da manutenção reativa, feita depois de um problema aparecer, para a manutenção proativa, que antecipa falhas antes que elas ocorram.
Os relatos apresentados no GAFFFF mostram que as três fabricantes caminham na mesma direção: usar dados e inteligência artificial para tornar a produção de alimentos mais eficiente diante do crescimento populacional previsto para as próximas décadas.
Com informações de infomoney.com.br.