O Snapchat vai encarar, pela primeira vez, um tribunal sob acusação de causar vício em redes sociais entre crianças e adolescentes. O julgamento, que começou nesta quarta-feira (28) em Los Angeles, também coloca o Instagram, da Meta, no banco dos réus. Ou seja, as duas gigantes das redes sociais terão que se explicar diante de um júri sobre como suas plataformas afetam a saúde mental dos jovens usuários.
Esse não é um caso isolado. Nos últimos anos, milhares de processos foram abertos em tribunais locais, estaduais e federais dos Estados Unidos, todos com acusações parecidas: a de que essas plataformas teriam causado danos reais a crianças e adolescentes.
Como funciona o julgamento sobre vício em redes sociais
A seleção dos jurados começou nesta quarta-feira, e as audiências devem se estender de 4 de novembro até meados de dezembro. No entanto, nem tudo está decidido: a Snap, empresa dona do Snapchat, e a Meta ainda têm a possibilidade de fechar um acordo antes de qualquer veredito sair.
Snap e Meta ainda podem fazer um acordo antes do veredito
Além disso, o caso promete trazer depoimentos de peso. Segundo os advogados das partes demandantes, os responsáveis pelas duas empresas — Mark Zuckerberg, da Meta, e Evan Spiegel, da Snap — devem depor em meados de novembro. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, também deve ser ouvido. As acusações são graves: as plataformas teriam sido projetadas de propósito para gerar dependência, o que resultaria em depressão, ansiedade, transtornos alimentares e automutilação entre os jovens.
Quem está por trás dos processos
Duas demandantes dão nome ao caso que chega agora ao tribunal. S.J., de 16 anos, moradora de Illinois, já fechou acordo com a Meta e segue apenas com o processo contra a Snap. Já K.D.B., de 18 anos, do Mississippi, mantém a ação contra os dois grupos simultaneamente.
Por trás dessa escolha específica está uma estratégia judicial maior: um juiz estadual da Califórnia decidiu consolidar os dois casos em um único julgamento. A ideia é que esse processo sirva de parâmetro para resolver os milhares de outras ações acumuladas no estado — dessa forma, o resultado deste julgamento pode acabar influenciando diretamente o desfecho de muitos outros processos semelhantes.
O que dizem Snap e Meta
As empresas, por sua vez, não ficaram caladas. Um porta-voz da Snap afirmou à AFP que o Snapchat “abre na câmera, não em um feed”, e que as acusações “distorcem fundamentalmente” a experiência das demandantes com o aplicativo.
A Meta seguiu linha parecida em sua defesa. A empresa ressaltou que “a saúde mental de um jovem é moldada por vários fatores” e argumentou que uma das demandantes “usou muito mais o TikTok do que o Instagram ou Facebook” — ou seja, tentou colocar em xeque a relação direta entre o uso de suas plataformas e os danos alegados.
Apesar disso, o desfecho ainda é incerto. Com depoimentos de executivos de peso previstos e a possibilidade de acordo pairando sobre o caso, o julgamento deve se arrastar por semanas e pode se tornar um divisor de águas na forma como a Justiça americana trata a responsabilidade das big techs sobre o bem-estar de crianças e adolescentes nas redes sociais.
Com informações de redir.folha.com.br.