Enquanto especialistas discutem qual sigla vai definir a nova era da otimização para buscas com inteligência artificial — GEO, AEO, LLM optimization, AI search optimization —, quem está na ponta comprando esse tipo de serviço parece bem menos preocupado com nomenclatura. A treta dos termos rola solta no LinkedIn, aparece em apresentação de agência e vira papo de happy hour em evento do setor, mas isso não significa que seja só implicância.
A escolha das palavras importa, sim: ela influencia como as empresas contratam, definem orçamento, medem resultado e explicam o trabalho internamente. Só que existe uma diferença e tanto entre o vocabulário que a indústria usa pra parecer antenada e o vocabulário que o cliente realmente usa quando precisa resolver um problema.
O que a pesquisa descobriu
Pra entender esse descompasso, a agência Fractl ouviu 343 tomadores de decisão de marketing nos Estados Unidos, buscando entender como eles nomeiam, financiam e avaliam a otimização para busca com IA. Os números mostram que a mudança na prática do trabalho está andando bem mais rápido do que a mudança no vocabulário de quem paga a conta.
- 81% dos profissionais ainda chamam a estratégia de visibilidade em buscas com IA simplesmente de SEO;
- 70% pesquisariam por “AI search optimization” (46%) ou por “SEO” (24%) caso precisassem de ajuda com visibilidade em buscas com IA;
- Executivos do alto escalão (C-level) usam os termos “GEO” (28%) e “AEO” (17%) cerca de três vezes mais do que profissionais operacionais (9% e 3%, respectivamente);
- 36% apontaram o excesso de termos da moda sem explicação clara como o maior sinal de alerta na hora de avaliar um fornecedor;
- 66% já usaram ferramentas baseadas em IA para pesquisar fornecedores de marketing;
- em média, 24% do orçamento de busca ou conteúdo já é destinado à visibilidade em buscas com IA.
Na prática, a maioria dos profissionais continua chamando esse trabalho de SEO. Boa parte ainda está pesquisando o significado das siglas novas. E, na hora de escolher um fornecedor, o que pesa mesmo são estudos de caso concretos, metodologia clara e experiência comprovada — não fluência em jargão.
Metade do mercado ainda está aprendendo o vocabulário novo

Mesmo que dentro da bolha do setor os termos pareçam consolidados, a maior parte das equipes de marketing ainda está correndo atrás do prejuízo. Metade dos entrevistados admitiu já ter pesquisado o significado de um termo depois de vê-lo usado por um concorrente ou colega.
Apenas 27% das equipes adotaram formalmente algum termo além de SEO para descrever suas ações de busca com IA. Outros 42% decidiram não adotar, e 31% ainda estão em cima do muro. Isso não quer dizer resistência à estratégia em si — é sinal de que falta clareza na comunicação com quem compra.
Aí mora um cuidado importante para quem vende esse tipo de serviço: quando perguntados sobre como reagem a termos como GEO ou AEO numa proposta comercial, 42% disseram que depende do contexto oferecido, 30% acharam a linguagem inovadora, 22% disseram que não fez diferença nenhuma, e 7% afirmaram que isso deixou o fornecedor menos confiável.
O recado é claro: não deixe a sigla carregar sozinha a proposta. Use o termo se ajudar, mas explique o trabalho de verdade — como a busca com IA muda a descoberta de marcas, as citações, a autoridade de terceiros, a estrutura de conteúdo e a forma de medir resultado.
Curiosamente, líderes mais seniores são os que mais adotam a terminologia nova: 36% dos diretores e executivos C-level dizem que suas equipes já foram além do SEO tradicional. Só que esse mesmo grupo é o que mais precisa pesquisar termos desconhecidos — 56% admitem fazer isso. Ou seja: muitos executivos se interessam pelo assunto antes mesmo de a empresa ter um modelo de trabalho definido para ele, geralmente porque viram a sigla num slide de reunião de diretoria.
Orçamento já existe, mas a estratégia ainda está se ajeitando
Categoria ainda incerta no nome, mas certa no bolso: as empresas já estão investindo pesado nisso. Em média, 24% do orçamento total de busca ou conteúdo vai para visibilidade em buscas com IA. Até 82% das equipes já destinam pelo menos uma parte da verba para essa frente, e 43% já ultrapassam os 20% do orçamento total.
Times de SEO e performance investem proporcionalmente mais nessa área do que equipes de conteúdo e marca — o que faz sentido, já que são eles que primeiro percebem mudanças em impressões, rankings, qualidade de tráfego e conversões assistidas.
O maior desafio apontado, porém, não foi medir resultado: 28% dos profissionais disseram que o problema é a velocidade das mudanças no cenário. Na sequência vêm a dificuldade de medir desempenho em resultados gerados por IA (17%), a indecisão sobre qual plataforma de IA priorizar (15%) e a falta de padrões ou boas práticas consolidadas no setor (13%).
Cada plataforma de IA puxa pro seu lado

O foco das equipes ainda está bem fragmentado entre as plataformas de IA. O ChatGPT lidera as prioridades, com 34% dos profissionais de marketing apostando nele, seguido por Gemini (16%), Claude (6%) e Copilot ou Bing AI (5%). O Perplexity, apesar de toda a atenção que recebe nas rodas de SEO, aparece com apenas 1%. E 14% ainda nem escolheram uma plataforma-alvo.
Para times mais avançados, uma estratégia específica por plataforma pode fazer sentido. Mas muitas empresas ainda estão num estágio anterior: precisam entender de onde ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity ou o AI Overviews do Google estão puxando informação — listas, threads do Reddit, páginas de análise, mídia especializada, transcrições de vídeo, o próprio site da marca ou conteúdo de concorrentes — e quais dessas fontes dá pra realmente influenciar.
A recomendação é evitar os dois extremos: nem ignorar a busca com IA só porque o tráfego ainda não despencou, nem sair correndo atrás de todas as plataformas ao mesmo tempo. O caminho é mapear onde a IA já influencia a categoria do negócio, testar os tipos de pergunta que o público provavelmente faria e acompanhar como marca, concorrentes e veículos aparecem nas respostas do ChatGPT, Gemini, AI Overviews, Claude e Perplexity — de olho nas fontes e citações que se repetem.
Para quem presta esse tipo de serviço, a aposta vencedora não é prometer otimização para todas as plataformas de IA ao mesmo tempo, e sim mostrar, com clareza, onde a busca com IA já está mudando o jogo naquele setor específico, quais plataformas realmente importam agora e quais ações têm mais chance de melhorar a visibilidade.
Com informações de searchengineland.com.


