A discussão sobre Totvs e IA ganhou força após a queda das ações de empresas de software em 2026. Para a XP, porém, o movimento abriu uma oportunidade em Totvs (TOTS3). A corretora reiterou a recomendação de compra, elevou o preço-alvo para R$ 47 por ação e calcula potencial de valorização de 37%.
Na avaliação da equipe de análise, a desvalorização recente do papel não representa uma piora nos fundamentos operacionais da companhia. O recuo estaria ligado principalmente ao receio de que a inteligência artificial reduza a importância dos modelos tradicionais de SaaS.
O UBS BB tem uma visão mais cautelosa sobre valuation, mas concorda em pontos importantes. O banco ressalta a força da franquia de software da Totvs, a elevada retenção de clientes e o avanço da estratégia de monetização de IA.
Totvs e IA: queda das ações não acompanha operação

Segundo a XP, a Totvs acabou incluída em um movimento global de venda de ações de software. O mercado passou a considerar que ferramentas de inteligência artificial poderiam diminuir a demanda por aplicações corporativas tradicionais. No entanto, os indicadores da empresa mostram um cenário diferente.
No segundo trimestre, a companhia alcançou volume recorde de adições brutas de ARR, ampliou margens e avançou na adoção de produtos relacionados à IA. Esses resultados ocorreram ao mesmo tempo em que TOTS3 enfrentava forte desvalorização.
A corretora também observa que os investidores passaram a reagir mais aos temores globais relacionados à inteligência artificial do que aos resultados específicos da Totvs. Um sinal disso foi o aumento significativo da correlação entre TOTS3 e o ETF global de software IGV em 2026.
Para a XP, essa reação trata empresas de software como se fossem uma única classe de ativo, sem considerar diferenças entre modelos de negócios e níveis de exposição ao risco de disrupção. Dessa forma, a casa entende que o mercado pode estar exagerando no pessimismo sobre a Totvs.
Barreiras competitivas reduzem risco de substituição

Um dos pilares da tese positiva está no tipo de atividade atendida pela Totvs. A empresa fornece sistemas para folha de pagamento, contabilidade, gestão financeira, impostos e cadeia de suprimentos — áreas em que erros podem gerar impactos relevantes.
De acordo com a XP, aplicações que exigem acurácia acima de 99,9% tendem a ser menos suscetíveis a uma substituição rápida por agentes de inteligência artificial. Além disso, a Totvs possui mais de 70 mil clientes, décadas de dados proprietários e conhecimento específico das regras regulatórias brasileiras.
Esse conjunto aumenta os custos de troca de sistema e ajuda a proteger a operação. O UBS também considera limitado o risco de desintermediação do negócio principal, já que a Totvs controla fluxos de trabalho, relacionamentos com clientes e dados corporativos que poderão servir de base para novas aplicações de IA.
Monetização de IA pode ganhar força em outubro
XP e UBS avaliam que os próximos meses podem marcar uma mudança importante na monetização de inteligência artificial pela Totvs. Segundo o UBS, a companhia já conduz nove projetos-piloto e deve apresentar, em outubro, durante o evento Universo Totvs, seu primeiro portfólio comercial de soluções de IA e a respectiva estratégia de cobrança.
A proposta é estabelecer preços conforme as tarefas executadas e o valor econômico gerado para os clientes, em vez de adotar uma cobrança baseada no consumo de tokens ou no processamento computacional. Assim, o banco acredita que o formato pode facilitar a adesão de pequenas e médias empresas e aproximar o preço da produtividade entregue.
A XP também identifica sinais favoráveis. As receitas dos chamados “AI enablers” responderam por 28% das adições líquidas de ARR no segundo trimestre, acima dos níveis registrados no fim de 2025.
Projeções indicam recuperação dos resultados
A XP projeta receita líquida de R$ 1,97 bilhão para a Totvs no terceiro trimestre de 2026, alta de 12,8% na comparação anual. O EBITDA ajustado deve chegar a R$ 505 milhões, com margem de 25,7%, enquanto o lucro líquido ajustado é estimado em R$ 234 milhões.
Para 2027, a previsão é de receita próxima de R$ 8,8 bilhões e EBITDA de R$ 2,35 bilhões. A expectativa considera o crescimento recorrente, a captura de sinergias da aquisição da Linx e uma maior alavancagem operacional.
O UBS também espera aceleração dos resultados nos próximos anos. Na visão do banco, a recuperação da Linx deve avançar de uma etapa concentrada em cortes de custos para outra voltada à expansão de receitas e às vendas cruzadas pelos canais da Totvs.
A diferença entre as instituições aparece principalmente na estimativa de valorização. A XP calcula que os papéis são negociados a cerca de 15 vezes o lucro projetado para 2027, aproximadamente 30% abaixo da média histórica, e vê espaço para uma forte reprecificação. Já o UBS mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 36,50.
Com informações de infomoney.com.br.