A gigante taiwanesa de chips TSMC está de olho em alternativas aos componentes de terras raras usados em seus equipamentos de fábrica. A informação é de três pessoas próximas ao assunto, segundo a agência Reuters, e o objetivo por trás do movimento é claro: reduzir o risco de que os controles de exportação impostos pela China travem a produção dos semicondutores mais avançados do planeta.
Esse tipo de precaução não surge do nada. No ano passado, a China passou a exigir licenças para exportar determinados materiais de terras raras, ímãs e tecnologias de processamento ligadas a eles. Como resultado, o domínio chinês sobre esses insumos virou um calcanhar de aquiles para toda a indústria global de semicondutores — e a TSMC, claro, não quer ficar refém dessa equação.
Por que terras raras importam tanto para a TSMC
Os ímãs de terras raras são peças-chave em motores que movimentam componentes de equipamentos industriais, incluindo as máquinas altamente automatizadas que rodam dentro das fábricas da TSMC. Ou seja, se essas peças especializadas ficarem escassas, o impacto pode se espalhar rapidamente: afinal, a produção de chips alimenta cadeias inteiras de smartphones, sistemas de inteligência artificial, data centers e até defesa.
Por isso, de acordo com três executivos do setor que foram informados pela empresa sobre seus planos, a TSMC já consultou fornecedores sobre a viabilidade de motores que dispensem terras raras em equipamentos de automação industrial. Uma dessas fontes foi direta: a iniciativa nasceu de preocupações reais com possíveis interrupções no fornecimento vindo da China.
Apesar disso, vale destacar que as conversas ainda estão em fase inicial. Até agora, segundo duas das pessoas ouvidas pela Reuters, elas não resultaram na adoção em larga escala de equipamentos livres desses materiais. A TSMC, por sua vez, optou por não comentar o assunto.
Taiwan e Estados Unidos também correm atrás de alternativas
O movimento da TSMC não é um caso isolado. Tanto os Estados Unidos quanto Taiwan já sinalizaram publicamente que pretendem reduzir a dependência das cadeias chinesas de terras raras e minerais críticos.
Em junho, Raymond F. Greene, diretor do Instituto Americano em Taiwan — que funciona como a embaixada de fato de Washington em Taipei — afirmou que os Estados Unidos estão trabalhando ao lado de Taiwan e de outros parceiros para desenvolver fontes alternativas de fornecimento, expandir a capacidade de processamento e montar cadeias de suprimentos mais resilientes.
Do lado taiwanês, o ministro da Economia, Kung Ming-hsin, disse em fevereiro que o governo vai apoiar o Instituto de Pesquisa de Tecnologia Industrial (ITRI), organização de pesquisa local, no desenvolvimento de tecnologias próprias de terras raras. A ideia é ambiciosa: em até três anos, Taiwan pretende ter uma linha-piloto de produção capaz de suprir cerca de 50% da demanda interna da ilha.
- TSMC consulta fornecedores sobre motores sem terras raras para equipamentos de automação
- Discussões ainda em estágio inicial, sem adoção ampla até o momento
- EUA e Taiwan buscam fontes alternativas e cadeias mais resilientes
- ITRI planeja linha-piloto capaz de atender 50% da demanda interna em até três anos
Interesse americano no projeto taiwanês
O trabalho do ITRI chamou a atenção das autoridades norte-americanas, que mantiveram conversas com o instituto sobre a diversificação das cadeias de fornecimento de minerais críticos. A informação vem de uma pessoa ligada a um centro de estudos sediado nos Estados Unidos e familiarizada com essas discussões. Já o Departamento de Estado do país não respondeu de imediato ao pedido de comentário feito pela Reuters.
Em nota, o próprio ITRI confirmou que está trabalhando junto ao Departamento de Tecnologia Industrial do Ministério de Assuntos Econômicos de Taiwan no planejamento de um projeto voltado às terras raras, mas não deu mais detalhes sobre o andamento das tratativas.
No fim das contas, o episódio mostra como um elo aparentemente discreto da cadeia produtiva — os ímãs e materiais de terras raras — se tornou peça central da geopolítica dos chips. Enquanto a TSMC testa alternativas nos bastidores, governos dos dois lados do Pacífico correm para garantir que a produção dos semicondutores mais avançados do mundo não dependa de uma única fonte de fornecimento.
Com informações de redir.folha.com.br.