A Anthropic informou a investidores que espera registrar lucro operacional ajustado neste trimestre, pelo segundo período consecutivo. A sinalização ocorre enquanto a fabricante do Claude se prepara para uma possível oferta pública inicial de ações e tenta afastar dúvidas sobre o ritmo elevado de gastos das empresas de inteligência artificial.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a companhia apresentou a previsão a um grupo restrito de acionistas. O cálculo considera o resultado antes de despesas como remuneração baseada em ações. A informação foi divulgada em 13.set.2026 às 23h05 por George Hammond e James Fontanella-Khan, do Financial Times.
Lucro da Anthropic ganha peso antes da abertura de capital

As margens brutas da Anthropic estão acima de 80%, antes da divisão de receitas com parceiros de distribuição, como a Amazon, e da inclusão dos custos de treinamento dos modelos. Duas pessoas a par dos dados relataram essas informações.
Por isso, a manutenção do lucro da Anthropic é vista como um marco para uma empresa que tem cinco anos de existência. A startup escolheu a Nasdaq para sua listagem, que poderá atribuir à companhia um valor de US$ 2 trilhões ou mais, segundo uma pessoa familiarizada com o processo. A empresa não quis comentar.
A expectativa era que o prospecto fosse divulgado na semana passada. No entanto, a companhia compartilhou documentos com um grupo pequeno de investidores e deverá responder às perguntas desse público antes de tornar o material disponível de forma mais ampla.
Receita cresce, mas setor enfrenta pressão

O lucro da Anthropic no segundo trimestre veio depois de a receita crescer 14 vezes na comparação anual, alcançando US$ 11,5 bilhões. No fim de julho, a receita anualizada chegou a US$ 65 bilhões, contra US$ 9 bilhões registrados no fim do ano passado.
Os investidores estimam que a Anthropic termine o ano com receita anualizada de US$ 120 bilhões e chegue ao fim de 2027 com quase o triplo desse montante. Joey Brookhart, analista de laboratórios de IA na SemiAnalysis, avaliou:
“Se você continuar operando com essas margens e taxas de crescimento, será muito difícil competir [com a Anthropic], porque eles dispõem de muitos [recursos computacionais]”
Apesar dos números, a abertura de capital ocorre em um ambiente de forte questionamento sobre os efeitos da tecnologia no meio ambiente, no mercado de trabalho e no futuro da humanidade. Além disso, os potenciais investidores terão de avaliar os riscos ligados à segurança da IA e a um modelo de negócios que ainda não foi testado no mercado de capitais.
Executivos defendem desaceleração da inteligência artificial

Dario Amodei, presidente-executivo da startup avaliada em US$ 965 bilhões, pediu no sábado que o setor reduza a velocidade do desenvolvimento. Em um ensaio, ele escreveu que a indústria “precisa desacelerar o ritmo com que aprimoramos as capacidades dos modelos de IA”.
O pedido foi apoiado por Sam Altman, chefe da OpenAI, e Elon Musk, presidente da SpaceX. Altman confirmou à Fortune no sábado que a OpenAI continuará fechada neste ano, embora tenha apresentado confidencialmente, em junho, sua documentação para um IPO. Para ele, 2026 seria um “momento imprudente” para abrir o capital diante das preocupações com a segurança da IA.
Enquanto isso, funcionários de laboratórios rivais conversaram nas últimas semanas sobre medidas para administrar com segurança o avanço da tecnologia. As discussões foram motivadas por falhas recentes de segurança, pelo desconforto de pesquisadores com o poder dos novos modelos e pela avaliação de que o presidente Donald Trump dificilmente frearia o setor.
“Estamos por nossa conta aqui”, disse um funcionário de um laboratório de fronteira.
As conversas ajudaram a preparar manifestações públicas e alinhadas de Altman e Amodei em favor de uma desaceleração. Ainda assim, reduzir o ritmo poderia economizar bilhões de dólares em treinamento, mas também abrir espaço para que concorrentes diminuíssem a distância. O Business Insider já havia informado que a Anthropic seria listada na Nasdaq.