Desacelerar IA virou um desafio ainda maior diante da possibilidade de países rivais, principalmente a China, não acompanharem eventuais limites para o avanço da tecnologia. A avaliação é de Dario Amodei, CEO da Anthropic, feita neste domingo durante entrevista ao programa “Sunday Morning”, da CBS News.
Segundo Amodei, um acordo internacional para criar um “limite de velocidade” no desenvolvimento da inteligência artificial seria “muito difícil”. Entre os principais obstáculos estão os fortes incentivos econômicos e a vantagem militar que podem surgir para quem avançar mais rapidamente. Mesmo sem saber se a coordenação entre os países é viável, o executivo defendeu que a tentativa precisa ser feita.
Desacelerar IA esbarra na disputa entre países

A declaração foi dada um dia depois de Amodei divulgar um ensaio no qual pede que as empresas reduzam o ritmo de aprimoramento de seus modelos mais avançados. O documento surgiu após pesquisadores do setor alertarem para o potencial de danos catastróficos associados à tecnologia.
Entre os episódios citados nesse contexto está a saída de Jacob Coxon da Anthropic. O pesquisador afirmou publicamente que a empresa e sua principal rival, a OpenAI, estão “apostando com nossas vidas”. Assim, a discussão sobre desacelerar IA ocorre em meio a preocupações crescentes sobre os riscos dos sistemas mais avançados.
Além disso, o setor enfrenta reação pública contra a instalação de data centers e pressão cada vez maior por regulação em Washington. Anthropic e OpenAI também se preparam para possíveis aberturas de capital, embora ainda não exista uma data definida para essas operações.
Líderes reagem à proposta da Anthropic

Neste sábado, Sam Altman, CEO da OpenAI, disse à revista Fortune que a empresa provavelmente não deve abrir capital neste ano. Ele citou preocupações relacionadas à segurança. Apesar do histórico de relação desgastada com Amodei, Altman apoiou o ensaio em uma publicação na rede social X e concordou com a necessidade de moderar o desenvolvimento da fronteira tecnológica da IA.
Outros nomes importantes também comentaram a ideia de desacelerar IA. Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind, classificou a proposta como “caminho correto”. Já o bilionário Elon Musk defendeu que empresas concorrentes façam revisões mútuas de suas práticas de segurança.
Plano prevê três etapas para reduzir o ritmo

No ensaio, Amodei apresentou um plano dividido em três etapas. A proposta busca desacelerar IA sem prejudicar a vantagem comercial das empresas americanas nem a liderança dos Estados Unidos no setor.
A Anthropic afirma que já colocou em prática, de forma unilateral, a primeira fase. Ela prevê que avaliadores externos tenham acesso equivalente ao dos funcionários da companhia para verificar seus procedimentos de segurança. Dessa forma, a empresa pretende ampliar a análise independente de seus modelos e práticas.
China defende governança global para a inteligência artificial
Também neste domingo, o presidente chinês, Xi Jinping, defendeu durante a cúpula do BRICS, na Índia, a criação de um “arcabouço de governança global de IA baseado em consenso”. Na ocasião, ele anunciou que a China apoiará uma comunidade de código aberto em inteligência artificial entre os países do bloco.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve se reunir com Xi na Casa Branca em 24 de setembro. O tema da IA deve fazer parte da conversa, que ocorre justamente em um momento de disputa internacional sobre como desacelerar IA e controlar os riscos associados ao avanço da tecnologia.