Os riscos da IA provocaram respostas diferentes entre governos e organismos internacionais. China e Estados Unidos reduziram o tom das previsões mais alarmantes sobre o avanço da tecnologia, enquanto a Organização das Nações Unidas defendeu medidas imediatas para conter possíveis danos.
Em 14.set.2026 às 11h00, com atualização às 12h07, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que existe exagero no debate e classificou o desenvolvimento da inteligência artificial como uma oportunidade positiva. A declaração foi dada nesta segunda-feira (14).
Riscos da IA entram no debate de segurança da China

Segundo o porta-voz do ministério, Guo Jiakun, a criação de narrativas ameaçadoras pode dificultar a construção de regras internacionais para a tecnologia. “Disseminar diversas narrativas de ameaça e promover confrontos e concorrência maliciosa apenas prejudicará o processo de governança global da inteligência artificial e não atende aos interesses de nenhuma das partes”, disse.
Apesar do discurso público mais moderado, o órgão de inteligência chinês demonstrou preocupação com os riscos da IA para a segurança política e social do país. A avaliação indica que Pequim teme o uso da tecnologia por grupos interessados em atingir a China.
O ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, afirmou que adversários podem recorrer a ferramentas generativas para espalhar conteúdos falsos e estimular divisões sociais.
“Forças hostis e pessoas com segundas intenções estão abusando de tecnologias de IA generativa, como áudios e vídeos deepfake, textos e imagens gerados por IA e ‘exércitos inteligentes de trolls’, para fabricar rumores políticos, disseminar informações nocivas e incitar sentimentos de divisão de forma barata e em grande escala”.
Essa foi a primeira manifestação pública de Chen Yixin sobre inteligência artificial. No entanto, o Ministério da Segurança do Estado não afirmou que a tecnologia poderia causar a extinção da humanidade nem pediu que as empresas chinesas diminuíssem o ritmo de desenvolvimento.
Estados Unidos também rejeitam previsões mais extremas

No domingo (13), o presidente dos EUA, Donald Trump, também criticou as previsões consideradas excessivamente negativas sobre os riscos da IA. “Acho que há muitas forças negativas levantando essa questão quando não deveriam, e estão sugerindo coisas que não vão acontecer”, disse.
China e Estados Unidos concentram empresas responsáveis por alguns dos modelos mais avançados de inteligência artificial. Por isso, os dois países passaram a ser observados com atenção depois de uma invasão contra a Hugging Face, empresa de infraestrutura de IA.
O ataque foi orquestrado por um grupo de agentes de IA criados pela OpenAI. A ação em massa resultou no roubo de dados, no controle de um servidor e em uma tentativa de apagar os rastros. Além disso, outro incidente semelhante ocorreu dentro da OpenAI pouco depois.
Os episódios ampliaram o temor de que sistemas automatizados possam escapar rapidamente do controle humano e provocar consequências potencialmente devastadoras. Dessa forma, os riscos da IA passaram a ser discutidos não apenas como uma questão tecnológica, mas também como um problema de segurança.
Europa defende inovação com comprovação de segurança

A União Europeia declarou que as empresas devem comprovar a segurança de seus serviços, embora continue apoiando o desenvolvimento e a inovação no setor. A posição tenta equilibrar o avanço da tecnologia com a necessidade de reduzir os riscos da IA.
No Reino Unido, o rei Charles 3º deve se reunir nesta semana com representantes de Nvidia, Google, DeepMind, OpenAI e Anthropic. Também participarão autoridades governamentais e outras pessoas. O encontro terá como tema o desenvolvimento e o uso da IA “de maneiras que beneficiem a sociedade”.
O debate ganhou força depois que Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou no sábado (12) uma carta aberta pedindo que o desenvolvimento da inteligência artificial seja desacelerado. A solicitação ocorreu após a invasão à Hugging Face e os demais incidentes envolvendo sistemas de IA.
ONU pede “ação urgente” para regular a tecnologia
Na contramão das declarações de China e Estados Unidos, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta segunda uma “ação urgente” para regulamentar a inteligência artificial.
“Estamos à beira de uma mudança irreversível, que afeta não apenas a nós, mas também as futuras gerações da humanidade”, disse Türk. “Exorto os Estados e as empresas a se mobilizarem urgentemente em estruturas multilaterais…Todos os direitos humanos estão ameaçados [por essa tecnologia], incluindo “o direito à vida”, avaliou.
Para a ONU, os riscos da IA mais avançada são sem precedentes e podem atingir direitos fundamentais. Por isso, Türk defendeu uma mobilização conjunta de governos e empresas em estruturas multilaterais, antes que os efeitos da tecnologia se tornem irreversíveis.