O papa Leão 14 voltou a chamar atenção para os riscos da inteligência artificial nesta quarta-feira (16). Durante sua audiência semanal no Vaticano, o pontífice criticou a possibilidade de decisões humanas serem transferidas para algoritmos, justamente em um momento de preocupação crescente com os rumos da tecnologia.
Inteligência artificial não deve substituir a consciência humana

Publicado em 16.set.2026 às 14h03, o alerta reforça uma posição que Leão 14 já havia apresentado em sua primeira encíclica, divulgada em maio. No documento, o papa defende a necessidade de “desarmar” a inteligência artificial para “impedir que domine o humano”.
A preocupação em torno da inteligência artificial aumentou nas últimas semanas após uma série de incidentes de segurança. Também ganhou força o debate sobre a nova capacidade de alguns modelos de autoaperfeiçoamento sem intervenção humana.
Além disso, executivos da OpenAI, xAI e Anthropic defenderam uma desaceleração no desenvolvimento dessas ferramentas. A discussão envolve ainda a capacidade de autorregulamentação do próprio setor.
O alerta feito durante a audiência no Vaticano

Ao falar diante dos milhares de fiéis reunidos na praça de São Pedro, o papa reconheceu que a inteligência artificial, assim como os meios de comunicação de massa e as redes sociais, pode ampliar o contato entre pessoas e derrubar barreiras.
“O desenvolvimento tecnológico, a difusão dos meios de comunicação de massa e das redes sociais, o recurso cada vez maior à IA abrem novas possibilidades, ao derrubar barreiras e distâncias”
No entanto, Leão 14 ponderou que esse avanço também pode tornar os relacionamentos menos pessoais e mais virtuais. Por isso, o pontífice alertou para o risco de a sociedade se acostumar a entregar aos algoritmos escolhas que deveriam permanecer ligadas à responsabilidade individual.
“Por outro lado, as relações tendem a se tornar cada vez menos pessoais, cada vez mais virtuais, e corremos o risco de nos acostumarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem apenas à consciência humana”
Santa Sé defende governança internacional da IA

Na mesma linha, o papa afirmou que a comunidade cristã pretende contribuir para que os vínculos sociais mantenham consistência e profundidade pessoal. A declaração coloca a inteligência artificial dentro de uma discussão mais ampla sobre o impacto das novas tecnologias na convivência.
“Velar para que as relações sociais tenham uma verdadeira consistência e uma profundidade pessoal é, nesse sentido, a contribuição que a comunidade cristã se propõe a oferecer”
Nos últimos meses, a Santa Sé também publicou uma série de intervenções e iniciativas em defesa de uma governança internacional da inteligência artificial baseada na dignidade humana. As ações abrangem especialmente os campos nuclear, cultural e da criação artística.
Dessa forma, o posicionamento do Vaticano combina a preocupação com a segurança e a autonomia dos sistemas com a defesa de limites éticos. Para Leão 14, o avanço tecnológico pode abrir novas possibilidades, mas não deve afastar as pessoas da responsabilidade por suas próprias decisões.