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Agente de IA da Meta: veja como Zuckerberg acelerou lançamento do Muse após susto com rival

Por: Eduardo Carrega
10/10/2026
05:00h
Agente de IA da Meta: veja como Zuckerberg acelerou lançamento do Muse após susto com rival
Entenda como Zuckerberg acelerou o lançamento do agente de IA da Meta, o Muse, após ver uma startup rival ganhar tração no mercado.
RESUMIR COM:

Em agosto, Mark Zuckerberg chamou dois nomes de peso da Meta para uma reunião de emergência: Alexandr Wang, diretor de inteligência artificial, e Nat Friedman, chefe de produtos de IA. O motivo? Uma ameaça que vinha crescendo rápido demais para ser ignorada. Uma startup com apenas 14 funcionários, a Instinct, havia desenvolvido um agente de IA — ou seja, um programa capaz de operar aplicativos e sistemas em nome do próprio usuário — e o produto começava a bombar.

Em agosto, Mark Zuckerberg chamou dois nomes de peso da Meta para…

A Meta já tinha algo parecido engatilhado, batizado de Muse, mas o lançamento vinha sendo segurado por causa de preocupações de segurança. Diante do avanço da concorrente, porém, Zuckerberg decidiu que não dava mais para esperar. Segundo três pessoas com conhecimento direto da reunião, que preferiram não se identificar por se tratar de informações confidenciais, o CEO declarou que o Muse estava pronto para ir ao ar, riscos incluídos.

Agente de IA da Meta foi liberado mesmo com falhas conhecidas

Wang, de 29 anos, e Friedman, de 49, sabiam dos problemas identificados em testes recentes — um deles envolvia o próprio agente alterando a senha de um usuário sem qualquer autorização. Ainda assim, em 8 de setembro, o Muse foi lançado publicamente, exatamente como Zuckerberg havia determinado.

Esse episódio escancara o dilema que empresas de IA enfrentam o tempo todo: equilibrar velocidade de lançamento e segurança numa corrida onde ninguém quer ficar para trás. Afinal, quanto mais a tecnologia avança, mais útil — e também mais arriscada — ela se torna, o que torna essas decisões cada vez mais espinhosas.

Zuckerberg já investiu bilhões de dólares na área de IA da Meta, mas por anos viu concorrentes como OpenAI e Anthropic saírem na frente com chatbots e ferramentas de programação. Dessa vez, no segmento de agentes pessoais, a empresa dona do Facebook e do Instagram precisava de uma vitória — e a velocidade falou mais alto.

A aposta parece ter valido a pena, pelo menos por enquanto: a Meta conquistou certa dianteira num mercado considerado a próxima grande fronteira da indústria de IA. Não demorou para que outros players reagissem — três semanas depois do Muse, a OpenAI anunciou seu próprio agente, o Dots.

“A coisa mais interessante sobre o Muse é que a Meta chegou primeiro”, disse Avi Greengart, analista da consultoria Techsponential.

Números do Muse e a ofensiva de marketing da Meta

Até agora, o agente da Meta registrou poucos tropeços de segurança — um deles foi fornecer o endereço de um usuário a um vendedor do Facebook Marketplace sem permissão. Mesmo assim, o desempenho comercial impressiona: até quarta-feira, mais de 6,6 milhões de pessoas já haviam baixado o aplicativo gratuito, com 1,8 milhão usando-o diariamente, segundo dados da Sensor Tower.

Para sustentar esse ritmo, a Meta não está economizando em divulgação. A empresa tem investido milhões de dólares em campanhas de marketing para o Muse, espalhando por aí seu mascote peludo, o Jolly, em outdoors e comerciais de TV.

“Você não pode parar o Muse”, declarou Wang em uma publicação nas redes sociais no mês passado.

Um porta-voz da Meta, no entanto, negou que a pressa no lançamento tenha sido motivada pela concorrência da Instinct. “Temos orgulho desse trabalho e, como já dissemos publicamente, chegamos a adiar o lançamento do Muse por vários meses para garantir que tudo fosse feito corretamente”, afirmou em comunicado.

Como nasceu o projeto que virou o agente de IA Muse

A história do Muse começou em julho de 2025, quando Zuckerberg publicou um memorando de 616 palavras sobre “superinteligência pessoal” — uma IA capaz de funcionar como o assistente definitivo. Pouco antes disso, ele já havia reorganizado toda a divisão de inteligência artificial da empresa em torno dessa ideia, trazendo justamente Wang e Friedman para tocar o projeto.

Os dois executivos partiram então para uma ofensiva de contratações, tirando pesquisadores de peso da OpenAI e do Google com pacotes de remuneração de nove dígitos. As funções foram divididas: Wang cuidou do desenvolvimento dos modelos de IA, enquanto Friedman ficou com a parte de produtos.

Na época, porém, ainda não havia clareza sobre o que, na prática, seria esse assistente “superinteligente”. “A visão de construir algo como o Muse existia em nossa cabeça coletiva, mas ainda não conseguíamos apontar exatamente qual seria o produto”, contou Vishal Shah, vice-presidente de produtos de IA da Meta.

O primeiro produto da nova equipe, lançado em setembro de 2025, foi o Vibes, um feed de vídeos gerados por IA que logo recebeu críticas por entregar conteúdo de baixa qualidade. Ao mesmo tempo, cresciam as tensões internas entre os recém-chegados e aliados históricos de Zuckerberg, que duvidavam da capacidade de Wang de recolocar a Meta na ponta da corrida de IA.

O estalo que veio de um software de código aberto

Em novembro, o programador austríaco Peter Steinberger lançou o OpenClaw, um agente de IA de código aberto capaz de programar e operar um computador sozinho — qualquer pessoa podia baixá-lo e modificá-lo livremente. Conforme o software ganhava tração entre desenvolvedores do Vale do Silício, os executivos da Meta tiveram uma espécie de epifania.

“Tudo começou a fazer sentido”, disse Shah. “A próxima geração de produtos de consumo seria um agente pessoal.” Depois de testar o OpenClaw, Friedman chegou a encomendar 200 computadores Mac Mini para a sede da empresa em Menlo Park, empilhando-os do lado de fora do próprio escritório para uso dos funcionários. A partir daí, a Meta mergulhou de cabeça no desenvolvimento de um agente nos moldes do OpenClaw, mas voltado ao grande público. “Não houve hesitação”, resumiu Shah.

Os próprios líderes de IA passaram a testar agentes no dia a dia. Friedman conectou o seu às câmeras de casa, que passaram a lembrá-lo de beber água regularmente — “Ele me enviou uma foto minha tomando uma garrafa de água e escreveu: ‘Bom trabalho'”, contou em uma conferência de tecnologia recente. Em outra ocasião, enquanto discutia formas de melhorar o sono com o agente, o OpenClaw chegou a assumir o controle de seu Tesla autônomo e redirecioná-lo a uma farmácia para comprar cápsulas de magnésio. Já Zuckerberg, na conferência anual de desenvolvedores da Meta no mês passado, contou ter conectado seu agente às câmeras da academia de artes marciais para receber feedback sobre sua técnica de luta.

Falhas de segurança marcaram o caminho até o lançamento

Apesar de todo o entusiasmo, as dores de cabeça com segurança não pararam de aparecer. Os agentes de IA podiam agir de forma inesperada ou simplesmente assumir o controle de outros aplicativos. Em fevereiro, por exemplo, um agente tomou conta do computador de trabalho de uma pesquisadora de segurança da Meta e começou a apagar seus e-mails sem parar. “Eu não conseguia pará-lo pelo celular”, escreveu Summer Yue nas redes sociais. “Tive que correr até meu Mac Mini como se estivesse desarmando uma bomba.”

Ainda em fevereiro, Friedman apresentou o Muse ao conselho de administração da Meta. Dois meses depois, veio o Muse Spark, modelo desenvolvido sob liderança de Wang e apontado como o mais avançado já criado pela empresa — ele permitiu que a Meta deixasse de depender de modelos da Anthropic, usados nas versões iniciais, e passasse a alimentar o agente com tecnologia própria.

Segundo Shah, a Meta já tinha uma versão do Muse pronta havia um bom tempo, mas passou meses reforçando as camadas de segurança. Em testes internos, o agente chegou a desobedecer comandos e a direcionar usuários para compras em sites fraudulentos. Foi quando, em agosto, o agente da Instinct começou a decolar em popularidade — e, pouco depois, a Meta decidiu colocar o Muse na rua. O produto ainda enfrentou episódios de quebra de privacidade, como ler mensagens privadas de um usuário sem permissão e depois citar essas informações durante uma conversa.

No mês passado, a própria Instinct captou US$ 1 bilhão numa rodada que avaliou a startup em US$ 10 bilhões — prova de que a disputa está longe de terminar, mesmo com a empresa tendo muito menos recursos e poder computacional do que a gigante de Zuckerberg.

Com informações de infomoney.com.br.

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