Se você administra um site e percebeu uma queda brusca nas visitas vindas do ChatGPT dentro do Google Analytics 4, respire fundo antes de entrar em pânico. Segundo dados divulgados pelo CEO da Graphite, Ethan Smith, em publicação no LinkedIn, as sessões atribuídas ao ChatGPT caíram entre 22% e 57% nos sites monitorados pela empresa que registravam tráfego relevante no canal “AI Assistant”, a partir de 9 de outubro. Smith estima que isso represente uma queda aproximada de 45% em relação à base anterior. Dados da LLM Pulse apontam na mesma direção: comparando com os mesmos dias das duas semanas anteriores, as sessões originadas do ChatGPT nos sites monitorados caíram cerca de 46% entre 9 e 11 de outubro — enquanto o tráfego total desses sites permaneceu praticamente estável no período.
A explicação, no entanto, parece não ter relação com perda real de interesse do público. De acordo com Smith, o ChatGPT passou a abrir links no texto das respostas sem a tag utm_source=chatgpt.com e sem referrer, o que faz essas visitas aparecerem como “Direto” no GA4. Outras análises independentes chegaram à mesma conclusão sobre essa mudança no rastreamento, mas ainda não há dados suficientes para cravar se também houve, de fato, alguma perda real de visitas.
Para onde foram parar as visitas do ChatGPT?
Cedric Huesler, diretor sênior de gestão de produtos na Adobe, comparou o período de 9 a 13 de outubro com a semana anterior em cerca de 500 páginas nas quais o ChatGPT respondia por pelo menos 5% das visitas. Segundo ele, as visitas vindas do ChatGPT para essas páginas caíram cerca de 31 mil por dia, enquanto as visitas “Diretas” subiram aproximadamente 26 mil por dia no mesmo período. Já o tráfego de busca caiu 7%, dentro da média observada em outros lugares.
O movimento foi bem consistente: o tráfego Direto subiu em duas de cada três páginas que perderam acesso via ChatGPT, contra cerca de metade das páginas na semana anterior. Além disso, Huesler afirma que esses novos visitantes “Diretos” se comportam exatamente como os antigos visitantes do ChatGPT. No mobile, por exemplo, a proporção de visitantes Diretos que visualizaram o banner de consentimento — indício de primeira visita — passou de 36% para 44%, aproximando-se dos 55% observados entre usuários vindos do ChatGPT. Ele próprio pondera que as conclusões ainda são preliminares, baseadas em apenas quatro dias de dados amostrados.
O que mudou nos links do ChatGPT
De acordo com Huesler, depois do lançamento do GPT-6, o ChatGPT passou a abrir links em uma nova aba com uma configuração de navegador que oculta o referrer, deixando de lado também a tag utm_source que acompanhava as citações desde o lançamento da busca do ChatGPT em 2024.
Smith detalhou que os links dentro do texto das respostas perderam a tag, enquanto os links do painel de Fontes e os links de compras continuaram marcados normalmente. Ele também revelou que 95% das visitas mobile ao ChatGPT para os sites monitorados pela Graphite dependiam exclusivamente dessa tag — o que torna o tráfego via aplicativo o mais afetado por essa mudança.
A Profound relaciona a alteração a um novo formato de resposta. Entre as respostas do ChatGPT com citações coletadas pela empresa, a proporção com pelo menos um link de fonte marcado caiu de cerca de 98% em 8 de outubro para 66% em 14 de outubro. No mesmo período, o chamado Intelligent UI — formato usado pelo ChatGPT para gráficos, comparações e pequenas ferramentas — saltou de 2% do total de respostas coletadas pela Profound para cerca de 35%. Vale destacar que links acessados ao abrir um painel de produto ou informação continuaram carregando as tags normalmente.
Quando o lançamento do GPT-6 foi noticiado em 7 de outubro, o anúncio da OpenAI não detalhava como as fontes apareceriam nesses novos formatos. O GPT-6 começou a ser distribuído para planos pagos naquele mesmo dia, chegando aos usuários Free e Go em 8 de outubro — e, segundo a LLM Pulse, não houve queda registrada em 7 de outubro.
Mais links diretos nas respostas, segundo levantamento da Peec AI
Tomek Rudzki, da Peec AI, rodou o mesmo conjunto de 1 milhão de prompts entre 2 e 7 de outubro e, depois, repetiu o teste entre 9 e 13 de outubro. Ele constatou que o ChatGPT passou a inserir uma URL direta de página em 42% das respostas, ante uma taxa anterior de cerca de 8% a 10%. Além disso, 54% dessas URLs apontavam para páginas iniciais (homepages), segundo o levantamento. Rudzki também não identificou tags ou referrers associados a esses links. É importante frisar que os números representam links exibidos pelo ChatGPT, não cliques efetivamente realizados pelos usuários.
O que os dados ainda não explicam
Segundo a própria equipe da LLM Pulse, não houve aumento perceptível no tráfego Direto dos sites analisados. A explicação é que o canal Direto já é, naturalmente, muito maior que o do ChatGPT — por isso, mesmo um pequeno aumento de sessões seria difícil de detectar em meio ao volume total. Os dados agregados, segundo eles, tornam praticamente impossível separar o tráfego que foi realmente perdido daquele que apenas deixou de ser identificado como proveniente do ChatGPT.
Smith classificou a mudança como um bug do lado da OpenAI e afirmou esperar uma correção “muito em breve”. Huesler, por sua vez, relatou que a OpenAI confirmou a ele, em 14 de outubro, que realmente se tratava de uma falha. Em publicação posterior, ele escreveu que a correção começou a ser implementada na madrugada de 15 de outubro e que, por volta das 9h (horário do Pacífico), os cliques com tags do ChatGPT já haviam voltado a representar entre 95% e 100% do volume registrado no mesmo horário uma semana antes, considerando milhares de domínios monitorados por ele. Já o consultor de SEO Glenn Gabe afirmou não ter percebido mudança alguma, tanto em contas pagas quanto gratuitas. A Profound, por sua vez, diz não ter recebido comunicação oficial sobre a correção — e as notas de atualização do ChatGPT entre 1º e 15 de outubro não mencionam nada sobre rastreamento de links.
Graphite, LLM Pulse, Profound e Peec AI vendem serviços e ferramentas de SEO ou busca por IA, e Huesler trabalha na Adobe. As publicações da LLM Pulse e da Profound não informam o tamanho das amostras utilizadas.
Por que essa questão de tráfego do ChatGPT importa
Uma queda de cerca de 50% nos referenciamentos do ChatGPT dentro do GA4 em apenas uma semana pode indicar, muito mais, uma mudança na forma como os dados são reportados do que uma alteração real no interesse dos visitantes. Tanto Smith quanto Huesler recomendam anotar a data de 8 de outubro nos relatórios, antes que alguém interprete isso como perda efetiva de tráfego — e Huesler já atualizou essa janela para o período entre 8 e 15 de outubro.
Por isso, até que a situação se normalize por completo, vale a pena comparar lado a lado o tráfego vindo do ChatGPT e o tráfego Direto em cada página que recebia referências do assistente, prestando atenção especial à página inicial, já que o levantamento de Rudzki indica que mais da metade dos links diretos observados apontam justamente para lá.
Desde a introdução do canal “AI Assistant” no Google Analytics, em maio, já se sabia que usuários que chegassem via assistentes de IA sem referrer identificável também acabariam contabilizados no canal Direto. A tag do ChatGPT era justamente o mecanismo que permitia capturar esse tráfego adicional, especialmente no mobile. Vale lembrar, segundo Smith, que UTMs definidas manualmente dentro de cliques vindos do ChatGPT Ads não devem ser afetadas por essa mudança.
O que esperar daqui pra frente
A grande dúvida agora é quando as tags voltarão a funcionar normalmente em todas as contas, já que a OpenAI ainda não mencionou a correção em suas notas de atualização. A Profound pondera que restaurar as tags pode ajudar nos relatórios futuros, embora não seja capaz de recuperar a atribuição de tráfego já perdida. Enquanto isso, o Gemini seguiu caminho diferente duas semanas atrás, passando a adicionar parâmetros UTM aos seus links.
Com informações de searchenginejournal.com.