A informação foi divulgada pela própria corte eleitoral logo após uma reunião entre as partes, marcando mais um capítulo da discussão sobre o uso de IA nas eleições brasileiras.
De acordo com comunicado do TSE, o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, e o vice-presidente, André Mendonça, se reuniram com representantes da empresa justamente para tratar das ferramentas que a companhia disponibiliza e que podem impactar o período eleitoral no país.
O que motivou a conversa sobre IA nas eleições
O encontro não aconteceu por acaso. Ele ocorreu um dia depois de a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recorrer ao TSE e também à Organização dos Estados Americanos (OEA), acusando a big tech de usar inteligência artificial e algoritmos para beneficiar o adversário no segundo turno: o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Diante disso, o TSE reforçou que sua principal preocupação é garantir uma espécie de “paridade de armas” entre os candidatos, de forma que o eleitor consiga fazer sua escolha com liberdade e sem distorções provocadas por ferramentas digitais.

Segundo o próprio TSE, a Meta relatou que, nesta semana, as duas campanhas acabaram sendo afetadas pela circulação de conteúdos gerados por inteligência artificial considerados inadequados. Ou seja, o problema não teria atingido apenas um lado da disputa, mas as duas candidaturas envolvidas no segundo turno.
Procurada para comentar o assunto, a Meta respondeu apenas que todas as informações disponíveis sobre o encontro já estavam contidas no comunicado divulgado pelo próprio TSE.
WhatsApp e impulsionamento também entraram na pauta
Sobre esse ponto, a nota do tribunal traz uma citação direta da empresa:
“A Meta informou que, de acordo com a política da empresa, as mensagens enviadas nos canais não são criptografadas.”
Outro compromisso assumido pela empresa, conforme relatado pelo TSE, diz respeito ao impulsionamento de conteúdos. A Meta se comprometeu a empenhar esforços para impedir que propagandas eleitorais sejam impulsionadas com uso de moeda estrangeira, prática que poderia configurar uma forma de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.
Próximos passos da negociação entre Meta e TSE
Por ora, o encontro resultou mais em compromissos e esclarecimentos do que em medidas concretas já implementadas. No entanto, o episódio mostra como o tema da inteligência artificial nas eleições segue no centro das atenções do tribunal, especialmente às vésperas de uma disputa presidencial tão acirrada.
Com a denúncia feita pela campanha de Lula ainda em análise e a Meta se comprometendo publicamente a ajustar filtros e políticas internas, é provável que novas reuniões e atualizações sobre o tema aconteçam nos próximos dias. Afinal, garantir transparência e equilíbrio no uso de ferramentas de IA nas eleições tornou-se, neste momento, uma das prioridades do TSE.
Com informações de infomoney.com.br.