A Meta deu um passo e tanto nesta segunda-feira (26) ao anunciar uma oferta pública de cerca de US$ 35 bilhões (R$ 174,2 bilhões) em ações ordinárias e ações preferenciais conversíveis. O objetivo por trás da manobra financeira é claro: bancar a expansão da IA dentro da empresa, que não tem economizado esforços — nem dinheiro — para avançar nessa corrida tecnológica.
Como funciona a oferta de ações para a expansão da IA
Além da captação anunciada agora, a controladora do Facebook informou que pretende lançar, mais adiante, um programa separado de venda de ações “at-the-market” de até US$ 60 bilhões (R$ 298,7 bilhões). Esse programa, no entanto, só deve começar a rodar depois que as novas ações da Classe C — que não dão direito a voto — passarem a ser negociadas, movimento previsto para o primeiro trimestre de 2027.
Ou seja, a Meta está organizando duas frentes de captação de recursos em sequência, numa estratégia que mostra o tamanho do apetite da empresa por capital neste momento.
Corrida contra OpenAI e Anthropic motiva gastos bilionários
Não é segredo que a disputa pelo topo da inteligência artificial está cada vez mais cara. Os planos de captação surgem justamente num momento em que a Meta pisa fundo nos investimentos em data centers, capacidade computacional e produtos de IA, numa tentativa de não ficar para trás diante de rivais pesados como OpenAI e Anthropic.
Essa briga por protagonismo tecnológico explica, em boa parte, por que a empresa decidiu recorrer ao mercado para reforçar o caixa — mesmo já tendo uma posição financeira robusta.
Situação financeira da empresa antes do anúncio
Segundo o relatório trimestral divulgado pela própria Meta na semana passada, a empresa fechou 30 de setembro com caixa, equivalentes de caixa e títulos negociáveis somando US$ 82,45 bilhões (R$ 411,7 bilhões). Esse valor supera, ainda que por pouco, a dívida de longo prazo da companhia, de US$ 80,92 bilhões (R$ 402,8 bilhões).
Apesar disso, os números mostram que a folga financeira é relativamente apertada perto do tamanho dos compromissos assumidos. Afinal, a Meta já se comprometeu a gastar cerca de US$ 825 bilhões (R$ 4,11 trilhões) no futuro, valor puxado principalmente pelos investimentos crescentes em data centers, infraestrutura ligada à IA e capacidade de computação em nuvem.
O que esperar dos próximos passos
Com esse volume de gastos projetados, faz sentido que a empresa busque diversificar suas fontes de financiamento em vez de depender só do caixa disponível. A combinação da oferta de US$ 35 bilhões com o futuro programa de até US$ 60 bilhões dá uma ideia clara de que a Meta está se preparando para sustentar, por um bom tempo, sua corrida na área de inteligência artificial — mesmo que isso signifique recorrer repetidamente ao mercado de capitais nos próximos anos.
Com informações de redir.folha.com.br.