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Links curtos em SEO: pesquisa da Bitly mostra que o maior vazamento de cliques não é o que você pensa

Por: Eduardo Carrega
28/10/2026
16:04h
Links curtos em SEO: pesquisa da Bitly mostra que o maior vazamento de cliques não é o que você pensa
Pesquisa da Bitly revela que links curtos em SEO não são o maior vilão dos cliques perdidos — veja o que realmente afasta o usuário nas redes sociais.
RESUMIR COM:

Há quase 15 anos, profissionais de SEO repetem o mesmo conselho: fuja de links encurtados genéricos tipo bit.ly em qualquer campanha séria. O argumento sempre foi parecido — um link curto esconde a marca, some com as palavras-chave que apareceriam na URL, deixa o usuário desconfiado e ainda entrega o controle do seu link pra uma empresa terceira. Pois bem, uma nova pesquisa da Bitly com 1.507 americanos mostra que esse raciocínio está só parcialmente certo. E a parte que a galera de SEO vinha ignorando é, na prática, a que mais derruba cliques.

Jenny Coppola, diretora sênior de marca e conteúdo da Bitly, publicou o chamado “The Click Expectation Report” no blog da empresa em 29 de setembro. O levantamento ouviu 1.006 consumidores americanos e 501 profissionais de marketing e criadores de conteúdo nos Estados Unidos, entre 27 de julho e 5 de agosto de 2026. Sim, é uma empresa de gerenciamento de links concluindo que você precisa de gerenciamento de links — mas os dados sobre comportamento do consumidor trazidos no relatório são mais úteis pra quem trabalha com SEO, mídia paga e redes sociais do que a parte promocional em volta deles, e vale a pena entender antes da próxima reunião de planejamento.

O que o SEO sempre disse certo sobre links curtos — e o que os dados acrescentam

Vamos pela parte do argumento clássico que se confirma. Quando a Bitly perguntou aos consumidores o que os faz hesitar antes de clicar num link, 23% apontaram encurtadores genéricos que escondem o nome da marca. É um custo real, mas fica lá embaixo na lista de preocupações.

No topo está a segurança: 57% citaram receio quanto à segurança do link. Em seguida vêm links com cara de clickbait (52%), descrições vagas sobre o destino (44%) e um descompasso entre o que o criador costuma postar e o conteúdo pra onde o link leva (42%).

URLs longas e cheias de parâmetros de rastreamento incomodaram 28% dos consumidores — cinco pontos a mais que os encurtadores genéricos, diferença que fica dentro da margem de erro da pesquisa, ou seja, praticamente um empate. Na prática, aqueles links cheios de UTM que a gente cola nas redes sociais pra proteger a atribuição não parecem mais confiáveis aos olhos do consumidor do que o bit.ly que tanto criticamos.

Do outro lado da balança, 48% dos consumidores disseram que um link curto personalizado, com a marca, gera o reconhecimento que os deixa confortáveis pra clicar — o fator mais citado da pesquisa, à frente até da confiança pessoal na marca ou criador (44%) e de uma descrição clara do destino do link (43%).

A questão do “link equity” (valor de SEO perdido) também já tinha resposta há tempos: em 2011, Matt Cutts, do Google, explicou num vídeo do Webmaster Help que encurtadores que usam redirecionamento 301 repassam PageRank ao destino normalmente, como qualquer 301. Já o problema da dependência de terceiros continua valendo: em 2024, o Google anunciou que os links goo.gl parariam de funcionar em 25 de agosto de 2025, e depois voltou atrás, semanas antes do prazo, para os links que ainda tinham atividade. Se até o próprio Google quase derrubou seus links curtos, qualquer fornecedor pode fazer o mesmo com os seus. Isso reforça a ideia de usar um domínio curto próprio da empresa, em vez de depender do domínio de um fornecedor espalhado por todo conteúdo já publicado.

O verdadeiro vazamento de cliques está na homepage

Agora entra a parte que o pessoal de SEO vinha deixando passar. Segundo o levantamento, 79% dos consumidores já desistiram de uma ação porque um link de rede social os levou pra homepage genérica em vez do produto mostrado no post. Apenas 8% dos consumidores esperam que o link de um vídeo social leve à homepage, enquanto 61% esperam cair direto na página do produto.

Mesmo assim, 39% dos profissionais de marketing e 30% dos criadores apontaram a homepage genérica como um dos principais destinos dos links de vídeo nas redes sociais. Entre os dois grupos, 34% admitiram que os próprios links de vídeo social costumam cair exatamente ali.

O restante da lista de motivos de abandono parece tirado de uma auditoria técnica de SEO:

  • Redirecionamentos em excesso ou avisos de segurança do navegador afastaram 76% dos consumidores;
  • Outros 76% desistiram quando o cupom promocional prometido no post não aparecia na página;
  • Forçar a instalação de aplicativo ou redirecionar pra loja de apps custou 69% dos cliques;
  • Páginas não otimizadas para celular custaram 51%;
  • Região, idioma ou moeda errados custaram 49%.

Esse número das páginas não mobile varia bastante por geração: só 41% dos Baby Boomers disseram abandonar por isso, contra 61% a 62% entre Millennials e Geração Z. Usuários de iOS, por sua vez, abandonaram mais do que os de Android páginas mal adaptadas para celular (57% vs. 47%).

Quem já discutiu intenção de busca deveria reconhecer esse padrão na hora: mandar alguém pra homepage quando o link prometia um produto é um descompasso de intenção, só que com um toque de dedo no lugar da busca por palavra-chave. Em mídia paga, isso nunca seria aceito — o Google avalia a experiência da landing page justamente pela relevância em relação a quem clicou no anúncio. Nas redes sociais, porém, esse erro acontece todo dia, porque muitas vezes não há um time de SEO cuidando desses links.

O problema dos redirecionamentos também merece atenção, já que um link curto adiciona mais um salto na jornada. Se esse salto leva a um redirecionamento de rastreamento, que leva a um redirecionamento regional, que leva a um pedido de instalação de app, pronto: está montada a cadeia que faz 76% dos consumidores desistirem no meio do caminho.

93% dos consumidores evitam clicar de propósito

Esse é o dado que mais chama atenção no relatório. De acordo com a pesquisa, 93% dos consumidores disseram já ter evitado clicar em um link de propósito, só para impedir que o algoritmo passasse a entregar mais daquele tipo de conteúdo. Entre eles, 43% fazem isso sempre ou com frequência — e esse percentual sobe para 45% entre Geração Z e Millennials.

A taxa de cliques sempre foi usada como termômetro de interesse. Só que esses números sugerem que boa parte das pessoas interessadas em um conteúdo evita clicar justamente porque sabe que aquele clique será contabilizado e usado para moldar o que vai ver depois.

Isso conversa diretamente com o que já se observa em buscas sem clique e respostas geradas por IA, onde o usuário resolve sua dúvida sem nunca visitar o site. Em resumo, cliques nunca foram uma medida totalmente limpa de interesse — e agora as pessoas estão decidindo, toque a toque, como querem (ou não) ser rastreadas. Um CTR baixo pode conviver perfeitamente com alta atenção ao conteúdo; se a taxa de cliques for o único indicador do seu relatório, parte do público que você realmente alcançou está passando despercebida.

Confiança depende de quem compartilha o link — e onde

Entre as redes avaliadas, o LinkedIn foi a plataforma em que os consumidores mais confiaram na hora de decidir clicar num link, com 19%. YouTube, Instagram e Reddit empataram em 17% cada. Como a margem de erro da amostra de consumidores é de mais ou menos 3,1 pontos, isso configura um empate técnico de quatro plataformas — e o recorte por geração importa mais do que o ranking geral.

O Instagram foi a rede mais confiável para a Geração Z, com 33%, quase o dobro dos 18% registrados entre Millennials. Já o LinkedIn ganha força com a idade: lidera entre a Geração X (22%) e os Baby Boomers (24%). O TikTok, por sua vez, cai a cada geração mais velha, saindo de 12% entre a Geração Z para apenas 2% entre os Boomers. O Reddit, especificamente, é a preferência dos Millennials, com 21%.

Esse número do Reddit merece atenção de quem acompanha de onde vêm as citações usadas pelas respostas de inteligência artificial em buscas. A mesma plataforma que uma fatia considerável de pessoas na casa dos 30 e 40 anos confia para clicar em links também é monitorada de perto por quem cuida da visibilidade em respostas de IA — uma sobreposição que vale a pena observar.

Consumidores confiam mais em marcas corporativas do que em criadores independentes em seis dos sete tipos de link avaliados na pesquisa. A maior diferença apareceu em downloads de aplicativos ou softwares, com 88% de confiança nas marcas contra apenas 12% nos criadores. Listas de recursos selecionados foram a única exceção, com empate de 50% a 50%.

Na prática, isso mostra que o público confia na marca para conduzir uma transação e confia no criador para indicar algo que vale a pena conhecer. Por isso, quando um programa de criadores manda os seguidores direto para o download de um aplicativo, está pedindo a esses criadores que gastem uma confiança que, na verdade, eles não têm.

Atribuição de resultados ainda é um ponto cego

Profissionais de marketing e criadores disseram à pesquisa que esperam que links em perfis sociais e conteúdos respondam, em média, por 39% da receita nos próximos 12 meses — uma fatia e tanto de faturamento apostada num canal que a maioria nem consegue medir direito.

A dificuldade de rastrear tráfego entre diferentes canais e formatos foi o maior desafio apontado, citado por 36% do total de marketers e criadores (sendo 41% entre marketers e 30% entre criadores). Já conectar os dados de analytics das plataformas sociais com informações do site ou das campanhas foi um obstáculo para 29% dos profissionais de marketing, mas para apenas 17% dos criadores — uma diferença que escancara o quanto a atribuição de resultados em redes sociais ainda deixa muita gente no escuro, mesmo com tanto dinheiro apostado nesse formato.

Com informações de searchenginejournal.com.

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