Por Eduardo Baptista
PEQUIM, 16 Set (Reuters) – A Huawei estima que os agentes autônomos responderão por mais de 90% do tráfego global de tokens de inteligência artificial até 2035. Para a empresa, esse cenário exigirá uma forte expansão da capacidade de computação e a criação de mecanismos capazes de manter sistemas independentes seguros e sob controle.
Agentes autônomos devem ampliar consumo de IA

Tokens são as unidades processadas pelos modelos de inteligência artificial quando recebem e produzem informações. Segundo a gigante chinesa de tecnologia e telecomunicações, o consumo anual desses tokens deve crescer de forma acelerada na próxima década.
Isso ocorreria porque os agentes autônomos passam a observar continuamente o ambiente, interpretar situações, tomar decisões e utilizar ferramentas externas. Dessa forma, eles deixam de atuar apenas como sistemas de resposta e assumem tarefas mais amplas, com maior grau de independência.
A projeção aparece no relatório da Huawei intitulado “Mundo Inteligente 2035: Transformando Visão em Ação”. O documento parte da expectativa de que as capacidades e a adoção dos agentes autônomos avancem dramaticamente, sem defender uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia.
Entre os pontos considerados necessários para sustentar essa expansão estão a segurança e a proteção da privacidade dos agentes autônomos. Essas áreas fazem parte de uma lista de 10 tecnologias apontadas pela companhia como fundamentais para o futuro da inteligência artificial.
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China aposta em adoção acelerada

A avaliação da Huawei ocorre em meio a um debate internacional sobre a velocidade de avanço da IA. Nos Estados Unidos, pesquisadores e executivos vêm defendendo uma pausa ou desaceleração no desenvolvimento de tecnologias de ponta após incidentes relacionados a agentes rebeldes.
Também existe preocupação com sistemas futuros capazes de operar equipamentos e obter recursos sem intervenção direta. Nesse contexto, críticos alertam que agentes autônomos mais avançados podem se tornar difíceis de controlar pelos seres humanos.
Na China, por outro lado, a estratégia tem sido, de modo geral, acelerar a adoção da inteligência artificial em diferentes setores da economia. Ao mesmo tempo, o país trabalha no desenvolvimento de padrões técnicos voltados aos riscos que acompanham essa expansão.
A Huawei afirma ainda que levar a IA para o mundo físico será essencial para alcançar a inteligência artificial geral, conhecida pela sigla AGI. O conceito costuma designar sistemas capazes de executar uma ampla variedade de tarefas em níveis iguais ou superiores aos humanos.
Huawei prevê 900 bilhões de agentes

A estimativa de mais de 90% do tráfego de tokens está ligada a uma previsão anterior da empresa: a existência de 900 bilhões de agentes de IA ativos globalmente até 2035. O número equivaleria a cerca de 100 vezes a população humana projetada.
A própria Huawei já utiliza agentes autônomos em iniciativas de segurança digital. Em abril, a companhia lançou uma plataforma de operações de segurança que emprega agentes de detecção e ação para identificar e responder a ameaças digitais.
Além disso, a empresa publicou propostas para firewalls de IA voltados à proteção de sistemas corporativos baseados em inteligência artificial. A medida mostra como a companhia pretende combinar a expansão dos agentes com ferramentas de controle e defesa.
Guo Ping, presidente do conselho fiscal da Huawei, afirmou aos funcionários, em declarações divulgadas na terça-feira, que a empresa considera a IA sua “maior oportunidade”. Ele também disse que a companhia quer transformar sua infraestrutura de computação no equivalente chinês da fabricante norte-americana de chips Nvidia.