As bolsas de Nova York encerraram o pregão desta quarta-feira, 14, no vermelho, com o mercado reagindo mal a dois fatores combinados: dados de inflação ao consumidor acima do esperado e a volta dos temores sobre o nível de endividamento das empresas que vêm apostando pesado em inteligência artificial. O setor de semicondutores foi o mais castigado do dia, puxando os índices para baixo.
No fechamento, o Dow Jones recuou 0,09%, encerrando aos 51.621,78 pontos. O S&P 500 teve perda mais expressiva, de 1,1%, aos 7.719,54 pontos, enquanto o Nasdaq, mais exposto a empresas de tecnologia, foi o que mais sofreu, com baixa de 1,88%, fechando em 26.692,87 pontos.
Preocupações inflacionárias derrubam ações de chips
As empresas de semicondutores tiveram um dia especialmente ruim na bolsa. A Micron Technology, que já havia perdido mais de 3% na véspera, caiu mais 4% nesta quarta-feira. A Advanced Micro Devices recuou 5,7%, enquanto Intel e Sandisk registraram quedas de 4% e 5%, respectivamente.
Por trás desse movimento está o CPI (índice de preços ao consumidor) de setembro nos Estados Unidos, que subiu 0,6% em relação ao mês anterior, com alta anual de 3,7%. Apesar de a variação mensal ter vindo dentro do esperado pelo mercado, o avanço ano a ano surpreendeu para cima. Além disso, o núcleo do CPI — que exclui preços de alimentos e energia — também veio acima das previsões, tanto na comparação mensal quanto anual.
Esse cenário de inflação mais persistente não afetou só a tecnologia. O setor aéreo também sentiu o baque, puxado pela alta dos preços das passagens. A JetBlue liderou as perdas do dia, com queda de 10%, enquanto a American Airlines recuou 5,7%.

Fed muda o tom sobre juros após CPI
Logo depois da divulgação dos números do CPI, o mercado chegou a cogitar um aumento na taxa de juros por parte do Federal Reserve na reunião deste mês. No entanto, essa expectativa foi revertida ao longo do dia — ainda que, segundo a ferramenta FedWatch, do CME, as probabilidades para os próximos passos do Fed continuem bastante equilibradas.

Quem também comentou o resultado foi Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve de Chicago. Ele classificou os dados do CPI como “desencorajadores” e destacou que a inflação no setor de serviços exige atenção redobrada daqui para frente.
Investimentos em IA voltam a preocupar investidores
Além da inflação, outro fator pesou sobre o humor do mercado: a desconfiança crescente em relação ao uso excessivo de dívida por empresas de tecnologia — especialmente aquelas fora do grupo conhecido como “Sete Magníficas” — para bancar o crescimento acelerado dos investimentos em inteligência artificial.
Esse receio se refletiu diretamente nos preços das ações. A CoreWeave, por exemplo, despencou mais de 15% no pregão. A Oracle também não escapou e viu seus papéis recuarem cerca de 9%.
Bancos também sentem o impacto
A temporada de balanços trouxe mais um ingrediente de volatilidade para a sessão. As ações do Bank of America caíram 4,7% depois que a receita do terceiro trimestre do banco ficou abaixo do que o mercado esperava. Para piorar, a instituição ainda foi multada em mais de US$ 1,2 bilhão pelo Tesouro dos Estados Unidos.
Já o Morgan Stanley teve um resultado trimestral que superou as projeções dos analistas, mas isso não foi suficiente para evitar que suas ações também fechassem em queda, com recuo de 2,7%.
Em resumo, o dia em Wall Street mostrou como inflação persistente e dúvidas sobre a sustentabilidade dos gastos bilionários em inteligência artificial podem se combinar para pressionar os principais índices americanos, mesmo em meio a uma temporada de resultados corporativos com sinais mistos.
Com informações de infomoney.com.br.