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Camada Agêntica: Sundar Pichai explica como a busca do Google vai se fundir à IA — entenda a visão do CEO

Por: Eduardo Carrega
22/10/2026
08:59h
Camada Agêntica: Sundar Pichai explica como a busca do Google vai se fundir à IA — entenda a visão do CEO
Sundar Pichai explica como a camada agêntica vai unificar Busca, Gemini e AI Overviews no Google sem fundir os produtos em um só.
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Em entrevista recente, o CEO do Google, Sundar Pichai, abriu o jogo sobre os planos da empresa para aprofundar a integração de agentes de inteligência artificial dentro da Busca. Segundo ele, o futuro próximo não é sobre fundir produtos diferentes num só, mas sim sobre criar uma camada agêntica que unifica todas essas experiências por trás dos panos. Ou seja, a ideia não é jogar Busca, Gemini e AI Overviews dentro de uma liquidificadora só — e sim fazer com que os agentes de IA conectem tudo isso de forma invisível para quem está usando.

A visão de Pichai para o futuro próximo

O entrevistador, Alex Heath, puxou o assunto do Google Spark, produto apresentado no Google I/O. Para quem não acompanhou, o Spark é um agente pessoal baseado em nuvem, profundamente integrado à Busca, que usa agentes de informação para fazer pesquisas na web em nome do usuário — além de unir Busca e Chrome numa experiência só.

Heath então questionou Pichai sobre a corrida acirrada entre as empresas de tecnologia por agentes pessoais, citando o Muse como exemplo de “produto ótimo” da concorrência, e perguntou se o Google sentia que precisava fazer mais nessa frente — já que, no universo corporativo, a companhia já havia lançado o Gemini Workspace, dando a um agente e-mail e identidade dentro do ambiente de trabalho.

“Estou curioso para saber o que você acha dessa corrida por agentes pessoais em que a indústria está agora, com o Muse, que é um produto ótimo… Lembro que no último IO vocês mostraram o Gemini Spark, e fico pensando: você acha que o Google precisa fazer mais nessa área? No lado do consumidor, sei que vocês acabaram de lançar o Gemini Workspace, dando a um agente um e-mail, uma identidade de workspace, tudo isso. Mas na corrida voltada ao consumidor, quando você olha para isso, ainda é cedo, mas imagino que você queira que o Google tenha ainda mais presença ali.”

Pichai respondeu explicando que o Google está desenvolvendo uma infraestrutura de agentes compartilhada, pensada tanto para uso corporativo quanto para o consumidor comum. Na sequência, ele falou sobre a convergência entre o chat e a execução de tarefas em nome do usuário, conectando tudo isso de volta à Busca. A visão, segundo ele, é simples: uma única caixa que resolve tudo.

“É uma área de foco enorme. Na verdade, o objetivo que estabelecemos para o Gemini — como costumamos dizer — é que ele seja um assistente pessoal, proativo e poderoso. Isso é parte central do que estamos tentando fazer com o Gemini. E você está certo sobre o I/O: com o Spark, acho que essa é a direção que estamos seguindo. Falamos mais sobre isso no nosso evento corporativo, no contexto do agente Gemini. Para deixar bem claro: entre o uso corporativo e o do consumidor, é o mesmo modelo, o mesmo arcabouço, o mesmo ambiente de execução. Só muda o contexto — se é um ambiente empresarial ou pessoal. E tudo que anunciamos naquele evento, por ser voltado para empresas, tem governança de segurança de ponta. Em cada tarefa, provisionamos basicamente uma micro VM para executá-la, rodando de forma segura 24 horas por dia, com monitoramento em tempo real, entre outras coisas, garantindo às empresas governança, controle e auditabilidade desses agentes. Estamos trazendo tudo isso para o consumidor também. Então já dá para ver que o Gemini tem chat e execução de tarefas agora. Nossa visão para o futuro próximo é que isso vire uma única caixa.”

Gemini e busca caminhando para uma convergência “profunda”

Pichai também comentou sobre essa aproximação cada vez maior entre Gemini e Busca. Segundo ele, os usuários estão fazendo, cada vez mais, buscas voltadas para tarefas — pedidos que exigem que um agente efetivamente faça algo, e não apenas devolva uma resposta pronta. Essa mudança de comportamento, segundo o CEO, já aparece claramente nos dados de uso do Google.

Ele afirmou que a intenção da empresa é levar essas capacidades agênticas para dentro da Busca “de uma forma bem profunda”. Essa declaração deixa claro que o futuro da ferramenta de pesquisa do Google passa, necessariamente, por uma integração forte com um assistente pessoal — no caso, o próprio Gemini.

“De forma empírica, quando olhamos o que as pessoas estão fazendo no Gemini — se você for lá e classificar isso —, já dá para ver a tendência. A porcentagem de consultas mais agênticas, por assim dizer, vem crescendo de forma constante ao longo do tempo. E vamos tornar tudo isso mais amplamente disponível nos próximos meses. Até agora, lançamos boa parte disso só para usuários Ultra e Pro, então vamos expandir esse acesso. Os novos modelos Argon trazem um salto e tanto. Mas você vai poder, como consumidor, conversar com o Gemini não só dentro do app, mas também em outros contextos — ou até por chamada. Então estamos focados nisso a partir da busca, e estamos focados nisso de uma forma bem profunda.”

A camada agêntica como elo entre todos os produtos

Lá pelos 42 minutos de entrevista, Heath foi direto ao ponto: Busca, AI Overviews e Gemini vão, algum dia, se fundir completamente num produto só? Pichai respondeu que não enxerga esse futuro como uma simples junção de produtos — para ele, é a camada agêntica que vai costurar tudo isso.

Atualmente, o Google já tem vários produtos que se sobrepõem entre si de alguma forma. Por isso, segundo Pichai, o caminho natural não é tentar unificar fisicamente essas ferramentas, mas deixar que a camada agêntica resolva isso para o consumidor, de forma transparente.

“Porque agora você tem esses dois grandes produtos de IA em escala, o Gemini com bilhões de usuários, a Busca com bilhões de usuários, mas são diferentes, embora se sobreponham em algumas experiências de IA. Você chega a imaginar que eles vão se fundir completamente algum dia?”

“Espero que nossos agentes ofereçam essa experiência unificadora entre esses produtos. Na verdade, essa camada agêntica, em vez de tentar convergir ou pensar em como produtos diferentes se juntam, eu acho que ela naturalmente acaba fazendo isso, entende? Porque seus agentes estão rodando na nuvem, funcionando 24 horas por dia, e têm o seu contexto. Então eles conseguem retomar de onde você parou. Você pode começar uma tarefa em um lugar, ir para outro lugar, e o seu agente já carrega esse contexto com ele. Então eu acho que essa camada agêntica nos dá a chance de oferecer uma experiência de produto unificada como nunca tivemos antes.”

O que isso muda para quem vive de tráfego de busca

Esse cenário descrito por Pichai soa bem diferente da realidade que profissionais de SEO, consumidores e donos de sites enfrentam hoje. Afinal, fica no ar uma pergunta incômoda: existe espaço, dentro dessa camada agêntica, para o tráfego de referência vindo de pessoas reais clicando em links? Ou a balança vai pender cada vez mais para os agentes de IA, deixando os sites como coadjuvantes de um passado não tão distante?

Por ora, o que fica claro é que o Google está apostando pesado nessa fusão silenciosa entre Busca e assistentes de IA. Apesar disso, o próprio ritmo de expansão dos modelos mais recentes — e a promessa de levar essas funções além dos usuários Ultra e Pro — sugere que essa transformação deve ganhar corpo nos próximos meses, e não em um horizonte distante.

Com informações de searchenginejournal.com.

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