A Electronic Arts (EA) confirmou que vai encerrar as atividades da BioWare, estúdio responsável por franquias queridas dos gamers como “Dragon Age” e “Mass Effect”. A notícia, divulgada pela Bloomberg, também traz um corte generalizado de pessoal dentro da publicadora: cerca de 400 vagas serão extintas no total.
Fechamento da BioWare: o que se sabe até agora
Segundo uma fonte com conhecimento dos planos da empresa, que preferiu não se identificar por se tratar de informações ainda não oficializadas, os 400 cortes representam aproximadamente 3% de todo o quadro de funcionários da EA. Desse total, cerca de 50 postos eram da própria BioWare — ou seja, praticamente o estúdio inteiro foi desmontado.
A decisão não surge isolada. No início deste ano, a EA já havia sinalizado aos investidores um plano ambicioso de economia, prevendo cortar até US$ 700 milhões (R$ 3,52 bilhões) em despesas, em parte reduzindo investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Além disso, vale lembrar que, em agosto, a companhia fechou o capital após uma aquisição alavancada de US$ 55 bilhões (R$ 276,5 bilhões), liderada pelo fundo de investimentos da Arábia Saudita — movimento que acrescentou cerca de US$ 18 bilhões (R$ 90,5 bilhões) em dívidas ao balanço da empresa.
O que diz a carta aos funcionários
Em comunicado enviado aos colaboradores nesta quarta-feira e obtido pela Bloomberg, o diretor de operações da EA, David Tinson, e o diretor de estúdios, Cam Weber, explicaram que a empresa passou por uma revisão profunda das operações. Segundo eles, “nos últimos meses, analisamos minuciosamente nossos negócios” — e esse processo resultou no cancelamento de alguns projetos, incluindo o próximo título de “Mass Effect”, que ainda estava em fase inicial de desenvolvimento dentro da BioWare.
“Em todo o nosso portfólio, estamos tomando decisões deliberadas para direcionar talentos e investimentos às áreas em que enxergamos as maiores oportunidades para os jogadores e para o crescimento de longo prazo”, escreveram os executivos.
Apesar do golpe duro na área de RPG, a EA garante que outras frentes continuam recebendo atenção. Entre os projetos mantidos estão:
- Os jogos esportivos da companhia;
- O jogo de tiro on-line “Apex Legends”;
- Projetos de ação e aventura, incluindo o próximo “Star Wars Jedi”;
- Um novo jogo estrelado pelo Homem de Ferro, personagem da Marvel;
- A franquia “Battlefield”, que seguirá com os estúdios Respawn e DICE trabalhando juntos em um novo projeto — provavelmente mais um “Star Wars: Battlefront”.
Uma trajetória de altos e baixos
A BioWare foi fundada em 1995 e acabou comprada pela EA em 2007. Nos primeiros anos sob o guarda-chuva da publicadora, o estúdio emplacou uma sequência de jogos de RPG muito bem avaliados pela crítica, consolidando as franquias “Dragon Age” e “Mass Effect” como queridinhas dos fãs do gênero.
No entanto, os últimos anos não foram tão gentis. Títulos como “Mass Effect: Andromeda” e “Anthem” não repetiram o sucesso das gerações anteriores e acabaram mal recebidos pela crítica. Para completar, o lançamento mais recente do estúdio, “Dragon Age: The Veilguard”, ficou abaixo das expectativas de vendas — resultado que já havia levado a EA a promover cortes profundos na equipe no ano passado. Assim, o fechamento anunciado agora pode ser visto como o capítulo final de uma crise que já se arrastava.
Outros projetos afetados pelos cortes
O pente-fino da EA não parou na BioWare. Na mesma carta, a empresa informou que cancelou um jogo planejado para a franquia “The Sims”, cujo nome de código era “Project Lotus”. Em contrapartida, a publicadora vai priorizar outro projeto da série, chamado internamente de “Project Evergreen”.
Por fim, a EA também afirmou que o desenvolvimento do jogo de skate da empresa segue de pé, mas a equipe responsável pelo título será reduzida. Em resumo, a reestruturação atinge diversas frentes do portfólio, mas a saída da BioWare é, sem dúvida, o ponto que mais chama atenção entre jogadores e observadores da indústria — afinal, trata-se do fim de um dos nomes mais tradicionais do gênero RPG nos videogames.
Com informações de redir.folha.com.br.