A busca orgânica continua sendo motor de negócios em 2027, mas ganhar espaço nela vai exigir escolhas bem mais cirúrgicas. As respostas geradas por IA estão “roubando” cada vez mais cliques que antes iam para os sites, mudando o valor de aparecer bem posicionado e tornando essencial pensar em visibilidade além dos tradicionais links azuis.
Isso não significa que o SEO tradicional perdeu sentido — muito pelo contrário. O que muda é para onde vai o esforço e como se mede o sucesso. Uma página comercial pode valer mais do que um conteúdo informativo популар, e conseguir ser citado dentro de uma resposta de IA passa a ter tanto peso quanto conquistar uma posição de destaque no ranking clássico.
Três frentes devem guiar a estratégia de SEO daqui pra frente: distribuir o conteúdo conforme a etapa do funil de vendas, produzir material mais denso e estruturado, e construir autoridade combinando marcação técnica, links e menções de marca.
1. Conteúdo distribuído conforme o funil
A decisão mais estratégica é entender em qual ponto do funil vale a pena investir energia.
A inteligência artificial impacta principalmente o topo do funil — aquelas buscas mais informativas e genéricas. O meio do funil também perdeu boa parte da proteção que tinha antes.
Segundo um estudo de 2026 da Seer Interactive, os Resumos de IA do Google aparecem em 36% das buscas informativas, contra 8% das comerciais e apenas 5% das transacionais. À primeira vista, isso parece ótima notícia para quem produz conteúdo de meio de funil.
Só que o formato da pergunta conta outra história: buscas no estilo “X vs. Y” disparam um Resumo de IA em 95,4% dos casos, e buscas do tipo “melhores opções de X” em 81,3%. Coincidência ou não, são exatamente os formatos mais usados em conteúdo comercial — mesmo quando o Google classifica a busca como informativa.
A lógica de distribuir esforços por etapa do funil continua válida. O que precisa mudar é a régua usada para medir vitória.
Boa notícia: a queda de 2025 não se manteve

Vale destacar um contraponto ao tom apocalíptico que ronda o tema: o principal achado da Seer para 2026 é que a taxa de cliques orgânicos em buscas com Resumo de IA tocou o fundo em 1,3% em dezembro de 2025 e subiu para 2,4% em fevereiro de 2026 — um salto de 85% em apenas dois meses. Para marcas citadas nessas respostas, o clique em buscas transacionais praticamente dobrou no mesmo período.
A Seer classifica esse movimento como uma estabilização, não uma recuperação, e recomenda cautela ao projetar tendências a partir de apenas dois meses de dados.
Um levantamento da SparkToro reforça o cenário: buscas informativas (tipo “o que é X” ou “como fazer Y”) já respondem por 52,65% do total de pesquisas e têm taxa de zero-clique batendo 68,01%. Já as buscas comerciais (“melhor X”, “X vs. Y”) somam 14,51% do total, com zero-clique moderado, mas crescente e muito dependente do formato. As transacionais (“comprar X online”) representam 32,84% das buscas e seguem com a menor taxa de zero-clique — embora o clique não citado tenha caído 48% em 2025.
Olhando por formato dentro das buscas informativas, a variação é grande: comparações (“X vs. Y”) geram Resumo de IA em 95,4% dos casos, mas com volume pequeno de impressões (79.436 na amostra). Já buscas no formato de pergunta direta (“o que”, “por que”, “como”) aparecem em 85,9% dos casos, mas somam 1,4 milhão de impressões — é daí que sai a maior parte do tráfego perdido de fato.
2. Priorize meio e fundo de funil para faturar mais rápido
Todo projeto de SEO trabalha com tempo e verba limitados, então a prioridade precisa ser estratégica: vale mais concentrar esforço em poucas páginas-chave ou pulverizar em muitas?
A resposta varia conforme o objetivo, mas normalmente a meta é gerar receita rápido — e para isso, investir em meio (MOFU) e fundo de funil (BOFU) costuma trazer retorno superior ao topo de funil na maioria dos sites.
Conteúdos do tipo “melhor X” e “X vs. Y” sempre foram ótimos para capturar demanda de meio de funil, mas o raciocínio precisa de ajuste: são justamente os formatos mais “sequestrados” pelos Resumos de IA, então uma página nesse formato fica exposta independente de como o Google classifique a busca por trás dela.
Ainda assim, vale a pena continuar produzindo esse tipo de página. A intenção comercial por trás de uma busca como “melhor CRM para operações multi-loja” não diminuiu, e a Seer constatou que páginas citadas dentro de um Resumo de IA recebem cerca de 120% mais cliques por impressão do que páginas não citadas na mesma busca.
Mas é bom conhecer o teto: mesmo citadas, essas páginas ainda ficam 38% atrás de resultados sem Resumo de IA. Ser citado é a melhor posição disponível dentro de um SERP com IA — não é um retorno ao patamar antigo de cliques.
Ranquear entre as três primeiras posições para esses termos segue trazendo o maior impacto financeiro para os clientes. Isso não mudou. O que mudou é que só isso já não garante mais o resultado sozinho.
Como proteger o meio e o fundo de funil

- Construa conteúdos “melhor X” e “X vs. Y” já pensando em citação: dados originais, testes em primeira mão, entidades bem nomeadas e trechos que uma IA consiga extrair sem precisar do contexto ao redor.
- Trate essas páginas como hubs, com linkagem interna estratégica para reforçar sua importância.
- Priorize a conquista de backlinks em torno desses artigos comparativos.
- Acompanhe citações junto com posição no ranking. Se você está em primeiro lugar mas o Resumo de IA cita três concorrentes, seu rank tracker vai mostrar uma vitória que na prática não existiu.
O fundo de funil também merece atenção redobrada. Buscas transacionais e de navegação — como “login MarcaX”, “preço do produto” ou “cupom de desconto” — têm as menores taxas de zero-clique e costumam indicar usuário pronto para comprar ou se engajar.
Mesmo com volume de busca menor, o potencial de conversão é enorme. É o terreno mais protegido contra o zero-clique que ainda resta, e por isso merece ser defendido de forma deliberada, sem dar como garantido.
- Monitore rankings de perto e ajuste elementos on-page pensando em experiência do usuário e clareza.
- Inclua chamadas para ação claras e schema markup para preço, produto e ofertas.
- Use remarketing para recuperar visitantes que não convertem de primeira.
3. Topo de funil: use com moderação para construir autoridade
O topo do funil ainda importa para construir autoridade temática, mas vem com contrapartidas. Conteúdo informativo ajuda no branding, fortalece a estrutura interna do site e consolida autoridade ao responder perguntas centrais do nicho — mas costuma exigir bastante esforço para retorno de curto prazo pequeno, e publicar em excesso pode até prejudicar o engajamento geral do site.
O ideal é focar em topo de funil quando for preciso preencher lacunas de cobertura temática, depois de já ter esgotado as oportunidades de meio e fundo de funil. O foco principal deve continuar sendo o ranqueamento em MOFU e BOFU.
Quando o assunto for mesmo investir em topo de funil, vale otimizar pensando no valor que a página pode gerar mesmo sem clique, aparecendo bem dentro do próprio resultado de busca — já que boa parte dessas buscas nunca vai levar o usuário até o site.
Com informações de searchengineland.com.