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IA em pequenas empresas: CEO do Goldman Sachs explica por que modelos de ponta não são prioridade

Por: Eduardo Carrega
24/10/2026
05:00h
IA em pequenas empresas: CEO do Goldman Sachs explica por que modelos de ponta não são prioridade
CEO do Goldman Sachs explica por que a IA em pequenas empresas não depende de modelos de ponta e detalha novo instituto com Anthropic, Google, Meta e OpenAI.
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Na mesma quinta-feira em que ajudou a anunciar um investimento de US$ 500 milhões em inteligência artificial ao lado de quatro gigantes do setor, David Solomon surpreendeu a plateia com uma declaração direta: a maior parte da economia nem precisa dos modelos mais avançados do mercado. O CEO do Goldman Sachs fez a afirmação durante o lançamento do novo Small Business AI Institute, na sede do banco em Manhattan, em evento acompanhado pela Fortune — e o recado foi justamente sobre como a IA em pequenas empresas deve ser pensada de forma diferente do hype em torno da tecnologia.

“Os modelos de fronteira e a forma como eles evoluem serão algo muito, muito interessante”, disse Solomon. No entanto, ele foi logo ponderando: “há muito pouco do que fazemos em que precisemos de modelos de fronteira”, completou, ao se referir à atividade econômica em geral e, principalmente, ao universo das pequenas empresas.

IA em pequenas empresas não exige tecnologia de ponta, diz Solomon

Segundo o executivo, a tecnologia avança rápido e deve continuar avançando — mas é preciso separar esse desenvolvimento de ponta das ferramentas que as empresas de fato usam no dia a dia. Para ele, os modelos de fronteira fazem diferença em áreas bem específicas, como cibersegurança, defesa e saúde, incluindo descoberta de medicamentos e formação de moléculas.

Já as discussões mais amplas sobre segurança em IA, que costumam dominar manchetes, “são bastante diferentes do uso das ferramentas básicas que já existem para apoiar os negócios”, afirmou Solomon.

Investimento de US$ 500 milhões e parceria com big techs

O novo instituto faz parte de um compromisso de US$ 500 milhões para financiar a próxima fase do programa 10,000 Small Businesses, do Goldman Sachs, que oferece educação, acesso a capital e suporte a empreendedores. Desde o lançamento, em 2010, quase 20 mil empreendedores já concluíram o programa, dentro de um compromisso anterior de US$ 1,25 bilhão. Afinal, as pequenas empresas representam 99% das empresas dos Estados Unidos e formam, nas palavras de Solomon, um ecossistema “extremamente importante”.

Para colocar a iniciativa em prática, quatro nomes de peso vão participar: Anthropic, Google, Meta e OpenAI. Cada uma entra com uma frente diferente:

  • A Anthropic vai criar uma série educacional sobre IA aplicada a pequenos negócios, além de promover workshops práticos e colaborar em pesquisas sobre o uso da tecnologia;
  • O Google vai oferecer seu certificado profissional de IA para quase 20 mil empresários e funcionários, com três meses gratuitos do Google AI Pro;
  • A Meta vai disponibilizar ferramentas e treinamentos pelo programa Muse for Small Business;
  • A OpenAI vai realizar oficinas sobre IA em parceria com faculdades comunitárias.

“Vá com calma”: o conselho que contraria a pressa da indústria

Enquanto boa parte da indústria de IA costuma vender urgência, Solomon preferiu pregar calma aos donos de pequenos negócios. “No momento, esta é uma tecnologia cara”, afirmou. “Não acho que você precise olhar para o mundo e dizer: ‘Preciso ser o melhor nisso, preciso dominar isso nas próximas três semanas’.”

Para ele, a questão central é o retorno sobre investimento, não a velocidade de adoção.

“Quando você pensa no custo dos tokens e no custo de estar nessas plataformas, o retorno pode vir da produtividade. O importante é fazer certo, não fazer mais rápido.”

E os números parecem confirmar essa cautela: segundo relatório divulgado junto com o anúncio, 73% dos empresários que usam IA gastam menos de US$ 100 por mês, incluindo 16% que recorrem apenas a ferramentas gratuitas. A maioria se apoia em chatbots como ChatGPT, Claude ou Gemini (86%) ou em recursos de IA já embutidos nos softwares que já utilizam (54%). Apenas 18% usam agentes autônomos.

Apesar disso, a adoção não é exatamente o problema. Uma pesquisa conduzida pelo Babson College em agosto mostrou que 86% das pequenas empresas já utilizam IA, salto expressivo frente aos 56% registrados em 2024. Ainda assim, só 15% dizem que a tecnologia está totalmente integrada às operações centrais, e 77% afirmam precisar de mais treinamento e recursos.

Mais produtividade, sem inflar os custos fixos

A aposta do instituto está centrada em um ponto: ganhar eficiência sem aumentar a estrutura de custos. Solomon deu um exemplo simples — um empresário que precise de mais planejamento estratégico normalmente contrataria uma consultoria, mas com IA pode avançar nesse trabalho sem contratar ninguém. “Isso não elimina empregos, mas cria mais alavancagem para o negócio sem aumentar a base de custos fixos”, argumentou.

Os dados da pesquisa reforçam essa visão: entre quem usa IA, 84% não mudaram o quadro de funcionários, 5% aumentaram contratações e apenas 6% reduziram pessoal. Quanto ao tempo economizado, 56% dos entrevistados dizem usá-lo em planejamento estratégico, 44% em marketing e 31% em desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Exemplos práticos no palco do evento

Dois empreendedores presentes no evento ilustraram bem esse uso cotidiano da IA. Allison Dunn, fundadora da Hibiscus Brew, cafeteria e marca de bebidas de bem-estar caribenha no Brooklyn, chama a IA de sua “parceira de reflexão”: a ferramenta organiza e-mails, cria listas de tarefas, monta agenda e até ajudou a desenvolver o cardápio de outono da cafeteria, além de conduzir dez minutos diários de treinamento de oratória. Recentemente, resolveu também o controle de inventário de leite, café expresso e outros insumos — tratado por ela como um “primeiro rascunho” a ser revisado. Enquanto isso, os clientes continuam sendo chamados pelo nome em até três segundos.

“A IA não veio para substituir. As pessoas que sabem usar IA é que podem substituir você.”

Já Hagan Walker, cofundador da marca de brinquedos iluminados Glo Pals, usa IA “o dia inteiro, todos os dias”. Um agente de IA escreveu o algoritmo que escolhe automaticamente o menor tamanho de caixa para cada pedido, ajudou a criar o tema do site da empresa depois de meses de ajustes e ainda analisa dados publicitários em plataformas como Google e Meta. Por outro lado, há um limite bem definido: “Tudo relacionado a direitos autorais ou ilustração é feito por uma pessoa”, afirmou Walker, citando preocupações regulatórias envolvendo IA e brinquedos infantis. A empresa, aliás, está em fase de contratação e dá preferência a candidatos que já dominam essas ferramentas.

Capital ainda é o maior entrave

Solomon resumiu os três pilares do novo instituto: programas de treinamento oferecidos pelos parceiros, pesquisas sobre como as pequenas empresas realmente usam IA na prática e acesso a capital. Por fim, ele deixou claro qual ponto ainda trava o avanço do setor: “O acesso a capital continua sendo uma limitação”, concluiu.

Com informações de infomoney.com.br.

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