A IA na Europa ganhou um capítulo curioso nesta quarta-feira, em Amsterdã e, principalmente, em Berlim. Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, usou o palco da conferência GTC da empresa para defender que o continente tem uma vantagem competitiva pouco explorada em inteligência artificial física e robótica — e fez isso literalmente cercado por pequenos robôs em forma de pato. A declaração marcou o encerramento de uma turnê que já havia passado por Londres, Paris, Estocolmo e Dublin.
Segundo Huang, a expertise europeia em engenharia é um trunfo que ainda não foi plenamente aproveitado. “Todas as empresas na Europa se tornarão empresas de IA”, afirmou o executivo durante o evento. Para ele, a região tem um diferencial histórico difícil de replicar: “Nenhuma região se dedicou à produção de mecatrônica, eletrônica e sistemas mecânicos com o mesmo nível de precisão e habilidade que a região europeia.”
Robôs-pato roubam a cena na demonstração de IA na Europa
Para ilustrar a criatividade local no setor, Huang dividiu o palco com minúsculos robôs-pato treinados em inteligência artificial, desenvolvidos pela startup francesa Pollen Robotics em parceria com a Hugging Face. Ele pediu que os bichinhos robóticos dessem cambalhotas — e, de quebra, acabou expondo que a tecnologia ainda tem seus percalços.
Os chamados Microducks mostraram, na prática, que nem toda ordem é cumprida com perfeição mesmo com IA de ponta envolvida. Três deles obedeceram prontamente quando Huang pediu que “tirassem uma soneca”, mas o quarto exigiu um pouco mais de insistência. Em outro momento, um dos patos ficou virado para o lado errado bem quando Huang encerrava seu discurso. A reação do executivo foi direta: “Prestem atenção, mantenham o foco.”
Investimento bilionário e novas parcerias
Por trás do momento bem-humorado, há uma estratégia de negócios robusta. A Nvidia afirma já ter investido quase US$ 10 bilhões no ecossistema tecnológico europeu, posição que a coloca como principal fornecedora de processadores e softwares usados nos “cérebros” dos robôs da região. Ou seja, o sucesso da indústria robótica europeia também é, de certa forma, o sucesso comercial da própria Nvidia.
Entre os anúncios feitos na quarta-feira, destaca-se a parceria com a alemã Agile Robots, que planeja produzir entre 1.000 e 2.000 robôs humanoides de pequeno porte no próximo ano em colaboração com a Nvidia. De acordo com Zhaopeng Chen, presidente-executivo da Agile Robots, a produção deve começar ainda neste ano.
Por que a Europa precisa “produzir” IA, não só consumir
Apesar do entusiasmo, Huang reconheceu um ponto sensível: a Europa costuma ficar para trás dos Estados Unidos e da Ásia na corrida da inteligência artificial, sem um player nacional na mesma escala de gigantes como Nvidia, Anthropic ou OpenAI. Por isso, segundo ele, é essencial que a região assuma um papel mais ativo daqui para frente.
“Para fazer parte dessa economia da IA, você não quer apenas consumir IA; você quer produzir IA. Nós poderíamos fazer tudo isso aqui na Europa”, disse Huang.
Além da parceria com robôs, a Nvidia aproveitou a passagem pela Europa para apresentar, em evento separado, um novo design batizado de DSX POD, voltado a módulos de data center pré-fabricados que utilizam a plataforma Vera Rubin da empresa. Segundo a Nvidia, esses módulos podem ser implantados em apenas duas semanas — um salto e tanto em relação aos seis meses que esse tipo de instalação costumava levar.
No fim das contas, a passagem de Huang por Berlim resumiu bem o momento da IA na Europa: entusiasmo genuíno com o potencial técnico do continente, investimentos pesados já em andamento e, claro, alguns imprevistos — mesmo que seja só um pato robótico virado para o lado errado no meio do discurso.
Com informações de infomoney.com.br.