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IA na medicina: startup que virou febre entre médicos dos EUA já vale US$ 15 bilhões

Por: Eduardo Carrega
21/10/2026
12:56h
IA na medicina: startup que virou febre entre médicos dos EUA já vale US$ 15 bilhões
Entenda como a IA na medicina impulsionou a startup OpenEvidence a uma avaliação de US$ 15 bilhões entre médicos nos EUA.
RESUMIR COM:

Uma ferramenta de inteligência artificial voltada para a área médica conquistou a confiança de boa parte dos profissionais de saúde nos Estados Unidos — e o resultado disso é uma avaliação de mercado estratosférica. Segundo levantamento citado pelo Financial Times, quase dois terços dos médicos americanos já recorrem a esse mecanismo de busca com IA na medicina para apoiar decisões sobre pacientes, o que acabou impulsionando a pouco conhecida startup OpenEvidence a uma valorização de US$ 15 bilhões (R$ 75,42 bilhões).

O crescimento rápido do uso dessa tecnologia tem gerado, ao mesmo tempo, entusiasmo e debate sobre os rumos da assistência médica, já que cada vez mais decisões clínicas passam pelo crivo de um algoritmo.

De onde veio essa IA na medicina que virou fenômeno

Com sede em Miami, a OpenEvidence foi criada em 2022 pelo empreendedor em série Daniel Nadler. De acordo com a empresa, boa parte do 1 milhão de médicos dos Estados Unidos chegou a enviar mais de 42 milhões de consultas à plataforma apenas no mês passado. Na prática, os profissionais usam o chatbot para vasculhar periódicos médicos e diretrizes clínicas, buscando apoio tanto no diagnóstico quanto no tratamento de pacientes.

Financiada por anúncios, a plataforma cresceu sobretudo por meio do famoso boca a boca — algo raro em um setor onde poucas ferramentas conseguem engajar tanta gente de uma vez. Em entrevista ao Financial Times, Nadler resumiu o feito:

“Somos o primeiro aplicativo de internet voltado ao consumidor na área da saúde a se tornar viral.”

Em entrevistas com oito médicos experientes, a OpenEvidence recebeu elogios de profissionais que afirmam ter sentido alívio na carga de trabalho depois de incorporar a ferramenta à rotina. Por outro lado, a empresa já sente uma concorrência nascendo no horizonte: gigantes como OpenAI e Anthropic começam a se mover nesse mesmo mercado. Além disso, a influência crescente da startup chamou a atenção de pesquisadores preocupados com a precisão dos resultados, já que os médicos estão cada vez mais dependentes de uma IA capaz de interferir diretamente no curso de tratamentos.

Bilhões de dólares em investimento e publicidade

Essa ascensão acelerada atraiu quase US$ 1 bilhão (R$ 5,03 bilhões) em aportes ao longo dos últimos 18 meses, vindos de nomes como Andreessen Horowitz, Blackstone, Thrive Capital e Sequoia. Na rodada mais recente, fechada em setembro, a empresa captou US$ 250 milhões (R$ 1,26 bilhão), o que elevou sua avaliação para os já mencionados US$ 15 bilhões (R$ 75,36 bilhões).

Até o fim de 2025, a OpenEvidence já havia fechado US$ 100 milhões (R$ 503 milhões) em “compras de publicidade” — indicador que soma compromissos publicitários atuais e futuros — para este ano, segundo uma pessoa próxima à empresa. A mesma fonte afirma que a startup caminha para gerar entre US$ 400 milhões (R$ 2,012 bilhões) e US$ 500 milhões (R$ 2,51 bilhões) em receitas publicitárias até o fim de 2026.

Vale lembrar que esse é um mercado tradicionalmente conservador. Prova disso é que o grupo holandês Wolters Kluwer só lançou uma versão com inteligência artificial do seu principal software médico por assinatura, o UpToDate, em outubro de 2025 — quase dois anos depois de a OpenEvidence já estar atuando por lá.

Confiança nos médicos vem de fontes selecionadas

Um dos diferenciais da OpenEvidence está na curadoria rigorosa de suas fontes: a plataforma trabalha com uma lista restrita de periódicos científicos revisados por pares, entre eles o New England Journal of Medicine e o Journal of the American Medical Association. Essa seleção criteriosa parece ser justamente o que dá segurança a quem usa a ferramenta no dia a dia.

“A OpenEvidence me permite fornecer muito contexto sobre meu paciente, encontrar informações e tomar decisões com mais rapidez. É uma ferramenta muito útil”, disse Nina Singh, médica residente da Universidade da Califórnia em San Francisco.

Essa aceitação generalizada entre os profissionais abriu portas para parcerias com hospitais e clínicas de peso, como o Mount Sinai Health System e o Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, onde a ferramenta já foi incorporada aos sistemas de prontuários eletrônicos.

Paul Testa, diretor de informática em saúde da NYU Langone, contou que o hospital decidiu buscar uma parceria formal com a OpenEvidence assim que percebeu que os médicos já usavam a ferramenta por conta própria, como um “recurso independente”. Segundo ele:

“Decidimos integrar profundamente uma versão da OpenEvidence adaptada à prática clínica ao processo de atendimento para garantir duas coisas: primeiro, que nossos médicos tirem o máximo proveito dessas ferramentas de IA; segundo, que as utilizem com segurança.”

Com essa popularidade consolidada, a OpenEvidence tem expandido aos poucos sua atuação para outras frentes, como a documentação automatizada por IA, recurso que registra anotações automaticamente durante as consultas médicas. Ainda assim, especialistas continuam questionando se um modelo de negócio sustentado em publicidade é compatível com uma avaliação tão elevada em um setor tão sensível quanto a saúde — um debate que, por enquanto, segue em aberto.

Com informações de redir.folha.com.br.

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