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Laser contra mosquitos: a China aposta na inteligência artificial para exterminar a praga

Por: Eduardo Carrega
01/11/2026
05:00h
Laser contra mosquitos: a China aposta na inteligência artificial para exterminar a praga
Empresa chinesa usa inteligência artificial em laser contra mosquitos, eliminando as asas dos insetos em voo; entenda como funciona e os riscos envolvidos.
RESUMIR COM:

Quem já perdeu horas de sono com aquele zumbido chato de mosquito rondando o quarto vai adorar saber que a China resolveu levar essa guerra para outro nível. Uma empresa chinesa começou a comercializar um dispositivo de US$ 1.000 equipado com inteligência artificial capaz de rastrear mosquitos em pleno voo e queimar suas asas com um laser. O aparelho usa tecnologias semelhantes às encontradas em carros autônomos para localizar os alvos e recorre à inteligência artificial para decidir o momento exato e seguro de disparar.

Em Changzhou, durante uma demonstração recente nos escritórios da Photon Matrix, fabricante do equipamento, o sistema mostrou-se surpreendentemente eficiente. A máquina branca, do tamanho de um tijolo, foi abatendo mosquito após mosquito, cada um envolto por uma rápida chama azul ou verde, seguida de um estalo característico.

Como funciona a arma a laser contra mosquitos

Para quem já sonhou com uma morte dramática para os mosquitos, aqui está uma versão bastante tecnológica desse desejo. Só que o laser, apesar de eficaz, não é exatamente rápido. Segundo Wang Chuan, CEO e fundador da Photon Matrix, os insetos que perdem as asas podem levar horas, ou até dias, para morrer, ficando no chão com leves espasmos até o fim.

Após o teste, foi possível examinar de perto os mosquitos atingidos: as asas haviam sumido, mas pernas e corpo permaneciam intactos. Nenhum deles conseguia voar, mesmo quando se agitava a mão bem perto.

No entanto, existe um detalhe que exige atenção redobrada: um laser forte o suficiente para incapacitar um mosquito também pode causar sérios danos aos olhos humanos. O equipamento, batizado de Laser Mosquito Air Defense System, utiliza um laser Classe 4 — a categoria mais potente que existe, geralmente reservada para uso industrial. Esse tipo de laser pode provocar lesões na retina em menos de um segundo, por isso costuma estar sujeito a regras rígidas de segurança.

Inteligência artificial em produtos de consumo ganha corpo na China

Apesar de os Estados Unidos ainda liderarem o desenvolvimento dos modelos mais avançados de inteligência artificial, esse dispositivo mostra a velocidade com que a China vem embutindo alto poder computacional em produtos do dia a dia. E não para por aí: a tecnologia também tem potencial militar. Afinal, não é difícil imaginar que um sistema treinado para rastrear e derrubar mosquitos hoje possa, no futuro, ser adaptado para mirar em drones.

Wang afirmou que a empresa está em busca de aprovação regulatória na China, na Europa e nos Estados Unidos, e acredita que a liberação chinesa deve sair em breve. Nos Estados Unidos, explicou Ken Barat, ex-responsável pela segurança de lasers no Lawrence Berkeley National Laboratory e um dos nomes por trás dos padrões técnicos internacionais para lasers de pesquisa, os fabricantes podem começar a vender novos dispositivos a laser assim que apresentam a documentação exigida à Food and Drug Administration (FDA), órgão que não realiza testes próprios nos produtos.

Barat disse acreditar que as múltiplas camadas de proteção da Photon Matrix podem tornar o aparelho seguro. Ainda assim, fez um alerta importante:

“Um laser Classe 4 projetado para focar em algo tão pequeno quanto um mosquito concentra muita energia em um espaço reduzido.”

Camadas de segurança para evitar acidentes

A trajetória até o Classe 4 não foi direta. A Photon Matrix testou inicialmente lasers Classe 3, menos potentes, mas percebeu que eles não conseguiam incapacitar os mosquitos de forma confiável. Diante disso, optou pela versão mais forte, limitando cada disparo a um centésimo de segundo. Segundo Wang, esse tempo é suficiente para destruir as asas dos insetos e, ao mesmo tempo, reduzir — embora não eliminar — o risco de danos oculares. Como as asas absorvem pouco calor, elas queimam antes que o corpo do mosquito seja gravemente afetado.

Para evitar acidentes com pessoas e animais domésticos, o sistema conta com uma série de proteções:

  • Uma câmera com inteligência artificial reconhece pessoas e animais e bloqueia o disparo do laser;
  • O equipamento identifica superfícies reflexivas que poderiam desviar os feixes de forma imprevisível;
  • Um sistema infravermelho garante funcionamento noturno;
  • Um radar independente detecta movimento mesmo na escuridão total.

Além disso, quem compra o aparelho precisa passar por um teste de segurança com 15 perguntas, entre elas qual ambiente seria o menos indicado para usá-lo. A resposta certa é o banheiro, por causa da umidade alta, do espaço apertado e das superfícies reflexivas. Só quem acerta todas as questões consegue cadastrar a impressão digital necessária para ativar o equipamento.

Lidar e histórico da ideia contra os mosquitos

A caça aos mosquitos se apoia na tecnologia lidar, sigla para “detecção e medição por luz”, bastante usada em carros autônomos. O aparelho dispara 100 mil pulsos de laser extremamente fracos por segundo para mapear uma área bidimensional à sua frente, conseguindo rastrear objetos menores que uma ervilha enquanto cruzam essa zona.

Vale lembrar que a ideia de eliminar mosquitos com laser é anterior ao atual boom da inteligência artificial. Em 2010, a Intellectual Ventures, empresa fundada por um ex-diretor de tecnologia da Microsoft, já havia apresentado um sistema parecido, mas o projeto nunca saiu do papel em escala comercial.

Dessa vez, porém, parece que o produto vai mesmo para as ruas: a Photon Matrix afirma já ter recebido 5.000 encomendas pagas antecipadamente e garantido um fabricante parceiro para começar a produção em massa nas próximas semanas. Wang, aliás, já pensa no próximo passo — uma nova geração do dispositivo, com disparos ainda mais curtos. A expectativa, nesses modelos futuros, é que a própria umidade natural dos olhos consiga absorver a energia do laser antes que ela chegue à retina, tornando a experiência de exterminar mosquitos a laser ainda mais segura para quem está por perto.

Com informações de infomoney.com.br.

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