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Vício em redes sociais: Meta faz acordo e deixa Snapchat sozinho no banco dos réus

Por: Eduardo Carrega
30/10/2026
17:06h
Vício em redes sociais: Meta faz acordo e deixa Snapchat sozinho no banco dos réus
Meta fecha acordo em processo sobre vício em redes sociais; entenda por que Snapchat segue sozinho no julgamento em Los Angeles.
RESUMIR COM:

A Meta chegou a um acordo com uma adolescente que processava a empresa por supostamente projetar Instagram e Facebook para viciar usuários, causando problemas de saúde mental e transtornos alimentares. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (30) pelos advogados da jovem, e o episódio marca mais um capítulo no embate judicial sobre vício em redes sociais que vem ganhando força nos tribunais americanos.

O entendimento foi fechado logo depois que começou a seleção do júri, na quarta-feira (28), para um julgamento que iria analisar as denúncias de duas adolescentes — identificadas como S.J. e K.D.B. — contra a Meta e a Snap, dona do Snapchat. Vale lembrar que a Meta já tinha resolvido a situação com S.J. dias antes do início do processo. Agora, com o acordo anunciado nesta sexta envolvendo K.D.B., a ação deve seguir apenas contra a Snap.

O que diz a defesa sobre o vício em redes sociais

Em comunicado, Emily Jeffcott, advogada de K.D.B., comemorou o desfecho: “Continuamos comprometidos em melhorar a segurança das crianças em aplicativos de redes sociais e em responsabilizar as empresas de tecnologia. Estamos satisfeitos por ter chegado a uma resolução justa neste caso em nome de nossa cliente”.

Do outro lado, um porta-voz da Meta tratou o acordo como parte normal da rotina jurídica da empresa, afirmando que acordos, arquivamentos e julgamentos fazem parte do processo de avaliação de casos desse tipo. Ele também reforçou: “Continuaremos a nos defender nos tribunais e mantemos nossa posição sobre nosso histórico”, acrescentando que a Meta desenvolve ferramentas de segurança há mais de uma década. Já a Snap não respondeu de imediato ao pedido de comentário sobre o assunto.

Um processo de referência sobre dependência digital

Esse é o segundo julgamento em um tribunal estadual de Los Angeles que trata de jovens afirmando ter desenvolvido dependência de redes sociais. Nessas ações, Meta, Snap, TikTok e YouTube — este último da Alphabet — são acusados de projetar suas plataformas de forma a estimular o uso compulsivo. Aliás, S.J. e K.D.B. já tinham fechado acordos anteriores tanto com o TikTok quanto com o YouTube.

O caso em questão foi escolhido entre milhares de ações judiciais pendentes para funcionar como uma espécie de termômetro. Ou seja, o veredicto do júri tem potencial de influenciar diretamente como empresas e autores de processos semelhantes vão negociar daqui pra frente.

S.J., de 16 anos e moradora de Illinois, e K.D.B., de 18 anos e do Mississippi, afirmam ter começado a usar o YouTube aos três anos de idade e as demais plataformas por volta dos nove.

Segundo as próprias adolescentes, os hábitos compulsivos teriam surgido por conta de recursos como a reprodução automática de vídeos e a rolagem infinita de conteúdo — ferramentas que, segundo elas, prendem a atenção de forma proposital.

Empresas negam intenção de causar vício em redes sociais

Apesar das acusações, as plataformas negam ter projetado seus aplicativos para gerar dependência entre os mais jovens. Pelo contrário: afirmam ter adotado medidas para transformar os ambientes digitais em espaços seguros, nos quais adolescentes possam se expressar sem riscos.

No entanto, o pano de fundo é bem mais amplo. As empresas de redes sociais enfrentam milhares de ações em tribunais federais e estaduais, movidas por indivíduos, distritos escolares, municípios e outras entidades governamentais. Em comum, todos esses processos defendem a tese de que as companhias buscaram deliberadamente estimular a dependência de crianças em suas plataformas, contribuindo para uma crise de saúde mental entre jovens marcada por ansiedade, depressão e suicídio.

Vale destacar que, neste mês, um juiz do Novo México já havia multado a Meta em US$ 25 bilhões por enganar usuários sobre a privacidade de dados e o combate a discursos de ódio no Facebook — mais um sinal de que a pressão regulatória e judicial sobre as big techs segue crescendo. Com a Snap como última ré nesse processo específico, o desfecho do julgamento promete ser acompanhado de perto por quem segue atento aos rumos da regulação do setor.

Com informações de redir.folha.com.br.

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