Uma nova leva de dados sobre como as inteligências artificiais escolhem quais páginas citar está dando o que falar entre quem trabalha com otimização de conteúdo. A análise, feita por TJ Robertson, da TJ Digital, examinou nada menos que 193.507 respostas geradas por ChatGPT, Google AI Mode e AI Overviews, cruzando essas respostas com duas rodadas de avaliação cega de páginas. O resultado aponta um padrão interessante: as páginas citadas pelas IAs costumam ir direto ao ponto, respondendo à pergunta do usuário logo no início do conteúdo, com muito mais frequência do que as páginas que ficaram de fora.
Na prática, quando as mesmas respostas de IA traziam várias páginas como base, 23% das citadas abriam com uma resposta direta, contra apenas 14% das que apareceram na busca mas não foram citadas. A diferença fica ainda mais evidente quando a comparação é feita com páginas que estavam no Top 10 do Google, mas nunca foram sequer puxadas pela IA: aí o placar é 20% contra 5%.
Como a pesquisa sobre resposta direta na página foi construída
Vale lembrar que esses números vêm de dados coletados pela TJ Digital, empresa que vende tanto serviços de SEO quanto de Generative Engine Optimization — ou seja, ela tem interesse direto no tema. Por isso, o próprio Robertson faz questão de frisar que os achados mostram associações, e não necessariamente características que causam a citação por si só.
O levantamento reuniu 193.507 respostas relacionadas a 4.167 perguntas que não citavam nomes específicos de empresas ou produtos. Essas perguntas cobriram 78 empresas-clientes de nove modelos de negócio diferentes. Os dados foram coletados em oito “fotografias” semanais entre 27 de agosto e 21 de outubro de 2026, além de execuções repetidas com as mesmas perguntas, usando a ferramenta Peec AI — um aplicativo que dispara prompts pré-definidos para as ferramentas de IA e registra tanto as respostas quanto as fontes citadas.
Para comparar as características das páginas, a agência analisou o conteúdo de 21.874 páginas citadas em respostas de IA frente a 4.507 páginas de comparação, ligadas a 434 perguntas. Essas páginas “preteridas” estavam entre os dez primeiros resultados do Google para determinada pergunta, mas nunca apareceram nas buscas feitas pela IA. Os dados de ranqueamento vieram do Ahrefs, e, das 371 palavras-chave usadas nessa comparação, 174 foram classificadas como semelhantes à pergunta original, enquanto as outras 197 eram mais amplas ou genéricas.
Páginas citadas respondem logo de cara com mais frequência
Robertson também pediu que avaliadores de IA classificassem, às cegas, 195 pares de páginas — sem saber qual delas havia sido citada. Foi dessa rodada que saiu o resultado de 20% contra 5% entre páginas citadas e páginas preteridas.
Ainda nessa mesma rodada, metade das páginas preteridas sequer trazia uma resposta à pergunta na parte do conteúdo que os avaliadores leram — contra 23% entre as citadas. Além disso, as páginas citadas receberam nota de completude mais alta: 2,3 em uma escala de 1 a 5, contra 1,7 das páginas que ficaram de fora.
Curiosamente, o tom “promocional” não fez tanta diferença entre os dois grupos. Cerca de três quartos das páginas, tanto citadas quanto preteridas, eram páginas comerciais tentando vender seus próprios produtos ou serviços, e a nota de tom ficou bem próxima entre as duas categorias (3,8 e 3,7).
Já o resultado de 23% contra 14% veio de outra rodada anterior, em que páginas citadas foram comparadas com páginas que apareceram na mesma busca, mas não foram citadas pela IA. Até o dia 28 de outubro, porém, o estudo ainda não havia detalhado quantas páginas foram analisadas nessa etapa nem qual modelo de IA foi usado na avaliação.
Outras características ligadas às citações de IA
A análise também comparou outros traços das páginas, levando em conta o Domain Rating do Ahrefs de cada site e o tipo de página, apresentando os resultados em forma de chances (odds) de citação. Por exemplo:
- Ter um ano no título mais que dobrou as chances de citação;
- Data de publicação ou atualização nos últimos 12 meses trouxe 88% mais chances;
- Tabelas no conteúdo aumentaram as chances em 69%;
- Experiência de primeira mão elevou as chances em 45%;
- Preços mencionados na página somaram 28% a mais de chance.
Por outro lado, páginas com assinatura de autor tiveram 28% menos chances de serem citadas, e as que continham uma chamada para ação (call to action) tiveram 12% menos chances. Robertson admite não ter explicação para esses dois pontos e afirma que não removeria nenhum dos dois elementos só com base nesses números.
Ele também relata uma associação de 13% mais chances de citação ao usar schema markup. Vale lembrar que, em maio, um relatório do Ahrefs já havia mostrado que páginas citadas por IA tinham cerca de três vezes mais chance de conter JSON-LD — mas, curiosamente, adicionar JSON-LD a páginas já citadas pelo AI Overview não gerou aumento estatisticamente relevante nas citações, segundo testes do próprio Ahrefs.
Segundo Robertson, os padrões identificados nesta análise se repetiram em um segundo teste, limitado às páginas do Top 10 do Google. A página do estudo chegou a mencionar uma tabela por motor de busca e um gráfico com essas chances, mas, até 28 de outubro, nenhum dos dois estava disponível para visualização.
Por que isso importa para quem cuida de conteúdo
Na prática, esse tipo de dado é um convite para revisar suas próprias páginas de produto ou serviço: a pergunta do comprador está sendo respondida logo no início do texto? Vale notar que a diferença entre páginas citadas e não citadas diminuiu quando as não citadas também eram recuperadas pela IA — ou seja, aparecer na busca já ajuda, mas não garante nada.
Os dados dos avaliadores cegos também mostram algo importante: ser citado não é sinônimo de responder bem à pergunta. Afinal, quase um quarto das páginas citadas sequer trazia resposta clara dentro do trecho avaliado.
Esses padrões de características de página vêm de perguntas feitas por uma única agência em nome de seus clientes, descrevendo diferenças entre páginas citadas e preteridas. Por isso, são pistas valiosas, mas que merecem ser testadas também nas suas próprias perguntas monitoradas antes de virarem regra.
O que vem pela frente
É importante destacar que a análise comparou páginas como elas já estavam, sem conseguir provar que incluir uma resposta direta de fato aumenta o número de citações. Para chegar a essa conclusão com mais segurança, seria necessário um estudo comparativo nos moldes do que o Ahrefs fez com schema markup — com um grupo de teste adicionando a resposta direta e um grupo de controle sem alterações, medindo o antes e o depois.
Até que esse tipo de teste apareça, o padrão de “resposta logo no início” segue como uma hipótese promissora, mas ainda não comprovada — vale a pena observar como ela se comporta nas perguntas que você já acompanha no seu próprio negócio.
Com informações de searchenginejournal.com.